A TAÇA DE CRISTAL - Capítulo Cinco
A TAÇA DE CRISTAL
Capítulo Cinco
O
relógio marcava pouco mais de três horas da madrugada quando o ônibus
finalmente encostou na plataforma de desembarque… Cecília estava meio sonolenta
e demorou um pouquinho para processar onde se encontrava. Não sabia onde
poderia ir, uma vez que não conhecia a cidade e, é obvio, tudo estava fechado
devido ao horário. O mais sensato seria ficar no próprio terminal e esperar
amanhecer, quando então decidiria o que fazer. Agora, que chegara na cidade, já
não achava sua idéia de fugir para longe tão boa assim. Tudo bem, ninguém
conseguiria encontrá-la, principalmente Ricardo… isso, se ele realmente
quisesse conversar com ela, do que Cecília tinha sérias dúvidas. Afinal, se ele
realmente se importasse, não a teria traído nem brigado por outra pessoa… mas
isso eram águas passadas, o que realmente importava agora era o que ela iria
fazer… bem, tinha que pensar em algo…
Uma
coisa ela sabia que tinha que fazer logo pela manhã… ligar para o seu gerente e
explicar sua posição. Afinal, o mínimo que se poderia esperar dela, naquela
altura do campeonato, era que entregasse seu pedido de demissão, para que
pudessem substituí-la…
Pegou
suas malas e sentou-se em um dos bancos espalhados pela rodoviária. Olhou seu
relógio, já eram quase quatro horas da manhã. Mais um pouquinho e o dia
amanheceria. Felizmente estava no verão, quando o sol costuma despontar mais
cedo no horizonte. A brisa fria da madrugada começou a soprar… bom, fria para
os padrões da cidade, é claro. Por ser madrugada ainda, o termômetro acusava
uma temperatura entre 20 a 23ºC. Estava uma madrugada gostosa. A possibilidade
de chegar a uns 30ºC dali a algumas horas era real. Bem, já que estava com o
celular ligado mesmo, Cecília resolveu explorar os entornos da cidade. E foi
então que descobriu que ali bem perto havia um restaurante, que também era um
bar e pizzaria, que se encontrava aberto naquele horário. Sem pensar duas
vêzes, dirigiu-se para lá. Bem, não era tão perto quanto parecia a princípio,
mas não dava para ser muito exigente, naquele horário. Depois de alguns minutos
de caminhada chegou finalmente ao local.
Dirigiu-se
à recepção, perguntou se poderia registrar-se, pois acabara de chegar de viagem
e não tinha nenhum lugar para ficar até aquele momento. O recepcionista deu uma
olhada nos registros, confirmou que haviam alguns quartos vagos e fez o
check-in de Cecília. Dali a alguns minutos ela já estava confortavelmente
instalada em um quarto. A diária não era cara, mas ela não poderia permanecer
por muito tempo ali.
Teria
que tomar algumas decisões em sua vida e depois partir para a luta. De uma
coisa ela tinha certeza… queria distancia de Ricardo.
Depois
de algumas horas de descanso, com a cabeça fria, finalmente resolveu tomar
algumas providências, que se faziam necessárias. A primeira delas foi ligar
para seu chefe. Sem entrar em muitos detalhes explicou que estava fora da
cidade, não tinha pretensão de voltar tão cedo e que por isso estava
solicitando seu desligamento da empresa. Ele até que tentou argumentar, mas ao
ver que sua subordinada estava irredutível, limitou-se a pedir que esta
enviasse um pedido de demissão formal eletronicamente para a empresa, para que
os trâmites pudessem se cumprir. Bem, um problema a menos para resolver, pensou
ela após desligar seu celular. Agora teria que decidir o que faria da vida.
Permanecer no hotel por muito tempo estava fora de cogitação, assim como
permanecer desempregada. Decidido isso, resolveu dar uma caminhada pelo centro
da cidade, para ver se havia alguma possibilidade de conseguir uma colocação o
mais rápido possível… aproveitou, também, para ver se encontrava alguma casa
para alugar, na hipótese de resolver criar raízes por ali. E saiu a perambular
sem destino, procurando algo que não tinha a menor ideia do que seria.
Já
era bem tarde quando ela retornou ao hotel. Não estava cansada, pois limitou-se
a conhecer os arredores sem se preocupar com qualquer coisa além do básico para
o momento. Havia encontrado uma casinha que lhe serviria como uma luva. Era
apenas um quarto e cozinha, mas ela não precisava de mais do que isso para o
momento. E quanto ao emprego, teve uma conversa promissora com o gerente da
loja de móveis próxima a Paróquia São José…

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