O garoto que não quis conhecer a Terra do Nunca


Oi, pessoal... hoje estou apresentando o meu conto, que ficou em segundo lugar no concurso da revista Comunicare Hub.... espero que gostem!

O garoto que não quis conhecer a Terra do Nunca

- Não consigo entender, Sininho!
Era Pan, sentado no galho de uma árvore, com um semblante preocupado... bem diferente de seu jeito habitual. Sininho, de pernas cruzadas, estava sentada sobre a folha de um galho à frente do garoto.
- Ofereci a liberdade, para ele! E recusou!
Pan realmente não entendia o que se passava...
Mais cedo, em suas andanças pelo mundo, encontrou um cenário inusitado... um garoto, de pouco mais de sete anos, trabalhando em uma fornalha de carvão.... seu rosto estava negro de fuligem e seu semblante, sério... não condizente com a sua idade. Quando viu tal cena, Peter imediatamente pousou ao lado do menino, tomando cuidado para não ser percebido pelos adultos...
Com as mãos para trás, pôs a observar o vai e vem do garoto, célere em terminar o forno de argila em volta da madeira . Depois de alguns instantes, resolveu interpelar o menino...
- Está brincando de que?
- Não estou brincando... estou trabalhando!
Pan começou a acompanhar a caminhada rápida do pequeno. De vez em quando o garoto encostava a mão em um dos fornos, para retirá-la logo em seguida...
- O que está fazendo?
- Vendo a temperatura do forno... se não ver isso, a madeira pode estragar e o carvão não fica bom...
- Por que?
- Por que o que?
- Por que você tem que ver a temperatura do forno?
- Ué... porque tenho....
- Mas isso não é trabalho de adulto?
- Meu pai está cortando a lenha que a gente precisa para fazer o carvão, minha mãe está empilhando a lenha...
- Você não gostaria de brincar?
- Prefiro ter comida...
- Mas se você vier comigo, comida não será problema...
- E meus pais?
- O que tem eles?
- Podem ir junto?
- Na Terra do Nunca? Adultos não podem ir para lá...
- Por que?
- Porque lá é a terra dos sonhos... e só quem consegue sonhar pode ficar lá...
- Meus pais ficariam sozinhos?
- Sim... e você jamais teria que trabalhar dessa maneira novamente...
- Não posso...
- Mas... porque?
- Minha família precisa de mim...
- Mas você é uma criança...
- Sem mim, como eles vão sobreviver?
- Não entendi...
- Meu pai... e minha mãe... eles me amam!
- Sim, mas...
- E eles precisam de mim...
- Mas...
- Olha, um dia vou conseguir tirar meus pais dessa vida...
- Mas...
- Mas, até eu crescer... e conseguir dar uma vida melhor para eles...
- O que vai fazer?
- Não vou abandoná-los...
- Mas você pode continuar criança para sempre... Você não precisa crescer!
- Faz tempo que não sou criança... agora, tudo que eu desejo é um dia conseguir sair daqui e cuidar de meus pais...
Peter ainda tentou contra argumentar... mas a obstinação do garoto era tamanha que Peter, mesmo desolado, partiu com sua amiga rumo ao céu de onde tinha vindo, com o garoto acompanhando-o até este sumir no infinito. E agora, Peter tentava entender porque o garoto se recusara a acompanhá-lo para o mundo dos sonhos. Sininho compreendia... a muito que sonhos não faziam parte da vida daquele garoto... 

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