A CASA
Era uma casa muito engraçada
Não tinha teto, não tinha nada
Ninguém podia entrar nela, não
Porque a casa não tinha chão
Ninguém podia dormir na rede
Porque na casa não tinha parede
Ninguém podia fazer pipi
Porque pinico não tinha ali
Mas era feita com muito esmero
Na Rua dos Bobos, número zero
(Vinícius de Moraes - Toquinho)
A primeira vista, uma canção infantil, onde se brinca com a imaginação dos pequenos. Afinal, crianças constroem castelos do nada, uma nuvem no céu pode tanto ser uma espaçonave quanto um feroz dragão. Depende de em qual mundo a criança está situada durante seu folguedo...
Sim... quando pequenos, conseguimos imaginar mil maravilhas. Tudo ao nosso redor é mágico. O impossível não existe, pois nossa imaginação torna tudo tangível ao nosso redor. O belo faz parte do imaginário. Certo, por vezes tememos o bicho papão, pois ainda não conhecemos a maldade real do mundo, que vem disfarçada de benesses...
Numa brincadeira de roda tanto podemos ser a princesa quanto a bruxa má, sem que tenhamos que mudar nossa índole. Afinal, tudo não passa de brincadeira, onde tudo é real e nada realmente existe. Quer dizer, existe em nossa imaginação... os perigos que enfrentamos enquanto tentamos escapar do feitiço da bruxa são reais naquele momento. Mas é uma realidade que não dá medo, pois os monstros que enfrentamos são de mentirinha... e no final das contas, de maldade não tem nada... são vilões bonzinhos...
Sim, as crianças tem o dom de tornar o mundo cor de rosa, com o poder de seu riso franco, de seu olhar perspicaz... ele veem a beleza onde os adultos somente percebem sombras... porque sua visão ainda não foi embaçada pela luta pela vida. Bom seria se permanecêssemos crianças eternamente...
De fato, acredito piamente que somos crianças. Ainda estamos no estágio onde necessitamos aprender sobre tudo aquilo que está ao nosso redor. Por vezes, a angustia nos domina... e nem sempre encontramos uma explicação plausível para isso. Necessitamos do colo materno, do conselho paterno... mas por motivos mil nos afastamos daqueles que nos auxiliaram em nossos primeiros passos. E muitas vezes só entendemos a falta que estes nos fazem quando já partiram para o outro plano. Mágoas, sempre temos guardadas por aqueles que caminham ao nosso lado. E muitas vezes, por picuinhas, deixamos de lado pessoas que foram importantes em nossa vida...
Somos crianças que cresceram fisicamente. Mas, como dizia o grande poeta Erasmo Carlos, quando enfrentamos algum problema da vida, "sou uma criança, não entendo nada"... sim... muitas vezes clamamos em silêncio por ajuda divina. Necessitamos de ajuda para nos levantar quando tropeçamos nos obstáculos da vida... mas a mão materna, o apoio paterno, por vezes não é mais uma opção, ao menos para nós. Porque agora somos nós que temos que ser fortes e manter o mundo encantado de nossos petizes, como nossos pais fizeram por nós, torcendo para que estes aprendam, através de seus folguedos, a melhor maneira de enfrentar o mundo hostil que um dia terão que encarar...
E que a casa sem teto e sem chão não seja, de forma alguma, algo que devam temer. Que seja um palácio encantado onde, mais que uma rede, tenham nuvens coloridas para seu repouso infantil... e que seus sonhos os elevem até os céus, onde com suas vozes angelicais nos façam sonhar novamente e nos permitam voltar a acreditar no mundo... acreditar que o Amor é possível...
O mundo pertence ao pequeninos. Sem paredes, sem muros, sem nenhuma demarcação de limites, seja qual for a Natureza. Essa é a Casa... ela nada tem e tudo possui, pois é construída com muito Amor. E o Amor é a maior riqueza que podemos desejar para o nosso coração....
Tania Miranda - Brasil - 10/01/2026
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THE HOUSE
It was a very funny house
It had no roof, it had nothing
Nobody could enter it, no
Because the house had no floor
Nobody could sleep in a hammock
Because the house had no walls
Nobody could pee
Because there was no chamber pot there
But it was made with great care
On Fools' Street, number zero
(Vinícius de Moraes - Toquinho)
At first glance, a children's song, where the imagination of little ones is played with. After all, children build castles out of nothing, a cloud in the sky can be either a spaceship or a ferocious dragon. It depends on which world the child is in during their play...
Yes... when we are little, we can imagine a thousand wonders. Everything around us is magical. The impossible does not exist, because our imagination makes everything tangible around us. Beauty is part of the imaginary. Okay, sometimes we fear the boogeyman because we haven't yet encountered the real evil of the world, which comes disguised as blessings...
In a children's game, we can be both the princess and the wicked witch without having to change our nature. After all, it's all just a game, where everything is real and nothing truly exists. That is, it exists in our imagination... the dangers we face while trying to escape the witch's spell are real at that moment. But it's a reality that doesn't frighten us, because the monsters we face are make-believe... and in the end, they're not evil at all... they're good-natured villains...
Yes, children have the gift of making the world rosy, with the power of their frank laughter, their perceptive gaze... they see beauty where adults only perceive shadows... because their vision hasn't yet been clouded by the struggle for life. It would be good if we remained children forever...
In fact, I firmly believe that we are children. We are still at the stage where we need to learn about everything around us. Sometimes, anguish overwhelms us... and we don't always find a plausible explanation for it. We need a mother's embrace, a father's advice... but for a thousand reasons we distance ourselves from those who helped us in our first steps. And often we only understand how much we miss them when they have already passed on to the other side. We always hold grudges against those who walked beside us. And often, because of petty grievances, we leave aside people who were important in our lives...
We are children who have grown physically. But, as the great poet Erasmo Carlos said, when we face some problem in life, "I am a child, I understand nothing"... yes... many times we silently cry out for divine help. We need help to get up when we stumble over life's obstacles... but a mother's hand, a father's support, is sometimes no longer an option, at least not for us. Because now it is we who must be strong and maintain the enchanted world of our little ones, as our parents did for us, hoping that they learn, through their play, the best way to face the hostile world they will one day have to confront...
And may the house without a roof or floor not be, in any way, something they should fear. May it be an enchanted palace where, more than a hammock, they have colorful clouds for their childish rest... and may their dreams lift them to the heavens, where with their angelic voices they make us dream again and allow us to believe in the world again... to believe that Love is possible...
The world belongs to the little ones. Without walls, without fences, without any demarcation of limits, whatever Nature may be. That is the House... it has nothing and possesses everything, for it is built with much Love. And Love is the greatest wealth we can wish for our hearts....
Tania Miranda - Brazil - 10/01/2026
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LA CASA
Era una casa muy graciosa.
No tenía techo, no tenía nada.
Nadie podía entrar, no.
Porque la casa no tenía suelo.
Nadie podía dormir en una hamaca.
Porque la casa no tenía paredes.
Nadie podía orinar.
Porque no había bacinica.
Pero estaba hecha con mucho cuidado.
En la Calle de los Inocentes, número cero.
(Vinícius de Moraes - Toquinho)
A primera vista, una canción infantil que estimula la imaginación de los más pequeños. Al fin y al cabo, los niños construyen castillos de la nada; una nube en el cielo puede ser una nave espacial o un dragón feroz. Depende del mundo en el que se encuentre el niño durante su juego...
Sí... cuando somos pequeños, podemos imaginar mil maravillas. Todo a nuestro alrededor es mágico. Lo imposible no existe, porque nuestra imaginación hace tangible todo lo que nos rodea. La belleza forma parte de lo imaginario. Bueno, a veces tememos al hombre del saco porque aún no nos hemos topado con el verdadero mal del mundo, que se disfraza de bendiciones...
En un juego de niños, podemos ser a la vez la princesa y la bruja malvada sin tener que cambiar nuestra naturaleza. Al fin y al cabo, es solo un juego, donde todo es real y nada existe realmente. Es decir, existe en nuestra imaginación... los peligros que enfrentamos al intentar escapar del hechizo de la bruja son reales en ese momento. Pero es una realidad que no nos asusta, porque los monstruos a los que nos enfrentamos son imaginarios... y al final, no son malvados en absoluto... son villanos bondadosos...
Sí, los niños tienen el don de hacer que el mundo sea color de rosa, con el poder de su risa franca, su mirada perspicaz... ven belleza donde los adultos solo perciben sombras... porque su visión aún no se ha nublado por la lucha por la vida. Sería bueno que siguiéramos siendo niños para siempre...
De hecho, creo firmemente que somos niños. Aún estamos en la etapa en la que necesitamos aprender de todo lo que nos rodea. A veces, la angustia nos abruma... y no siempre encontramos una explicación plausible. Necesitamos el abrazo de una madre, el consejo de un padre... pero por mil razones nos distanciamos de quienes nos ayudaron en nuestros primeros pasos. Y a menudo solo comprendemos cuánto los extrañamos cuando ya han partido. Siempre guardamos rencor a quienes caminaron a nuestro lado. Y a menudo, por pequeños agravios, dejamos de lado a personas importantes en nuestras vidas...
Somos niños que hemos crecido físicamente. Pero, como dijo el gran poeta Erasmo Carlos, cuando nos enfrentamos a algún problema en la vida: «Soy un niño, no entiendo nada»... sí... muchas veces clamamos en silencio por la ayuda divina. Necesitamos ayuda para levantarnos cuando tropezamos con los obstáculos de la vida... pero la mano de una madre, el apoyo de un padre, a veces ya no es una opción, al menos no para nosotros. Porque ahora somos nosotros quienes debemos ser fuertes y mantener el mundo encantado de nuestros pequeños, como nuestros padres lo hicieron con nosotros, esperando que aprendan, jugando, la mejor manera de enfrentarse al mundo hostil que algún día tendrán que afrontar...
Y que la casa sin techo ni suelo no sea, en absoluto, algo a lo que deban temer. Que sea un palacio encantado donde, más que una hamaca, tengan nubes de colores para su descanso infantil... y que sus sueños los eleven al cielo, donde con sus voces angelicales nos hagan soñar de nuevo y nos permitan volver a creer en el mundo... a creer que el Amor es posible...
El mundo es de los pequeños. Sin muros, sin vallas, sin límites, sea cual sea la Naturaleza. Esa es la Casa... no tiene nada y lo posee todo, porque está construida con mucho Amor. Y el Amor es la mayor riqueza que podemos desear para nuestros corazones...
Tania Miranda - Brasil - 10/01/2026
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TALO
Se oli hyvin hauska talo
Siinä ei ollut kattoa, siinä ei ollut mitään
Kukaan ei voinut mennä sinne sisään, ei
Koska talossa ei ollut lattiaa
Kukaan ei voinut nukkua riippumatossa
Koska talossa ei ollut seiniä
Kukaan ei voinut pissata
Koska siellä ei ollut yöastiaa
Mutta se oli tehty suurella huolella
Narrien kadulla, numero nolla
(Vinícius de Moraes - Toquinho)
Ensi silmäyksellä lastenlaulu, jossa leikkivät pienten mielikuvituksella. Lapsethan rakentavat linnoja tyhjästä, pilvi taivaalla voi olla joko avaruusalus tai raivoisa lohikäärme. Se riippuu siitä, missä maailmassa lapsi leikkii...
Kyllä... kun olemme pieniä, voimme kuvitella tuhat ihmettä. Kaikki ympärillämme on taianomaista. Mahdotonta ei ole olemassa, koska mielikuvituksemme tekee kaiken ympärillämme käsin kosketeltavaksi. Kauneus on osa mielikuvitusta. Okei, joskus pelkäämme mörköä, koska emme ole vielä kohdanneet maailman todellista pahuutta, joka naamioituu siunauksiksi...
Lasten leikissä voimme olla sekä prinsessa että ilkeä noita ilman, että meidän tarvitsee muuttaa luonnettamme. Loppujen lopuksi se on vain leikkiä, jossa kaikki on todellista eikä mikään ole oikeasti olemassa. Eli se on olemassa mielikuvituksessamme... vaarat, joita kohtaamme yrittäessämme paeta noidan loitsua, ovat todellisia sillä hetkellä. Mutta se on todellisuus, joka ei pelota meitä, koska kohtaamamme hirviöt ovat keksittyjä... ja lopulta ne eivät ole ollenkaan pahoja... ne ovat hyväntahtoisia roistoja...
Kyllä, lapsilla on lahja tehdä maailmasta ruusunpunainen avoimen naurunsa ja tarkkanäköisen katseensa voimalla... he näkevät kauneutta siellä, missä aikuiset havaitsevat vain varjoja... koska heidän näkökenttäänsä ei ole vielä sumentunut elämän taistelusta. Olisi hyvä, jos pysyisimme lapsina ikuisesti...
Itse asiassa uskon vakaasti, että olemme lapsia. Olemme yhä siinä vaiheessa, että meidän täytyy oppia kaikesta ympärillämme. Joskus tuska valtaa meidät... emmekä aina löydä sille uskottavaa selitystä. Tarvitsemme äidin syleilyä, isän neuvoja... mutta tuhannesta syystä etäännymme niistä, jotka auttoivat meitä ensiaskeleillamme. Ja usein ymmärrämme, kuinka paljon kaipaamme heitä, vasta kun he ovat jo siirtyneet tuonpuoleiseen. Kannamme aina kaunaa niille, jotka kulkivat rinnallamme. Ja usein, pienten valitusten vuoksi, jätämme syrjään ihmiset, jotka olivat tärkeitä elämässämme...
Olemme lapsia, jotka ovat kasvaneet fyysisesti. Mutta kuten suuri runoilija Erasmo Carlos sanoi, kun kohtaamme jonkin ongelman elämässä, "olen lapsi, en ymmärrä mitään"... kyllä... usein huudamme hiljaa jumalallista apua. Tarvitsemme apua noustaksemme ylös, kun kompastelemme elämän esteisiin... mutta äidin käsi, isän tuki, ei ole joskus enää vaihtoehto, ainakaan meille. Koska nyt meidän on oltava vahvoja ja ylläpidettävä pienokaistemme lumottua maailmaa, kuten vanhempamme tekivät meille, toivoen, että he oppivat leikkiensä kautta parhaan tavan kohdata vihamielinen maailma, jonka heidän jonain päivänä on kohdattava...
Älköönkä kattoton tai lattiaton talo missään nimessä olko jotain, mitä heidän pitäisi pelätä. Olkoon se lumottu palatsi, jossa heillä on riippumaton sijaan värikkäitä pilviä lapsenomaiseen lepoon... ja nostakoot heidän unelmansa heidät taivaisiin, missä he enkelimäisillä äänillään saavat meidät unelmoimaan uudelleen ja antavat meidän uskoa maailmaan uudelleen... uskoa, että rakkaus on mahdollista...
Maailma kuuluu pienokaisille. Ilman muureja, ilman aitoja, ilman rajoja, olipa luonto millainen tahansa. Se on talo... sillä ei ole mitään ja se omistaa kaiken, sillä se on rakennettu suurella rakkaudella. Ja rakkaus on suurin rikkaus, jota voimme toivoa sydämillemme....
Tania Miranda - Brasilia - 10.1.2026
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LA CASA
Era una casa molto buffa
Non aveva tetto, non aveva niente
Nessuno poteva entrarci, no
Perché la casa non aveva pavimento
Nessuno poteva dormire su un'amaca
Perché la casa non aveva pareti
Nessuno poteva fare pipì
Perché non c'era un vaso da notte
Ma era stata costruita con grande cura
In via dei Matti, numero zero
(Vinícius de Moraes - Toquinho)
A prima vista, una canzone per bambini, dove si gioca con la fantasia dei più piccoli. Dopotutto, i bambini costruiscono castelli dal nulla, una nuvola nel cielo può essere un'astronave o un drago feroce. Dipende in quale mondo si trova il bambino durante il gioco...
Sì... quando siamo piccoli, possiamo immaginare mille meraviglie. Tutto intorno a noi è magico. L'impossibile non esiste, perché la nostra immaginazione rende tangibile tutto ciò che ci circonda. La bellezza fa parte dell'immaginario. Ok, a volte temiamo l'uomo nero perché non abbiamo ancora incontrato il vero male del mondo, che si presenta travestito da benedizione...
In un gioco per bambini, possiamo essere sia la principessa che la strega cattiva senza dover cambiare la nostra natura. Dopotutto, è solo un gioco, dove tutto è reale e niente esiste veramente. Cioè, esiste nella nostra immaginazione... i pericoli che affrontiamo mentre cerchiamo di sfuggire all'incantesimo della strega sono reali in quel momento. Ma è una realtà che non ci spaventa, perché i mostri che affrontiamo sono immaginari... e in fondo, non sono affatto malvagi... sono cattivi bonari...
Sì, i bambini hanno il dono di rendere il mondo roseo, con il potere della loro risata schietta, del loro sguardo perspicace... vedono la bellezza dove gli adulti percepiscono solo ombre... perché la loro vista non è ancora stata offuscata dalla lotta per la vita. Sarebbe bello se rimanessimo bambini per sempre...
In effetti, credo fermamente che siamo bambini. Siamo ancora in una fase in cui abbiamo bisogno di imparare tutto ciò che ci circonda. A volte, l'angoscia ci travolge... e non sempre troviamo una spiegazione plausibile. Abbiamo bisogno dell'abbraccio di una madre, dei consigli di un padre... ma per mille ragioni prendiamo le distanze da coloro che ci hanno aiutato nei nostri primi passi. E spesso capiamo quanto ci mancano solo quando sono già passati dall'altra parte. Serbiamo sempre rancore verso coloro che ci hanno camminato accanto. E spesso, per piccoli rancori, trascuriamo persone che sono state importanti nella nostra vita...
Siamo bambini cresciuti fisicamente. Ma, come diceva il grande poeta Erasmo Carlos, quando affrontiamo qualche problema nella vita, "Sono un bambino, non capisco niente"... sì... molte volte invochiamo silenziosamente l'aiuto divino. Abbiamo bisogno di aiuto per rialzarci quando inciampiamo negli ostacoli della vita... ma la mano di una madre, il sostegno di un padre, a volte non sono più un'opzione, almeno non per noi. Perché ora siamo noi a dover essere forti e a custodire il mondo incantato dei nostri piccoli, come i nostri genitori hanno fatto per noi, sperando che imparino, attraverso il gioco, il modo migliore per affrontare il mondo ostile che un giorno dovranno affrontare...
E che la casa senza tetto né pavimento non sia, in alcun modo, qualcosa di cui aver paura. Che sia un palazzo incantato dove, più che un'amaca, abbiano nuvole colorate per il loro riposo infantile... e che i loro sogni li sollevino verso il cielo, dove con le loro voci angeliche ci facciano sognare di nuovo e ci permettano di credere di nuovo nel mondo... di credere che l'Amore è possibile...
Il mondo appartiene ai più piccoli. Senza muri, senza recinti, senza alcuna demarcazione di limiti, qualunque sia la Natura. Questa è la Casa... non ha nulla e possiede tutto, perché è costruita con tanto Amore. E l'Amore è la più grande ricchezza che possiamo desiderare per i nostri cuori...
Tania Miranda - Brasile - 10/01/2026
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LA MAISON
C'était une maison très drôle.
Elle n'avait ni toit, ni rien.
Personne ne pouvait y entrer, non.
Car la maison n'avait pas de plancher.
Personne ne pouvait dormir dans un hamac.
Car la maison n'avait pas de murs.
Personne ne pouvait faire pipi.
Car il n'y avait pas de pot de chambre.
Mais elle était construite avec beaucoup de soin.
Rue des Fous, numéro zéro.
(Vinícius de Moraes - Toquinho)
À première vue, une chanson enfantine, où l'imagination des petits s'exprime pleinement. Après tout, les enfants construisent des châteaux avec rien, un nuage dans le ciel peut être un vaisseau spatial ou un dragon féroce. Tout dépend du monde dans lequel l'enfant se trouve en jouant…
Oui… quand on est petit, on peut imaginer mille merveilles. Tout autour de nous est magique. L'impossible n'existe pas, car notre imagination rend tout tangible. La beauté fait partie de l'imaginaire. Parfois, nous craignons le croque-mitaine parce que nous n'avons pas encore affronté le véritable mal du monde, qui se dissimule sous des apparences trompeuses…
Dans un jeu d'enfant, nous pouvons être à la fois la princesse et la méchante sorcière sans avoir à renier notre nature. Après tout, ce n'est qu'un jeu, où tout est réel et rien n'existe vraiment. Cela existe dans notre imagination… Les dangers auxquels nous sommes confrontés en tentant d'échapper au sort de la sorcière sont bien réels à cet instant précis. Mais c'est une réalité qui ne nous effraie pas, car les monstres que nous affrontons sont imaginaires… et au final, ils ne sont pas méchants du tout… ce sont des méchants au grand cœur…
Oui, les enfants ont le don d'embellir le monde, grâce à la force de leur rire franc, à leur regard perspicace… ils voient la beauté là où les adultes ne perçoivent que des ombres… car leur vision n'a pas encore été obscurcie par la lutte pour la survie. Ce serait bien si nous restions des enfants pour toujours…
En fait, je crois fermement que nous sommes des enfants. Nous sommes encore à un stade où nous avons besoin d'apprendre tout ce qui nous entoure. Parfois, l'angoisse nous submerge… et nous n'en trouvons pas toujours d'explication plausible. Nous avons besoin de l'étreinte d'une mère, des conseils d'un père… mais pour mille raisons, nous nous éloignons de ceux qui nous ont aidés à faire nos premiers pas. Et souvent, nous ne réalisons à quel point ils nous manquent qu'une fois qu'ils sont passés de l'autre côté. Nous gardons toujours rancune envers ceux qui ont cheminé à nos côtés. Et souvent, à cause de griefs insignifiants, nous nous éloignons de personnes qui ont compté dans nos vies…
Nous sommes des enfants qui ont grandi physiquement. Mais, comme le disait le grand poète Erasmo Carlos, face aux difficultés de la vie, « Je suis un enfant, je ne comprends rien »… oui… bien souvent, nous implorons en silence l'aide divine. Nous avons besoin d'aide pour nous relever lorsque nous trébuchons sur les obstacles de la vie… mais la main d'une mère, le soutien d'un père, ne sont parfois plus une option, du moins pas pour nous. Car c'est à nous maintenant d'être forts et de préserver le monde enchanteur de nos petits, comme nos parents l'ont fait pour nous, en espérant qu'ils apprennent, par le jeu, à affronter au mieux le monde hostile auquel ils devront un jour faire face…
Et puisse cette maison sans toit ni plancher ne jamais être pour eux une source d'effroi. Qu'elle soit un palais enchanté où, plus qu'un hamac, ils trouvent des nuages colorés pour leur repos d'enfants… et que leurs rêves les emportent jusqu'aux cieux, où, de leurs voix angéliques, ils nous font rêver à nouveau et nous permettent de croire à nouveau au monde… de croire que l'Amour est possible…
Le monde appartient aux petits. Sans murs, sans barrières, sans aucune limite, quelle que soit la nature. Voilà ce qu'est la Maison… elle n'a rien et possède tout, car elle est bâtie avec beaucoup d'Amour. Et l'Amour est le plus grand trésor que l'on puisse souhaiter pour nos cœurs…
Tania Miranda - Brésil - 10/01/2026
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DAS HAUS
Es war ein sehr komisches Haus.
Es hatte kein Dach, es hatte gar nichts.
Niemand konnte hineingehen.
Denn das Haus hatte keinen Boden.
Niemand konnte in einer Hängematte schlafen.
Denn das Haus hatte keine Wände.
Niemand konnte pinkeln.
Denn es gab keinen Nachttopf.
Aber es war mit großer Sorgfalt gebaut.
In der Narrenstraße, Hausnummer Null.
(Vinícius de Moraes – Toquinho)
Auf den ersten Blick ein Kinderlied, das die Fantasie der Kleinen anregt. Schließlich bauen Kinder aus dem Nichts Burgen, eine Wolke am Himmel kann ein Raumschiff oder ein wilder Drache sein. Es kommt darauf an, in welcher Welt sich das Kind beim Spielen befindet …
Ja … als Kinder können wir uns tausend Wunder vorstellen. Alles um uns herum ist magisch. Das Unmögliche existiert nicht, denn unsere Fantasie macht alles um uns herum greifbar. Schönheit ist Teil der Fantasie. Okay, manchmal fürchten wir uns vor dem Buhmann, weil wir das wahre Böse der Welt noch nicht kennengelernt haben, das sich als Segen tarnt…
In einem Kinderspiel können wir Prinzessin und böse Hexe zugleich sein, ohne uns verändern zu müssen. Schließlich ist alles nur ein Spiel, in dem alles real ist und nichts wirklich existiert. Es existiert in unserer Fantasie… die Gefahren, denen wir auf der Flucht vor dem Zauber der Hexe begegnen, sind in diesem Moment real. Aber es ist eine Realität, die uns nicht erschreckt, weil die Monster, denen wir begegnen, nur Einbildung sind… und letztendlich sind sie gar nicht böse… sie sind gutmütige Schurken…
Ja, Kinder haben die Gabe, die Welt rosig erscheinen zu lassen, mit der Kraft ihres unbeschwerten Lachens, ihres wachsamen Blicks… sie sehen Schönheit, wo Erwachsene nur Schatten wahrnehmen… weil ihr Blick noch nicht vom Kampf ums Überleben getrübt ist. Es wäre gut, wenn wir für immer Kinder blieben…
Tatsächlich glaube ich fest daran, dass wir Kinder sind. Wir befinden uns noch in der Phase, in der wir alles um uns herum lernen müssen. Manchmal überwältigt uns die Angst … und wir finden nicht immer eine plausible Erklärung dafür. Wir brauchen die Umarmung einer Mutter, den Rat eines Vaters … doch aus tausend Gründen distanzieren wir uns von denen, die uns bei unseren ersten Schritten geholfen haben. Und oft verstehen wir erst, wie sehr wir sie vermissen, wenn sie bereits von uns gegangen sind. Wir hegen immer Groll gegen diejenigen, die uns begleitet haben. Und oft lassen wir wegen Kleinigkeiten Menschen aus unserem Leben, die wichtig waren …
Wir sind Kinder, die körperlich gewachsen sind. Aber wie der große Dichter Erasmo Carlos sagte: Wenn wir vor einem Problem im Leben stehen, denken wir: „Ich bin ein Kind, ich verstehe nichts.“ … Ja … oft schreien wir im Stillen nach göttlicher Hilfe. Wir brauchen Hilfe, um wieder aufzustehen, wenn wir über die Hindernisse des Lebens stolpern … doch die Hand einer Mutter, die Unterstützung eines Vaters sind manchmal keine Option mehr, zumindest nicht für uns. Denn nun sind wir es, die stark sein und die verzauberte Welt unserer Kleinen bewahren müssen, so wie unsere Eltern es für uns taten, in der Hoffnung, dass sie durch ihr Spiel lernen, der feindseligen Welt, der sie eines Tages begegnen werden, am besten zu begegnen…
Und möge das Haus ohne Dach und Boden ihnen in keiner Weise Angst machen. Möge es ein verzauberter Palast sein, wo sie mehr als eine Hängematte bunte Wolken zum kindlichen Ausruhen finden… und mögen ihre Träume sie in den Himmel tragen, wo sie uns mit ihren Engelsstimmen wieder zum Träumen bringen und uns wieder an die Welt glauben lassen… daran glauben lassen, dass Liebe möglich ist…
Die Welt gehört den Kleinen. Ohne Mauern, ohne Zäune, ohne jegliche Abgrenzungen, wie auch immer die Natur sein mag. Das ist das Haus… es hat nichts und besitzt alles, denn es ist mit viel Liebe erbaut. Und Liebe ist der größte Reichtum, den wir uns für unsere Herzen wünschen können…
Tania Miranda – Brasilien – 10.01.2026

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