DO CAMPO PARA A CIDADE...
De que me adianta viver na cidade
Se a felicidade não me acompanhar?
Adeus, paulistinha do meu coração
Lá pro meu sertão eu quero voltar
Ver a madrugada, quando a passarada
Fazendo a alvorada, começa a cantar
Com satisfação, arreio o burrão
Cortando estradão, saio a galopar
E vou escutando o gado berrando
Sabiá cantando no jequitibá...
(Belmonte/ Goiá)
Essa canção, da década de sessenta, mostra o espírito do caboclo na transição do campo para a cidade. Era quando o homem do campo deixava sua terra natal e seguia rumo à modernidade... e o choque cultural era tamanho que não raro a pessoa não conseguia se acostumar com a nova vida. Acostumado a colher frutos dos vários pomares espalhados pela roça, ter à sua mesa peixe recém pescado, verduras fresquinhas para suas refeições não era fácil a adaptação às "comodidades da vida moderna" que, para este, de cômodo nada tinha...
Estamos falando de uma época em que o antigo estava, aos poucos, se transformando. As grandes fazendas iam se tornando empreendimentos imobiliários, onde grandes industrias começaram a mudar a paisagem do interior. Claro que essa transição era lenta. O caboclo sentia primeiro na sua rotina. De repente o patrão simplesmente não precisava mais dos serviços de seus colonos. Sim, era assim que o trabalhador rural era chamado. E esse colono, aos poucos, era desalojado de sua casinha e, sem recursos, acabava se mudando com a família para outros pagos, onde as chances de conseguir trabalho pareciam reais...
Temos que nos lembrar que era uma época em que o analfabetismo era regra e não exceção. Embora no campo houvessem algumas escolas, até pela rotina de trabalho do colono, as crianças acabavam por não ter sua formação acadêmica como deveriam... afinal, seus braços eram necessários para reforçar a renda familiar. Cada centavo que entrava contava, e muito, para aliviar as despesas da casa...
Fogão de lenha, casa de pau a pique... até haviam algumas casas de alvenaria, mas era exceção, não regra... no lugar de camas, esteiras, muitas vezes feitas pelas próprias mãos, com a taboa colhida de algum recanto. Não muito longe, o barulho das águas a correr... se fosse uma fazenda de plantação de arroz, quadras e mais quadras alagadas, onde os colonos trabalhavam com afinco, a fim de, ao chegar a época da colheita, ter um produto bom e nutritivo...
Normalmente o fazendeiro cedia um espaço para seus colonos para fazerem uma horta de subsistência. E nessas hortas plantava-se mandioca, batatas, milho, verduras em geral. Também era comum ter algumas galinhas que, de vez em quando, reforçavam o cardápio...
Normalmente havia um pomar, e os colonos acabavam por servir-se das frutas ali produzidas. Por não ser em escala comercial e sim para consumo de todos, ninguém era proibido de aproveitar aquilo que a terra fornecia. Claro, desde que não houvesse abusos...
As relações entre as pessoas eram próximas. Afinal, todos se conheciam e compartilhavam o mesmo destino. As mulheres iam juntas buscar a lenha que proporcionaria o fogo necessário para a cozinha, os homens se embrenhavam na mata para conseguirem alguma caça que reforçasse o cardápio da semana... havia um espírito de camaradagem entre todos, como uma grande família. E, quando chegavam na Cidade Grande, que é como chamavam os centros urbanos, o choque cultural era enorme. Não existia aquela cumplicidade que até então fizer parte de suas vidas...
Acostumados a ter o horizonte sempre a vista, agora paredes de alvenaria tolhiam sua visão. Não mais tinham o rio caudaloso a poucos passos de sua morada, e peixe tinham que comprar de algum charreteiro que passasse por perto... as fábricas, onde os homens conseguiam suas colocações, simplesmente fechavam as portas e estes ficavam sem ver a luz do sol ou os pingos da chuva durante dez, doze horas, que era sua jornada de trabalho. Após um dia estafante, se reuniam em algum bar e, entre um gole de cachaça e outro, relembravam com saudades a vida que levavam a até algum tempo atrás...
Os mais novos seguiam em frente, mas aqueles com mais idade não conseguiam se acostumar com a nova rotina e acabam retornando às suas origens. Que também já se haviam modificado. E a saudade de um tempo que estava se esvaindo era seu único consolo, ao perceber que as verdes campinas iam pouco a pouco desaparecendo, as matas se encolhiam, o gado era deslocado para outras regiões...
Sim, o progresso tem um preço. E nem todos conseguem pagar tal tributo sem sofrer. Afinal, as doces lembranças de nossa infância e juventude são o alento que nos permitem continuar nossa jornada. E nossos pais, nossos avós, sofreram muito com a mudança do mundo que conheciam. Como consolo, apenas a poesia do homem do campo, recordando os bons tempos que vivia em sua querência, apreciando as estrelas e a lua prateada, ouvindo ao longe o lamento triste da coruja...
Tania Miranda - Brasil - 13/01/2026
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FROM THE COUNTRYSIDE TO THE CITY...
What good is it to live in the city
If happiness doesn't accompany me?
Goodbye, little Paulista girl of my heart
I want to return to my backlands
To see the dawn, when the birds
Begin to sing, making the sunrise
With satisfaction, I saddle the donkey
Cutting through the wide road, I set off at a gallop
And I listen to the cattle bellowing
The sabiá singing in the jequitibá tree...
(Belmonte/ Goiá)
This song, from the sixties, shows the spirit of the countryman in the transition from the countryside to the city. It was when the man from the countryside left his homeland and headed towards modernity... and the cultural shock was so great that it was not uncommon for the person to not be able to get used to the new life. Accustomed to harvesting fruit from the various orchards scattered across the countryside, having freshly caught fish and fresh vegetables on his table, adapting to the "comforts of modern life," which, for him, were anything but comfortable, was not easy...
We are talking about a time when the old was gradually transforming. The large farms were becoming real estate developments, where large industries began to change the landscape of the interior. Of course, this transition was slow. The countryman felt it first in his routine. Suddenly, the boss simply no longer needed the services of his farmhands. Yes, that's what rural workers were called. And this farmhand was gradually evicted from his little house and, without resources, ended up moving with his family to other places where the chances of finding work seemed real...
We must remember that this was a time when illiteracy was the rule, not the exception. Although there were some schools in the countryside, due to the settlers' work routine, the children often didn't receive the academic education they deserved... after all, their labor was needed to supplement the family income. Every penny earned counted, and very much so, to alleviate household expenses...
Wood-burning stoves, wattle-and-daub houses... there were even some brick houses, but they were the exception, not the rule... instead of beds, mats, often made by hand from reeds gathered from some corner. Not far away, the sound of running water... if it was a rice plantation, plots and more plots flooded, where the settlers worked diligently so that, when harvest time arrived, they would have a good and nutritious product...
Normally, the farmer would give his settlers a space to create a subsistence garden. And in these gardens, they planted cassava, potatoes, corn, and vegetables in general. It was also common to have some chickens that, from time to time, supplemented the diet...
There was usually an orchard, and the settlers ended up helping themselves to the fruits produced there. Since it wasn't on a commercial scale but rather for everyone's consumption, no one was forbidden from enjoying what the land provided. Of course, as long as there were no abuses...
The relationships between people were close. After all, everyone knew each other and shared the same destiny. The women went together to gather firewood to provide the necessary fire for the kitchen, the men ventured into the woods to hunt game to supplement the week's diet... there was a spirit of camaraderie among everyone, like a large family. And, when they arrived in the Big City, as they called the urban centers, the culture shock was enormous. That camaraderie that had been part of their lives until then no longer existed...
Accustomed to always having the horizon in sight, now brick walls obscured their view. They no longer had the mighty river just steps from their homes, and they had to buy fish from some passing cart driver... the factories, where men had found work, simply closed their doors, leaving them without seeing the sunlight or a drop of rain for ten, twelve hours, their workday. After a tiring day, they would gather in some bar and, between sips of cachaça, fondly remember the life they had led until some time ago...
The younger ones moved on, but the older ones couldn't adjust to the new routine and ended up returning to their origins. Which had also changed. And the longing for a time that was fading away was their only consolation, as they realized that the green plains were gradually disappearing, the forests were shrinking, the cattle were being moved to other regions...
Yes, progress has a price. And not everyone can pay that tribute without suffering. Ultimately, the sweet memories of our childhood and youth are the solace that allows us to continue our journey. And our parents, our grandparents, suffered greatly from the changes in the world they knew. As consolation, only the poetry of the countryman, recalling the good times he lived in his homeland, appreciating the stars and the silvery moon, listening in the distance to the sad lament of the owl...
Tania Miranda - Brazil - 01/13/2026
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DEL CAMPO A LA CIUDAD...
¿De qué sirve vivir en la ciudad
si la felicidad no me acompaña?
Adiós, pequeña paulista de mi corazón
Quiero volver a mi tierra
Para ver el amanecer, cuando los pájaros
Comienzan a cantar, creando el amanecer
Con satisfacción, ensillo el burro
Abriéndome paso por el camino ancho, salgo al galope
Y escucho al ganado mugir
El sabiá cantando en el jequitibá...
(Belmonte/Goiá)
Esta canción, de los años sesenta, muestra el espíritu del campesino en la transición del campo a la ciudad. Fue cuando el hombre del campo dejó su tierra natal y se dirigió hacia la modernidad... y el choque cultural fue tan grande que no era raro que la persona no pudiera acostumbrarse a la nueva vida. Acostumbrado a cosechar fruta de los diversos huertos dispersos por el campo, con pescado recién capturado y verduras frescas en la mesa, adaptarse a las "comodidades de la vida moderna", que para él eran todo menos cómodas, no fue fácil...
Hablamos de una época en la que lo antiguo se transformaba gradualmente. Las grandes fincas se convertían en desarrollos inmobiliarios, donde las grandes industrias comenzaban a cambiar el paisaje del interior. Por supuesto, esta transición fue lenta. El campesino lo sintió primero en su rutina. De repente, el patrón simplemente ya no necesitaba los servicios de sus peones. Sí, así se llamaba a los trabajadores rurales. Y este peón fue desalojado gradualmente de su pequeña casa y, sin recursos, terminó mudándose con su familia a otros lugares donde las posibilidades de encontrar trabajo parecían reales...
Debemos recordar que esta era una época en la que el analfabetismo era la regla, no la excepción. Aunque había algunas escuelas en el campo, debido a la rutina laboral de los colonos, los niños a menudo no recibían la educación académica que merecían... después de todo, su trabajo era necesario para complementar los ingresos familiares. Cada centavo ganado contaba, y mucho, para aliviar los gastos del hogar...
Estufas de leña, casas de adobe... incluso había algunas casas de ladrillo, pero eran la excepción, no la regla... en lugar de camas, esteras, a menudo hechas a mano con juncos recogidos en algún rincón. No muy lejos, el sonido del agua corriendo... si se trataba de una plantación de arroz, se inundaban parcelas y más parcelas, donde los colonos trabajaban con ahínco para que, al llegar la cosecha, tuvieran un producto bueno y nutritivo...
Normalmente, el agricultor les daba a sus colonos un espacio para crear un huerto de subsistencia. Y en estos huertos, plantaban yuca, papas, maíz y hortalizas en general. También era común tener gallinas que, de vez en cuando, complementaban la dieta...
Solía haber un huerto, y los colonos terminaban aprovechando los frutos que allí se producían. Como no era a escala comercial, sino para el consumo de todos, a nadie se le prohibía disfrutar de lo que la tierra ofrecía. Claro, siempre y cuando no hubiera abusos...
Las relaciones entre las personas eran estrechas. Al fin y al cabo, todos se conocían y compartían el mismo destino. Las mujeres iban juntas a buscar leña para el fuego necesario en la cocina, los hombres se aventuraban en el bosque a cazar para complementar la dieta semanal... había un espíritu de camaradería entre todos, como una gran familia. Y, al llegar a la Gran Ciudad, como llamaban a los centros urbanos, el choque cultural fue enorme. Esa camaradería que había formado parte de sus vidas hasta entonces ya no existía...
Acostumbrados a tener siempre el horizonte a la vista, ahora los muros de ladrillo les impedían la vista. Ya no tenían el caudaloso río a pocos pasos de sus casas, y tenían que comprar pescado a algún carretero que pasara... las fábricas, donde los hombres habían encontrado trabajo, simplemente cerraban sus puertas, dejándolos sin ver la luz del sol ni una gota de lluvia durante diez, doce horas, su jornada laboral. Tras un día agotador, se reunían en algún bar y, entre sorbos de cachaza, recordaban con cariño la vida que habían llevado hasta hacía un tiempo...
Los más jóvenes siguieron adelante, pero los mayores no se adaptaron a la nueva rutina y terminaron volviendo a sus orígenes. Que también habían cambiado. Y la añoranza de un tiempo que se desvanecía era su único consuelo, al darse cuenta de que las verdes llanuras desaparecían poco a poco, los bosques menguaban, el ganado se trasladaba a otras regiones...
Sí, el progreso tiene un precio. Y no todos pueden pagar ese tributo sin sufrir. En definitiva, los dulces recuerdos de nuestra infancia y juventud son el consuelo que nos permite continuar nuestro viaje. Y nuestros padres, nuestros abuelos, sufrieron mucho por los cambios en el mundo que conocieron. Como consuelo, solo la poesía del campesino, recordando los buenos tiempos vividos en su tierra natal, apreciando las estrellas y la luna plateada, escuchando a lo lejos el triste lamento del búho...
Tania Miranda - Brasil - 13/01/2026
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MAASEUDULTA KAUPUNKIIN...
Mitä hyötyä on asua kaupungissa
Jos onnellisuus ei seuraa minua?
Näkemiin, sydämeni pieni paulilainen tyttö
Haluan palata takamailleni
Nähdäkseni aamunkoiton, jolloin linnut
Alkavat laulaa, auringonnousua tehden
Tyytyväisenä satuloin aasin
Leikkasin leveän tien läpi ja lähdin laukkaan
Ja kuuntelin karjan karjuntaa
Sabiá-laulua jequitibá-puussa...
(Belmonte/ Goiá)
Tämä 60-luvulta peräisin oleva laulu kuvaa maaseudun miehen henkeä siirtyessään maaseudulta kaupunkiin. Se tapahtui, kun maaseudulta kotoisin oleva mies jätti kotimaansa ja suuntasi kohti modernia aikaa... ja kulttuurishokki oli niin suuri, ettei ollut harvinaista, ettei ihminen kyennyt tottumaan uuteen elämään. Tottuminen hedelmien korjaamiseen maaseudulla sijaitsevista eri hedelmätarhoista, tuoreen kalan ja tuoreiden vihannesten nauttiminen pöydällään, sopeutuminen "nykyaikaisen elämän mukavuuksiin", jotka hänelle olivat kaikkea muuta kuin mukavia, ei ollut helppoa...
Puhumme ajasta, jolloin vanha muuttui vähitellen. Suurista maatiloista oli tulossa kiinteistökehityshankkeita, joissa suuret teollisuusyritykset alkoivat muuttaa sisämaan maisemaa. Tämä muutos oli tietenkin hidas. Maalaismies tunsi sen ensin rutiineissaan. Yhtäkkiä pomo ei enää yksinkertaisesti tarvinnut maatyöläistensä palveluksia. Kyllä, niin maaseudun työntekijöitä kutsuttiin. Ja tämä maatyöläinen häädettiin vähitellen pienestä talostaan, ja ilman resursseja hän päätyi muuttamaan perheensä kanssa muihin paikkoihin, joissa mahdollisuudet löytää työtä tuntuivat todellisilta...
Meidän on muistettava, että tämä oli aika, jolloin lukutaidottomuus oli sääntö, ei poikkeus. Vaikka maaseudulla oli joitakin kouluja, uudisasukkaiden työrutiinin vuoksi lapset eivät usein saaneet ansaitsemaansa akateemista koulutusta... loppujen lopuksi heidän työvoimaansa tarvittiin perheen tulojen täydentämiseksi. Jokainen ansaittu penni oli tärkeä, ja todellakin tärkeä, kotitalouskulujen helpottamiseksi...
Puulämmitteiset uunit, punotut talot... oli jopa joitakin tiilitaloja, mutta ne olivat poikkeus, eivät sääntö... sänkyjen sijaan matot, usein käsin tehdyt jostain nurkasta kerätyistä ruo'oista. Ei kaukana kuului juoksevan veden ääni... jos kyseessä oli riisiplantaasi, tontteja ja lisää tulvi, missä uudisasukkaat työskentelivät ahkerasti, jotta sadonkorjuuaikana heillä olisi hyvä ja ravitseva sato...
Yleensä maanviljelijä antoi uudisasukkailleen tilaa luoda omavaraistalopuutarha. Ja näihin puutarhoihin he istuttivat maniokkia, perunoita, maissia ja yleensä vihanneksia. Oli myös yleistä pitää kanoja, jotka aika ajoin täydensivät ruokavaliota...
Tarjolla oli yleensä hedelmätarha, ja uudisasukkaat päätyivät nauttimaan siellä tuotetuista hedelmistä. Koska se ei ollut kaupallisessa mittakaavassa, vaan pikemminkin kaikkien kulutukseen, ketään ei kielletty nauttimasta siitä, mitä maa tarjosi. Tietenkin, kunhan ei ollut väärinkäytöksiä...
Ihmisten väliset suhteet olivat läheiset. Loppujen lopuksi kaikki tunsivat toisensa ja jakoivat saman kohtalon. Naiset keräsivät yhdessä polttopuita keittiön tulen aikaansaamiseksi, miehet uskaltautuivat metsään metsästämään riistaa täydentääkseen viikon ruokavaliota... kaikkien keskuudessa leijui toveruuden henki, kuin suuressa perheessä. Ja kun he saapuivat suurkaupunkiin, kuten he kutsuivat kaupunkikeskuksia, kulttuurishokki oli valtava. Tuo toveruus, joka oli ollut osa heidän elämäänsä siihen asti, ei enää ollut olemassa...
Tottuneena siihen, että horisontti oli aina näkyvissä, tiiliseinät peittivät nyt heidän näkymänsä. Heillä ei enää ollut mahtavaa jokea vain muutaman askeleen päässä kodeistaan, ja heidän oli ostettava kalaa joltain ohikulkevalta kärrykuskilta... tehtaat, joissa miehet olivat löytäneet työtä, sulkivat ovensa, jättäen heidät näkemättä auringonvaloa tai pisaraakaan sadetta kymmeneksi, kahdeksitoista tunniksi, heidän työpäiväkseen. Väsyttävän päivän jälkeen he kokoontuivat johonkin baariin ja cachaça-kulaisujen lomassa muistelivat lämmöllä elämäänsä, jota he olivat eläneet vielä jonkin aikaa sitten...
Nuoremmat jatkoivat matkaa, mutta vanhemmat eivät kyenneet sopeutumaan uuteen rutiiniin ja palasivat lopulta juurilleen. Nekin olivat muuttuneet. Ja kaipaus hiipuvaan aikaan oli heidän ainoa lohdutus, kun he ymmärsivät, että vihreät tasangot katosivat vähitellen, metsät kutistuivat, karjaa siirrettiin muille alueille...
Kyllä, edistyksellä on hintansa. Eivätkä kaikki voi osoittaa tätä kunnianosoitusta kärsimättä. Pohjimmiltaan lapsuutemme ja nuoruutemme suloiset muistot ovat lohtu, joka antaa meille mahdollisuuden jatkaa matkaamme. Ja vanhempamme, isovanhempamme, kärsivät suuresti muutoksista maailmassa, jonka he tunsivat. Lohdutuksena vain maalaisen runous, muistelu hyvistä ajoista, joita hän eli kotimaassaan, tähtien ja hopeisen kuun ihailu, pöllön surullisen valituksen kuuntelu kaukaisuudessa...
Tania Miranda - Brasilia - 13.1.2026
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DALLA CAMPAGNA ALLA CITTÀ...
A cosa serve vivere in città?
Se la felicità non mi accompagna?
Addio, piccola paulista del mio cuore.
Voglio tornare nel mio entroterra.
Vedere l'alba, quando gli uccelli
Iniziano a cantare, creando il sorgere del sole.
Con soddisfazione, sellai l'asino.
Tagliando la strada larga, partii al galoppo.
E ascolto il muggito del bestiame.
Il canto della sabiá sull'albero di jequitibá...
(Belmonte/ Goiá)
Questa canzone, degli anni Sessanta, mostra lo spirito del contadino nel passaggio dalla campagna alla città. Fu quando l'uomo di campagna lasciò la sua terra natale e si diresse verso la modernità... e lo shock culturale fu così grande che non era raro che la persona non riuscisse ad abituarsi alla nuova vita. Abituato a raccogliere frutta dai vari frutteti sparsi per la campagna, ad avere pesce appena pescato e verdure fresche sulla sua tavola, adattarsi alle "comodità della vita moderna", che per lui erano tutt'altro che comode, non era facile...
Stiamo parlando di un'epoca in cui il vecchio si stava gradualmente trasformando. Le grandi fattorie si stavano trasformando in complessi immobiliari, dove le grandi industrie iniziavano a modificare il paesaggio dell'entroterra. Certo, questa transizione fu lenta. Il contadino la percepì per prima nella sua routine. Improvvisamente, il padrone semplicemente non aveva più bisogno dei servizi dei suoi braccianti. Sì, così venivano chiamati i braccianti rurali. E questo bracciante fu gradualmente sfrattato dalla sua piccola casa e, senza risorse, finì per trasferirsi con la famiglia in altri luoghi dove le possibilità di trovare lavoro sembravano concrete...
Dobbiamo ricordare che quello era un periodo in cui l'analfabetismo era la regola, non l'eccezione. Sebbene ci fossero alcune scuole in campagna, a causa della routine lavorativa dei coloni, i bambini spesso non ricevevano l'istruzione accademica che meritavano... dopotutto, il loro lavoro era necessario per integrare il reddito familiare. Ogni centesimo guadagnato contava, e molto, per alleviare le spese domestiche...
Stufe a legna, case di canne e argilla... c'erano persino alcune case in mattoni, ma erano l'eccezione, non la regola... al posto dei letti, stuoie, spesso fatte a mano con canne raccolte in qualche angolo. Non lontano, il rumore dell'acqua che scorreva... se si trattava di una piantagione di riso, appezzamenti e ancora appezzamenti si allagavano, dove i coloni lavoravano diligentemente affinché, al momento del raccolto, avessero un prodotto buono e nutriente...
Normalmente, il contadino concedeva ai suoi coloni uno spazio per creare un orto di sussistenza. E in questi orti piantavano manioca, patate, mais e ortaggi in generale. Era comune anche avere qualche gallina che, di tanto in tanto, integrava la dieta...
Di solito c'era un frutteto, e i coloni finivano per servirsi dei frutti che vi si producevano. Poiché non si trattava di un'attività commerciale, ma di un consumo collettivo, a nessuno era proibito godere di ciò che la terra offriva. Certo, purché non ci fossero abusi...
I rapporti tra le persone erano stretti. Dopotutto, tutti si conoscevano e condividevano lo stesso destino. Le donne andavano insieme a raccogliere legna per alimentare la cucina, gli uomini si avventuravano nei boschi a cacciare selvaggina per integrare la dieta settimanale... c'era uno spirito di cameratismo tra tutti, come in una grande famiglia. E, quando arrivarono nella Grande Città, come chiamavano i centri urbani, lo shock culturale fu enorme. Quel cameratismo che aveva fatto parte delle loro vite fino ad allora non esisteva più...
Abituati ad avere sempre l'orizzonte in vista, ora i muri di mattoni oscuravano la loro vista. Non avevano più il possente fiume a pochi passi da casa, e dovevano comprare il pesce da qualche carrettiere di passaggio... le fabbriche, dove gli uomini avevano trovato lavoro, semplicemente chiudevano i battenti, lasciandoli senza vedere la luce del sole o una goccia di pioggia per dieci, dodici ore, la loro giornata lavorativa. Dopo una giornata faticosa, si riunivano in qualche bar e, tra un sorso e l'altro di cachaça, ricordavano con affetto la vita che avevano condotto fino a qualche tempo prima...
I più giovani se ne andarono, ma i più anziani non riuscirono ad adattarsi alla nuova routine e finirono per tornare alle origini. Che erano cambiate anch'esse. E la nostalgia di un tempo che stava svanendo era la loro unica consolazione, mentre si rendevano conto che le verdi pianure stavano gradualmente scomparendo, le foreste si stavano riducendo, il bestiame veniva spostato in altre regioni...
Sì, il progresso ha un prezzo. E non tutti possono pagare questo tributo senza soffrire. In definitiva, i dolci ricordi della nostra infanzia e giovinezza sono il conforto che ci permette di continuare il nostro viaggio. E i nostri genitori, i nostri nonni, hanno sofferto molto per i cambiamenti del mondo che conoscevano. Come consolazione, solo la poesia del contadino, che ricorda i bei tempi vissuti nella sua terra natale, ammirando le stelle e la luna argentata, ascoltando in lontananza il triste lamento del gufo...
Tania Miranda - Brasile - 13/01/2026
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DE LA CAMPAGNE À LA VILLE…
À quoi bon vivre en ville
Si le bonheur ne m’accompagne pas ?
Adieu, petite Paulista de mon cœur
Je veux retourner à la campagne
Pour voir l’aube, quand les oiseaux
Commencent à chanter, annonçant le lever du soleil
Avec satisfaction, je selle l’âne
Fendant la large route, je m’élance au galop
Et j’écoute le mugissement des bœufs
Le chant du sabiá dans le jequitibá…
(Belmonte/Goiá)
Cette chanson, des années soixante, illustre l’esprit du paysan lors de sa transition de la campagne à la ville. C’était l’époque où l’homme de la campagne quittait sa terre natale pour se tourner vers la modernité… et le choc culturel était si violent qu’il n’était pas rare d’avoir du mal à s’adapter à cette nouvelle vie. Habitué à récolter les fruits des vergers disséminés dans la campagne, à déguster du poisson fraîchement pêché et des légumes frais, s'adapter au « confort de la vie moderne », qui, pour lui, était tout sauf confortable, ne fut pas chose aisée…
Nous parlons d'une époque où le monde ancien se transformait peu à peu. Les grandes exploitations agricoles laissaient place à des lotissements, où les grandes industries commençaient à modifier le paysage de l'intérieur des terres. Bien sûr, cette transition fut lente. Le paysan la ressentit d'abord dans son quotidien. Soudain, le patron n'avait plus besoin des services de ses ouvriers agricoles. Oui, c'est ainsi qu'on appelait les travailleurs ruraux. Et cet ouvrier agricole fut peu à peu expulsé de sa petite maison et, sans ressources, finit par déménager avec sa famille vers d'autres endroits où les chances de trouver du travail semblaient réelles…
Il faut se rappeler qu'à cette époque, l'illettrisme était la règle, et non l'exception. Bien qu'il existât quelques écoles à la campagne, en raison du rythme de travail effréné des colons, les enfants ne recevaient souvent pas l'instruction qu'ils méritaient… après tout, leur travail était indispensable pour compléter les revenus de la famille. Chaque sou gagné comptait, et ce, d'autant plus pour alléger les dépenses du ménage…
Poêles à bois, maisons en torchis… il y avait bien quelques maisons en briques, mais elles étaient l'exception, pas la règle… Au lieu de lits, des nattes, souvent faites à la main avec des roseaux ramassés au détour d'une rue. Non loin de là, le bruit de l'eau qui coulait… S'il s'agissait d'une rizière, des parcelles et encore des parcelles étaient inondées, où les colons travaillaient avec diligence pour qu'à la récolte, ils aient une production abondante et nutritive…
Normalement, le fermier donnait à ses colons un espace pour créer un potager. Dans ces potagers, ils cultivaient du manioc, des pommes de terre, du maïs et divers légumes. Il était aussi courant d'avoir quelques poules qui, de temps à autre, complétaient leur alimentation…
Il y avait généralement un verger, et les colons se servaient des fruits qui y poussaient. Comme il ne s'agissait pas d'une production commerciale mais d'une consommation collective, personne n'était interdit de profiter des ressources de la terre. Du moins, tant qu'il n'y avait pas d'abus…
Les liens entre les gens étaient étroits. Après tout, tout le monde se connaissait et partageait le même destin. Les femmes allaient ensemble ramasser du bois pour alimenter la cuisine, les hommes s'aventuraient dans les bois pour chasser et compléter leur alimentation… Un esprit de camaraderie régnait entre tous, comme dans une grande famille. Et, lorsqu'ils arrivèrent dans la Grande Ville, comme ils appelaient les centres urbains, le choc culturel fut immense. Cette camaraderie qui avait fait partie intégrante de leur vie jusque-là avait disparu…
Habitués à avoir toujours l'horizon à perte de vue, ils se retrouvaient face à des murs de briques qui leur masquaient la vue. Le fleuve majestueux n'était plus à deux pas de chez eux, et ils devaient acheter leur poisson à un charretier de passage… Les usines, où les hommes avaient trouvé du travail, fermaient leurs portes, les privant de la lumière du jour et de la pluie pendant dix ou douze heures, le temps de leur journée de travail. Après une journée épuisante, ils se retrouvaient dans un bar et, entre deux gorgées de cachaça, évoquaient avec nostalgie la vie qu'ils avaient menée jusqu'alors…
Les plus jeunes ont continué leur chemin, mais les plus âgés, incapables de s'adapter à la nouvelle routine, sont finalement retournés à leurs origines. Celles-ci avaient elles aussi changé. Et la nostalgie d'une époque révolue était leur seul réconfort, tandis qu'ils constataient la disparition progressive des plaines verdoyantes, le recul des forêts, la migration des troupeaux vers d'autres régions…
Oui, le progrès a un prix. Et tous ne peuvent s'en acquitter sans souffrir. Finalement, les doux souvenirs de notre enfance et de notre jeunesse sont le réconfort qui nous permet de poursuivre notre route. Et nos parents, nos grands-parents, ont beaucoup souffert des bouleversements du monde qu'ils ont connu. Pour seule consolation, la poésie du paysan, évoquant les beaux jours de sa patrie, contemplant les étoiles et la lune argentée, écoutant au loin le triste hululement du hibou…
Tania Miranda - Brésil - 13/01/2026
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VOM LAND IN DIE STADT...
Was nützt es, in der Stadt zu leben,
wenn mich das Glück nicht begleitet?
Leb wohl, kleines Paulista-Mädchen meines Herzens,
ich will zurück in meine Heimat,
um den Sonnenaufgang zu erleben,
wenn die Vögel zu singen beginnen und die Sonne aufgehen lassen.
Zufrieden sattel ich den Esel.
Ich eile über die breite Straße und galoppiere los.
Und ich lausche dem Brüllen der Rinder,
dem Gesang der Sabiá im Jequitibá-Baum...
(Belmonte/Goiá)
Dieses Lied aus den Sechzigerjahren beschreibt den Geist des Landbewohners beim Übergang vom Land in die Stadt. Es war die Zeit, als der Mann vom Land seine Heimat verließ und sich der Moderne zuwandte... und der Kulturschock war so groß, dass es nicht ungewöhnlich war, dass er sich nicht an das neue Leben gewöhnen konnte. Gewohnt, Obst von den zahlreichen Obstgärten der umliegenden Landschaft zu ernten und fangfrischen Fisch und frisches Gemüse auf dem Tisch zu haben, fiel es ihm schwer, sich an die „Annehmlichkeiten des modernen Lebens“ anzupassen, die für ihn alles andere als komfortabel waren.
Wir sprechen von einer Zeit, in der sich das Alte allmählich wandelte. Aus den großen Bauernhöfen wurden Wohnsiedlungen, und große Industrieanlagen begannen, das Hinterland zu verändern. Dieser Wandel vollzog sich natürlich langsam. Der Landbewohner spürte ihn zuerst in seinem Alltag. Plötzlich brauchte der Gutsherr die Dienste seiner Landarbeiter nicht mehr. Ja, so nannte man die Landarbeiter damals. Und dieser Landarbeiter wurde nach und nach aus seinem kleinen Haus vertrieben und zog mittellos mit seiner Familie in andere Gegenden, wo die Chancen auf Arbeit realistisch erschienen.
Man darf nicht vergessen, dass Analphabetismus damals die Regel und nicht die Ausnahme war. Obwohl es auf dem Land einige Schulen gab, erhielten die Kinder aufgrund der Arbeitsbedingungen der Siedler oft nicht die ihnen zustehende Bildung. Schließlich war ihre Arbeit notwendig, um das Familieneinkommen aufzubessern. Jeder verdiente Cent zählte, um die Haushaltskosten zu decken.
Holzöfen, Lehmhütten – es gab zwar auch einige Ziegelhäuser, aber diese waren die Ausnahme. Statt Betten schliefen die Menschen auf Matten, die oft aus Schilf gefertigt waren, das sie irgendwo gesammelt hatten. Nicht weit entfernt war das Rauschen von fließendem Wasser zu hören. Wenn es sich um eine Reisplantage handelte, wurden unzählige Felder überflutet, auf denen die Siedler fleißig arbeiteten, um zur Erntezeit eine gute und nahrhafte Ernte einfahren zu können.
Normalerweise überließ der Bauer seinen Siedlern ein Stück Land, um einen Selbstversorgergarten anzulegen. In diesen Gärten bauten sie Maniok, Kartoffeln, Mais und allgemein Gemüse an. Es war auch üblich, Hühner zu halten, die gelegentlich den Speiseplan ergänzten.
Meistens gab es einen Obstgarten, und die Siedler bedienten sich nach Belieben an den Früchten. Da der Anbau nicht kommerziell, sondern für den Eigenbedarf bestimmt war, durfte sich jeder an den Gaben des Landes bedienen. Natürlich solange es nicht zu Missbrauch kam.
Die Beziehungen zwischen den Menschen waren eng. Schließlich kannte jeder jeden und teilte dasselbe Schicksal. Die Frauen sammelten gemeinsam Brennholz für die Küche, die Männer gingen in die Wälder, um Wild für die Woche zu jagen. Es herrschte ein starker Zusammenhalt, wie in einer großen Familie. Doch als sie in der Großstadt ankamen, wie sie die urbanen Zentren nannten, war der Kulturschock enorm. Die Kameradschaft, die bis dahin ihr Leben geprägt hatte, existierte nicht mehr.
Wo sie es gewohnt waren, stets den Horizont vor Augen zu haben, versperrten ihnen nun Backsteinmauern die Sicht. Der mächtige Fluss, der nur wenige Schritte von ihren Häusern entfernt floss, war verschwunden, und sie mussten Fisch von vorbeifahrenden Karrenfahrern kaufen. Die Fabriken, in denen die Männer Arbeit gefunden hatten, schlossen einfach ihre Tore und ließen sie zehn, zwölf Stunden lang, während ihres Arbeitstages, ohne Sonnenlicht und Regentropfen zurück. Nach einem anstrengenden Tag trafen sie sich in einer Kneipe und erinnerten sich, zwischen Schlucken Cachaça, wehmütig an ihr früheres Leben.
Die Jüngeren zogen weiter, aber die Älteren konnten sich nicht an den neuen Alltag gewöhnen und kehrten schließlich zu ihren Wurzeln zurück. Auch diese hatten sich verändert. Die Sehnsucht nach einer Zeit, die im Schwinden begriffen war, war ihr einziger Trost, als sie erkannten, dass die grünen Ebenen allmählich verschwanden, die Wälder schrumpften und das Vieh in andere Regionen getrieben wurde.
Ja, Fortschritt hat seinen Preis. Und nicht jeder kann ihn ohne Leid bezahlen. Letztendlich sind die schönen Erinnerungen an unsere Kindheit und Jugend der Trost, der uns unseren Weg weitergehen lässt. Und unsere Eltern, unsere Großeltern, litten sehr unter den Veränderungen in der Welt, die sie kannten. Als Trost fand sich nur die Poesie des Landsmannes, der an die guten Zeiten in seiner Heimat erinnerte, die Sterne und den silbernen Mond bewunderte und in der Ferne dem traurigen Ruf der Eule lauschte …
Tania Miranda – Brasilien – 13.01.2026

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