PASSADO E FUTURO... SIMPLESMENTE LEMBRANÇAS...
PASSADO E FUTURO... SIMPLESMENTE LEMBRANÇAS...
Tenho que reconhecer... a muito dobrei o Cabo da Boa Esperança. E o que isso significa? Bem, minha quilometragem está alta. Como me sinto? Muito bem. Sinceramente, não vejo nenhuma diferença entre a Tania dos dias de hoje e aquela jovenzinha sonhadora de algum tempo atrás... claro, a "carroceria" apresenta os sinais dos tempos... afinal, não há como passar incólume pelas décadas, como já passei, graças a Deus...
Talvez a parte mais triste de nossa caminhada pelo tempo seja nos despedirmos de rostos conhecidos... bem, na verdade nem nos despedimos, realmente. As pessoas simplesmente passam por nossas vidas. E um belo dia simplesmente desaparecem. E num belo dia recebemos a noticia de que tal pessoa deixou esse plano. A sensação? É difícil definir... ao mesmo tempo que ficamos agradecidas por ainda permanecermos deste lado, a sombra da preocupação acaba por nos cobrir... afinal, somos lembradas de que somos finitas. E a cada rosto conhecido que parte, mais próximas ficamos da Nau de Caronte...
Outro dia estava pensando sobre isso... da turma de minha rua que nasceu no mesmo ano que eu, ninguém mais além de mim permanece nesse plano... todos os outros a muito embarcaram para a viagem sem volta. Alguns partiram bem cedo, outros ficaram um pouco mais. E, de nossa turma, restou apenas essa amiga que vos fala...
Claro, não posso dizer que era muito próxima de todos. Estaria mentindo. Mas éramos todos companheiros de folguedos em uma época em que se podia brincar nas ruas, que ainda eram de terra batida. Quando chegavam os ventos de outono a poeira subia aos céus. Quando as nuvens anunciavam as chuvas da primavera, sentíamos o cheiro das folhas das árvores, que vinham até nós com seu perfume inebriante...
A paisagem era bem diferente dos dias de hoje. Se tentamos explicar para a nova geração como era a vida nesse mesmo local na época em que eu era criança, elas não conseguem imaginar como tudo era realmente. Não dá para pensarem em como no mesmo local em que vivemos nos dias de hoje se criava galinhas, porcos... a apicultura era algo comum... os diversos jardins, cuidados com tanto esmero pelas mulheres da vila forneciam a matéria prima que as abelhas precisavam para produzir um mel delicioso, que era distribuído entra a vizinhança gratuitamente...
Como explicar que, onde hoje há apenas asfalto e cheiro de óleo e gasolina, a gente costumava procurar formigueiros na primeira trovoada da primavera, munidas de caldeirões para "colher" as tanajuras que alçavam seu voo para fundar novas colônias? E que comíamos esse "acepipe" em uma farofa...
Tudo bem, nos dias de hoje nem encontramos mais as tanajuras, nem as saúvas que trabalham para estas... mas em minha infância tal era muito comum por toda a região... outros tempos, outra vida...
Muito daquilo que eu conheci como criança a muito desapareceu deste local. As mamangavas, as cigarras, paquinhas, borboletas... bem, estas ultimas ainda insistem em esvoaçar por aqui, nos fazendo recordar de um tempo que se foi, como o canto do galo de madrugada, ou o mugido do boi ao longe, ou o trotar dos cavalos pela campina, que a muito deu lugar a conjuntos de prédios ou avenidas...
E os pássaros? Plumagens multicoloridas, cantos diversos, muitos deles envoltos em misticismos... o Pássaro Saci, por exemplo... "se canto longe, estou perto... se canto perto, estou longe..." O curiango era outro pássaro que era envolto pela magia. Seu canto à noite nos fazia imaginar mil coisas, principalmente na lua cheia...
Quantas coisas a gente lembra, não é mesmo? A saudade vem, abre o Livro de Recordações da vida... sabemos que aquilo que já passou não mais retornará... ficamos tristes por um átimo de segundo, mas a dinâmica do mundo não nos permite ficarmos muito tempo presas no passado. Afinal, o passado não existe, assim como o próprio futuro. Estamos inserida no presente, e dele não há como escapar. Tudo o que passou fica no Limbo, retornando de vez em quando para nos lembrar quão frágeis somos. E que devemos preparar as próximas gerações para enfrentarem o seu presente, quando já tivermos partido...
E assim a vida segue seu fluxo... em algum momento deixarei meu lugar nesse plano para outra pessoa poder iniciar sua jornada. E tudo que posso... e devo fazer, é procurar dar meu melhor para o mundo para que, quando eu partir, possa ser lembrada com carinho por aqueles que aqui permanecerem... pois enquanto estiver em sua lembrança, continuarei existindo, mesmo que não fisicamente...
Tania Miranda - Brasil - 02/02/2026
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PAST AND FUTURE... SIMPLY MEMORIES...
I have to admit... I've long since rounded the Cape of Good Hope. And what does that mean? Well, my mileage is high. How do I feel? Very good. Honestly, I don't see any difference between the Tania of today and that dreamy young girl from some time ago... of course, the "bodywork" shows the signs of the times... after all, there's no way to pass unscathed through the decades, as I have, thank God...
Perhaps the saddest part of our journey through time is saying goodbye to familiar faces... well, actually we don't really say goodbye. People simply pass through our lives. And one fine day they simply disappear. And one fine day we receive the news that such a person has left this plane. The feeling? It's hard to define... while we are grateful to still remain on this side, the shadow of worry ends up covering us... after all, we are reminded that we are finite. And with each familiar face that departs, we get closer to Charon's ship...
The other day I was thinking about this... of the group from my street who were born in the same year as me, no one else remains on this plane... all the others embarked long ago on the journey of no return. Some left very early, others stayed a little longer. And, of our group, only this friend who speaks to you remains...
Of course, I can't say I was very close to everyone. I would be lying. But we were all playmates in a time when we could play in the streets, which were still dirt roads. When the autumn winds arrived, the dust rose to the skies. When the clouds announced the spring rains, we smelled the leaves of the trees, which came to us with their intoxicating perfume...
The landscape was very different from today. If we try to explain to the new generation what life was like in that same place when I was a child, they can't imagine what it was really like. It's impossible to imagine that in the same place where we live today, chickens and pigs were raised... beekeeping was commonplace... the various gardens, meticulously cared for by the women of the village, provided the raw materials the bees needed to produce delicious honey, which was distributed freely among the neighborhood...
How can we explain that, where today there is only asphalt and the smell of oil and gasoline, we used to search for anthills during the first spring thunderstorm, armed with cauldrons to "harvest" the ants that took flight to found new colonies? And that we ate this "treat" in a farofa (a Brazilian side dish)...
Okay, nowadays we don't even find ants anymore, nor the leafcutter ants that work for them... but in my childhood, this was very common throughout the region... different times, a different life...
Much of what I knew as a child has long since disappeared from this place. Bumblebees, cicadas, mole crickets, butterflies... well, the latter still insist on fluttering around here, making us remember a time gone by, like the rooster's crowing at dawn, or the distant bellowing of the ox, or the trotting of horses across the countryside, which has long since given way to clusters of buildings or avenues...
And the birds? Multicolored plumage, diverse songs, many of them shrouded in mysticism... the Saci Bird, for example... "if I sing far away, I am near... if I sing near, I am far away..." The nightjar was another bird enveloped in magic. Its song at night made us imagine a thousand things, especially under the full moon...
How many things we remember, don't we? Nostalgia comes, opens the Book of Memories of life... we know that what has passed will never return... we are sad for a fleeting second, but the dynamics of the world do not allow us to remain trapped in the past for long. After all, the past does not exist, just as the future itself does not. We are immersed in the present, and there is no escaping it. Everything that has passed remains in Limbo, returning from time to time to remind us how fragile we are. And that we must prepare future generations to face their present, when we are gone...
And so life continues its flow... at some point I will leave my place on this plane so that another person can begin their journey. And all I can... and must do, is try to give my best to the world so that, when I depart, I may be remembered fondly by those who remain here... because as long as I am in their memory, I will continue to exist, even if not physically...
Tania Miranda - Brazil - 02/02/2026
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PASADO Y FUTURO... SIMPLEMENTE RECUERDOS...
Debo admitirlo... Hace tiempo que doblé el Cabo de Buena Esperanza. ¿Y qué significa eso? Bueno, he recorrido un largo camino. ¿Cómo me siento? Muy bien. Sinceramente, no veo ninguna diferencia entre la Tania de hoy y aquella joven soñadora de hace tiempo... claro, la "carrocería" muestra las señales de los tiempos... al fin y al cabo, no hay forma de pasar ileso por las décadas, como yo lo he hecho, gracias a Dios...
Quizás lo más triste de nuestro viaje a través del tiempo sea despedirnos de caras conocidas... bueno, en realidad no nos despedimos. La gente simplemente pasa por nuestras vidas. Y un buen día simplemente desaparece. Y un buen día recibimos la noticia de que esa persona ha dejado este plano. ¿La sensación? Es difícil de definir... aunque agradecemos seguir en este lado, la sombra de la preocupación termina cubriéndonos... al fin y al cabo, nos recuerda que somos finitos. Y con cada rostro familiar que se va, nos acercamos a la nave de Caronte...
El otro día pensaba en esto... del grupo de mi calle que nació el mismo año que yo, nadie más queda en este plano... todos los demás emprendieron hace mucho tiempo un viaje sin retorno. Algunos se fueron muy temprano, otros se quedaron un poco más. Y, de nuestro grupo, solo queda este amigo que te habla...
Claro, no puedo decir que fuera muy cercano a todos. Mentiría. Pero todos éramos compañeros de juegos en una época en la que podíamos jugar en las calles, que aún eran caminos de tierra. Cuando llegaban los vientos de otoño, el polvo se elevaba hasta el cielo. Cuando las nubes anunciaban las lluvias de primavera, olíamos las hojas de los árboles, que nos llegaban con su embriagador perfume...
El paisaje era muy diferente al de hoy. Si intentamos explicarle a las nuevas generaciones cómo era la vida en ese mismo lugar cuando yo era niño, no pueden imaginar cómo era realmente. Es imposible imaginar que en el mismo lugar donde vivimos hoy se criaban gallinas y cerdos... la apicultura era algo común... los diversos huertos, cuidados con esmero por las mujeres del pueblo, proporcionaban la materia prima que las abejas necesitaban para producir una deliciosa miel, que se distribuía gratuitamente entre el vecindario...
¿Cómo explicar que, donde hoy solo hay asfalto y olor a aceite y gasolina, buscáramos hormigueros durante la primera tormenta de primavera, armados con calderos para "cosechar" las hormigas que emprendían el vuelo y fundaban nuevas colonias? ¿Y que comiéramos este "bocadillo" en una farofa (un plato típico brasileño)?
Bueno, hoy en día ya ni siquiera encontramos hormigas, ni las hormigas cortadoras de hojas que trabajan para ellas... pero en mi infancia, esto era muy común en toda la región... otros tiempos, otra vida...
Mucho de lo que conocí de niño desapareció hace mucho tiempo de este lugar. Abejorros, cigarras, grillos topo, mariposas... bueno, estas últimas aún insisten en revolotear por aquí, haciéndonos recordar un tiempo pasado, como el canto del gallo al amanecer, o el lejano mugido del buey, o el trote de los caballos por el campo, que hace tiempo ha dado paso a agrupaciones de edificios o avenidas...
¿Y las aves? Plumajes multicolores, cantos diversos, muchos de ellos envueltos en misticismo... el pájaro saci, por ejemplo... "Si canto lejos, estoy cerca... si canto cerca, estoy lejos..." El chotacabras era otra ave envuelta en magia. Su canto nocturno nos hacía imaginar mil cosas, sobre todo bajo la luna llena...
¿Cuántas cosas recordamos, verdad? La nostalgia llega, abre el Libro de los Recuerdos de la vida... sabemos que lo que pasó nunca volverá... estamos tristes por un instante fugaz, pero la dinámica del mundo no nos permite quedarnos atrapados en el pasado por mucho tiempo. Después de todo, el pasado no existe, al igual que el futuro mismo. Estamos inmersos en el presente, y no hay escapatoria. Todo lo que ha pasado permanece en el limbo, regresando de vez en cuando para recordarnos lo frágiles que somos. Y que debemos preparar a las futuras generaciones para afrontar su presente, cuando ya no estemos...
Y así la vida continúa su curso... en algún momento dejaré mi lugar en este plano para que otra persona pueda emprender su viaje. Y todo lo que puedo... y debo hacer, es intentar dar lo mejor de mí al mundo para que, cuando me vaya, quienes queden aquí me recuerden con cariño... porque mientras esté en su memoria, seguiré existiendo, aunque no sea físicamente...
Tania Miranda - Brasil - 02/02/2026
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MENNEISYYS JA TULEVAISUUS... YKSINKERTAISIA MUISTOJA...
Minun on myönnettävä... Olen kiertänyt Hyväntoivonniemen jo kauan sitten. Ja mitä se tarkoittaa? No, matkani on pitkä. Miltä minusta tuntuu? Erittäin hyvältä. Rehellisesti sanottuna en näe mitään eroa nykyisen Tanian ja tuon unelmoivan nuoren tytön välillä joltain ajalta... tietenkin "keho" näyttää ajan merkkejä... loppujen lopuksi ei ole mitään keinoa kulkea vahingoittumattomana vuosikymmenten läpi, kuten minä olen tehnyt, kiitos Jumalalle...
Ehkä surullisin osa matkaamme ajassa on hyvästellä tutut kasvot... no, itse asiassa emme oikeastaan sano hyvästi. Ihmiset vain kulkevat läpi elämämme. Ja yhtenä kauniina päivänä he vain katoavat. Ja yhtenä kauniina päivänä saamme tiedon, että tällainen henkilö on poistunut tältä tasolta. Tunne? Sitä on vaikea määritellä... vaikka olemmekin kiitollisia siitä, että olemme vielä tällä puolella, huolen varjo peittää meidät... loppujen lopuksi meille muistutetaan, että olemme rajallisia. Ja jokaisen tutun kasvon poistuessa lähestymme Kharonin laivaa...
Mietin tuossa eräänä päivänä tätä... kadultani samana vuonna syntyneistä ihmisistä tällä tasolla ei ole ketään muuta jäljellä... kaikki muut lähtivät kauan sitten matkalle, jolta ei ole paluuta. Jotkut lähtivät hyvin aikaisin, toiset jäivät hieman pidemmäksi aikaa. Ja ryhmästämme on jäljellä vain tämä ystävä, joka puhuu sinulle...
En tietenkään voi sanoa, että olisin ollut kovin läheinen kaikkien kanssa. Valehtelisin. Mutta me kaikki olimme leikkikavereita aikana, jolloin pystyimme leikkimään kaduilla, jotka olivat vielä hiekkateitä. Kun syystuulet saapuivat, pöly nousi taivaalle. Kun pilvet ilmoittivat kevätsateiden saapumisesta, haistoimme puiden lehdet, jotka tulivat luoksemme päihdyttävine tuoksuineen...
Maisema oli hyvin erilainen kuin tänään. Jos yritämme selittää uudelle sukupolvelle, millaista elämä oli samassa paikassa, kun olin lapsi, he eivät voi kuvitellakaan, millaista se todella oli. On mahdotonta kuvitella, että samassa paikassa, jossa me nykyään asumme, kasvatettiin kanoja ja sikoja... mehiläishoito oli arkipäivää... kylän naisten huolellisesti hoitamat erilaiset puutarhat tarjosivat mehiläisille raaka-aineita herkullisen hunajan tuottamiseen, jota jaettiin ilmaiseksi naapurustolle...
Kuinka voimme selittää, että siellä, missä nykyään on vain asfalttia ja öljyn ja bensiinin hajua, etsimme muurahaiskekoja ensimmäisen kevätukkosmyrskyn aikana padat mukanamme "kerätäksemme" muurahaisia, jotka lähtivät lentoon perustamaan uusia yhdyskuntia? Ja että söimme tätä "herkkua" farofassa (brasilialainen lisuke)...
No, nykyään emme enää edes löydä muurahaisia, emmekä lehtienleikkaajamuurahaisia, jotka työskentelevät niiden hyväksi... mutta lapsuudessani tämä oli hyvin yleistä koko alueella... eri ajat, eri elämä...
Suuri osa siitä, mitä tiesin lapsena, on jo kauan sitten kadonnut tästä paikasta. Kimalaiset, sirkat, maamyyräsirkat, perhoset... no, jälkimmäiset lepattavat edelleen täällä ja saavat meidät muistamaan menneitä aikoja, kuten kukon kiekennan aamunkoitteessa tai härän kaukaisen mölyn tai hevosten ravat maaseudulla, joka on jo kauan sitten antanut tietä rakennusryppäille tai kujille...
Entä linnut? Monivärinen höyhenpeite, monipuoliset laulut, monet niistä mystisyyden verhoamia... esimerkiksi Saci-lintu... "jos laulan kaukana, olen lähellä... jos laulan lähellä, olen kaukana..." Kehrääjä oli toinen taian ympäröimä lintu. Sen laulu yöllä sai meidät kuvittelemaan tuhat asiaa, varsinkin täysikuun aikaan...
Kuinka monta asiaa muistammekaan, eikö niin? Nostalgia saapuu, avaa elämän muistojen kirjan... tiedämme, että mennyt ei koskaan palaa... olemme surullisia ohikiitävän hetken, mutta maailman dynamiikka ei salli meidän jäädä menneisyyden vangiksi pitkäksi aikaa. Loppujen lopuksi menneisyyttä ei ole olemassa, aivan kuten ei tulevaisuuttakaan. Olemme uppoutuneet nykyhetkeen, eikä siltä pääse pakoon. Kaikki mennyt pysyy Limbossa, palaten aika ajoin muistuttamaan meitä siitä, kuinka hauraita olemme. Ja että meidän on valmisteltava tulevia sukupolvia kohtaamaan nykyisyytensä, kun me olemme poissa...
Ja niin elämä jatkaa virtaansa... jossain vaiheessa jätän paikkani tällä tasolla, jotta joku toinen voi aloittaa matkansa. Ja kaikki mitä voin... ja minun täytyy tehdä, on yrittää antaa parhaani maailmalle, jotta lähtiessäni minut muistettaisiin lämmöllä ne, jotka täällä jäävät... koska niin kauan kuin olen heidän muistoissaan, olen edelleen olemassa, vaikka en fyysisesti...
Tania Miranda - Brasilia - 02.02.2026
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PASSATO E FUTURO... SEMPLICEMENTE RICORDI...
Devo ammetterlo... ho doppiato il Capo di Buona Speranza da un pezzo. E cosa significa? Beh, il mio chilometraggio è alto. Come mi sento? Molto bene. Onestamente, non vedo alcuna differenza tra la Tania di oggi e quella ragazzina sognante di qualche tempo fa... certo, la "carrozzeria" mostra i segni del tempo... dopotutto, non c'è modo di attraversare i decenni indenni, come ho fatto io, grazie a Dio...
Forse la parte più triste del nostro viaggio nel tempo è dire addio a volti familiari... beh, in realtà non diciamo davvero addio. Le persone semplicemente attraversano le nostre vite. E un bel giorno semplicemente scompaiono. E un bel giorno riceviamo la notizia che una persona del genere ha lasciato questo piano. La sensazione? È difficile da definire... mentre siamo grati di essere ancora da questa parte, l'ombra della preoccupazione finisce per coprirci... dopotutto, ci viene ricordato che siamo finiti. E con ogni volto familiare che se ne va, ci avviciniamo alla nave di Caronte...
L'altro giorno pensavo a questo... del gruppo della mia strada, nato nel mio stesso anno, non rimane nessun altro su questo piano... tutti gli altri hanno intrapreso da tempo il viaggio senza ritorno. Alcuni se ne sono andati molto presto, altri sono rimasti un po' più a lungo. E, del nostro gruppo, rimane solo questo amico che ti parla...
Certo, non posso dire di essere stato molto legato a tutti. Mentirei. Ma eravamo tutti compagni di gioco in un'epoca in cui si poteva giocare per le strade, che erano ancora strade sterrate. Quando arrivavano i venti autunnali, la polvere si alzava al cielo. Quando le nuvole annunciavano le piogge primaverili, sentivamo l'odore delle foglie degli alberi, che ci raggiungevano con il loro profumo inebriante...
Il paesaggio era molto diverso da quello di oggi. Se proviamo a spiegare alle nuove generazioni com'era la vita in quello stesso posto quando ero bambino, non riescono a immaginare com'era veramente. È impossibile immaginare che nello stesso luogo in cui viviamo oggi si allevassero polli e maiali... l'apicoltura era all'ordine del giorno... i vari orti, curati meticolosamente dalle donne del villaggio, fornivano le materie prime necessarie alle api per produrre un miele delizioso, che veniva distribuito gratuitamente tra i vicini...
Come spiegare che, dove oggi c'è solo asfalto e odore di petrolio e benzina, si andava alla ricerca di formicai durante i primi temporali primaverili, armati di calderoni per "raccogliere" le formiche che si alzavano in volo per fondare nuove colonie? E che si mangiasse questa "leccornia" in una farofa (un contorno brasiliano)...
Ok, oggigiorno non troviamo più nemmeno le formiche, né le formiche tagliafoglie che lavorano per loro... ma nella mia infanzia, questo era molto comune in tutta la regione... altri tempi, una vita diversa...
Molto di ciò che conoscevo da bambino è scomparso da tempo da questo posto. Bombi, cicale, grilli talpa, farfalle... beh, queste ultime insistono ancora a svolazzare qui intorno, facendoci ricordare un tempo passato, come il canto del gallo all'alba, o il lontano muggito del bue, o il trotto dei cavalli attraverso la campagna, che da tempo ha lasciato il posto a gruppi di edifici o viali...
E gli uccelli? Piumaggio multicolore, canti diversi, molti dei quali avvolti nel misticismo... l'uccello Saci, per esempio... "se canto lontano, sono vicino... se canto vicino, sono lontano..." Il succiacapre era un altro uccello avvolto nella magia. Il suo canto notturno ci faceva immaginare mille cose, soprattutto sotto la luna piena...
Quante cose ricordiamo, vero? La nostalgia arriva, apre il Libro dei Ricordi della vita... sappiamo che ciò che è passato non tornerà mai più... siamo tristi per un attimo fugace, ma le dinamiche del mondo non ci permettono di rimanere intrappolati nel passato a lungo. Dopotutto, il passato non esiste, così come non esiste il futuro stesso. Siamo immersi nel presente e non c'è modo di sfuggirgli. Tutto ciò che è passato rimane nel Limbo, tornando di tanto in tanto per ricordarci quanto siamo fragili. E che dobbiamo preparare le generazioni future ad affrontare il loro presente, quando non ci saremo più...
E così la vita continua il suo flusso... a un certo punto lascerò il mio posto su questo piano affinché un'altra persona possa iniziare il suo viaggio. E tutto ciò che posso... e devo fare, è cercare di dare il meglio di me al mondo affinché, quando me ne andrò, possa essere ricordata con affetto da coloro che rimarranno qui... perché finché sarò nella loro memoria, continuerò a esistere, anche se non fisicamente...
Tania Miranda - Brasile - 02/02/2026
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PASSÉ ET FUTUR… SIMPLEMENT DES SOUVENIRS…
Je dois l’avouer… j’ai depuis longtemps franchi le cap de Bonne-Espérance. Qu’est-ce que cela signifie ? Eh bien, j’ai beaucoup voyagé. Comment je me sens ? Très bien. Honnêtement, je ne vois aucune différence entre la Tania d’aujourd’hui et cette jeune fille rêveuse d’il y a quelque temps… bien sûr, le corps porte les marques du temps… après tout, il est impossible de traverser les décennies indemne, comme je l’ai fait, Dieu merci…
Le plus triste dans notre voyage à travers le temps, c’est peut-être de dire au revoir aux visages familiers… enfin, en réalité, on ne dit pas vraiment au revoir. Les gens traversent simplement nos vies. Et un beau jour, ils disparaissent. Et un beau jour, on apprend la nouvelle que telle ou telle personne a quitté ce monde. Le sentiment ? Difficile à décrire… même si l’on est reconnaissant d’être encore de ce côté-ci, l’ombre de l’inquiétude finit par nous envelopper… après tout, on se souvient de notre finitude. Et à chaque visage familier qui disparaît, nous nous rapprochons du vaisseau de Charon…
L’autre jour, je pensais à ça… De ma rue, de ceux nés la même année que moi, il ne reste plus personne sur cette planète… Tous les autres sont partis il y a longtemps pour un voyage sans retour. Certains sont partis très tôt, d’autres sont restés un peu plus longtemps. Et, de notre groupe, il ne reste que cet ami qui te parle…
Bien sûr, je ne peux pas dire que j’étais proche de tout le monde. Ce serait mentir. Mais nous étions tous des camarades de jeu à une époque où nous pouvions jouer dans les rues, qui étaient encore des chemins de terre. Quand les vents d’automne arrivaient, la poussière s’élevait dans le ciel. Quand les nuages annonçaient les pluies printanières, nous sentions le parfum enivrant des feuilles mortes…
Le paysage était bien différent d’aujourd’hui. Si nous essayons d’expliquer à la nouvelle génération ce qu’était la vie à cet endroit quand j’étais enfant, ils ne peuvent pas se le représenter. Il est impossible d'imaginer qu'à l'endroit même où nous vivons aujourd'hui, on élevait des poules et des cochons… que l'apiculture était monnaie courante… que les différents jardins, soigneusement entretenus par les femmes du village, fournissaient aux abeilles les matières premières nécessaires à la production d'un miel délicieux, distribué généreusement dans le voisinage…
Comment expliquer que, là où il ne reste aujourd'hui que de l'asphalte et une odeur de pétrole et d'essence, nous partions à la recherche de fourmilières lors du premier orage printanier, armés de chaudrons pour « récolter » les fourmis qui s'envolaient fonder de nouvelles colonies ? Et que nous dégustions cette « friandise » dans une farofa (un accompagnement brésilien)…
Bon, de nos jours, on ne trouve même plus de fourmis, ni les fourmis coupeuses de feuilles qui travaillent pour elles… mais dans mon enfance, c'était très fréquent dans toute la région… une autre époque, une autre vie…
Une grande partie de ce que j'ai connu enfant a disparu depuis longtemps de cet endroit. Bourdons, cigales, grillons-taupes, papillons… ces derniers persistent à voltiger ici, nous rappelant un temps révolu, comme le chant du coq à l’aube, le mugissement lointain du bœuf ou le trot des chevaux à travers la campagne, depuis longtemps remplacée par des ensembles de bâtiments et des avenues…
Et les oiseaux ? Plumage multicolore, chants variés, souvent empreints de mysticisme… le Saci, par exemple… « Si je chante au loin, je suis près… si je chante près, je suis loin… » L’engoulevent était un autre oiseau magique. Son chant nocturne nous faisait imaginer mille choses, surtout sous la pleine lune…
Que de souvenirs nous reviennent, n’est-ce pas ? La nostalgie nous envahit, ouvre le Livre des Souvenirs de la vie… nous savons que ce qui est passé ne reviendra jamais… nous sommes tristes un instant, mais la dynamique du monde ne nous permet pas de rester prisonniers du passé. Après tout, le passé n'existe pas, pas plus que le futur. Nous sommes plongés dans le présent, et il est impossible d'y échapper. Tout ce qui a disparu demeure en suspens, revenant de temps à autre nous rappeler notre fragilité. Et que nous devons préparer les générations futures à affronter leur présent, une fois que nous ne serons plus là…
Ainsi la vie poursuit son cours… Un jour, je quitterai cette planète pour qu'une autre puisse commencer son voyage. Et tout ce que je peux… et dois faire, c'est donner le meilleur de moi-même au monde afin que, lorsque je partirai, ceux qui restent se souviennent de moi avec affection… car tant que je serai dans leur mémoire, je continuerai d'exister, même si ce n'est plus physiquement…
Tania Miranda - Brésil - 02/02/2026
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VERGANGENHEIT UND ZUKUNFT ... NUR ERINNERUNGEN ...
Ich muss zugeben ... ich habe das Kap der Guten Hoffnung längst umrundet. Und was bedeutet das? Nun, ich habe schon viel erlebt. Wie fühle ich mich? Sehr gut. Ehrlich gesagt sehe ich keinen Unterschied zwischen der heutigen Tania und dem verträumten jungen Mädchen von damals ... natürlich sieht man mir die Zeit an ... schließlich kann man die Jahrzehnte nicht unbeschadet überstehen, wie ich es Gott sei Dank getan habe ...
Das Traurigste an unserer Zeitreise ist vielleicht der Abschied von vertrauten Gesichtern ... nun ja, eigentlich verabschieden wir uns nicht wirklich. Menschen ziehen einfach durch unser Leben. Und eines Tages verschwinden sie einfach. Und eines Tages erhalten wir die Nachricht, dass diese Person von uns gegangen ist. Das Gefühl? Schwer zu beschreiben ... obwohl wir dankbar sind, noch hier zu sein, legt sich ein Schatten der Sorge über uns ... schließlich werden wir daran erinnert, dass wir endlich sind. Und mit jedem vertrauten Gesicht, das geht, kommen wir Charons Schiff näher…
Neulich dachte ich darüber nach… Von der Gruppe aus meiner Straße, die im selben Jahr wie ich geboren wurde, ist niemand mehr auf dieser Ebene… alle anderen haben sich vor langer Zeit auf die Reise ohne Wiederkehr begeben. Manche gingen sehr früh, andere blieben etwas länger. Und von unserer Gruppe ist nur noch dieser Freund übrig, der mit dir spricht…
Natürlich kann ich nicht behaupten, dass ich allen sehr nahestand. Das wäre gelogen. Aber wir waren alle Spielkameraden in einer Zeit, als wir noch auf den Straßen spielen konnten, die damals noch unbefestigte Wege waren. Wenn der Herbstwind kam, wirbelte der Staub zum Himmel auf. Wenn die Wolken den Frühlingsregen ankündigten, rochen wir die Blätter der Bäume, die uns mit ihrem betörenden Duft umwehten…
Die Landschaft war ganz anders als heute. Wenn wir versuchen, der neuen Generation zu erklären, wie das Leben an demselben Ort war, als ich ein Kind war, können sie sich das nicht vorstellen. Es ist kaum vorstellbar, dass an demselben Ort, an dem wir heute leben, einst Hühner und Schweine gehalten wurden, die Imkerei weit verbreitet war und die verschiedenen Gärten, die von den Frauen des Dorfes sorgsam gepflegt wurden, den Bienen die nötigen Rohstoffe für die Produktion von köstlichem Honig lieferten, der in der Nachbarschaft frei verteilt wurde.
Wie lässt sich erklären, dass wir, wo heute nur Asphalt und der Geruch von Öl und Benzin herrschen, früher bei den ersten Frühlingsgewittern mit Kesseln bewaffnet nach Ameisenhügeln suchten, um die Ameisen zu „ernten“, die ausflogen, um neue Kolonien zu gründen? Und dass wir diese „Leckerei“ in einer Farofa (einer brasilianischen Beilage) aßen?
Okay, heutzutage finden wir nicht einmal mehr Ameisen, geschweige denn die Blattschneiderameisen, die für sie arbeiten. Aber in meiner Kindheit war das in der ganzen Region üblich. Andere Zeiten, anderes Leben.
Vieles von dem, was ich als Kind kannte, ist längst aus diesem Ort verschwunden. Hummeln, Zikaden, Maulwurfsgrillen, Schmetterlinge … nun ja, die Schmetterlinge flattern hier immer noch umher und erinnern uns an vergangene Zeiten, wie das Krähen des Hahns im Morgengrauen, das ferne Brüllen des Ochsen oder das Traben der Pferde über die Landschaft, die längst Häusern und Alleen gewichen ist …
Und die Vögel? Buntes Gefieder, vielfältige Gesänge, viele davon geheimnisvoll umwoben … der Saci-Vogel zum Beispiel … „Wenn ich fern singe, bin ich nah … wenn ich nah singe, bin ich fern …“ Auch der Ziegenmelker war ein Vogel, der von Magie umgeben war. Sein Gesang in der Nacht ließ uns tausend Dinge vorstellen, besonders bei Vollmond …
Wie viele Erinnerungen wir doch haben! Die Nostalgie kommt, öffnet das Buch der Erinnerungen … wir wissen, dass Vergangenes nie wiederkehrt … wir sind einen flüchtigen Augenblick traurig, aber die Dynamik der Welt erlaubt es uns nicht, lange in der Vergangenheit gefangen zu bleiben. Letztendlich existiert die Vergangenheit nicht, genauso wenig wie die Zukunft. Wir sind in der Gegenwart gefangen, und es gibt kein Entrinnen. Alles Vergangene verbleibt im Zwischenreich und kehrt immer wieder zurück, um uns unsere Zerbrechlichkeit vor Augen zu führen. Und dass wir zukünftige Generationen darauf vorbereiten müssen, ihrer Gegenwart zu begegnen, wenn wir nicht mehr da sind…
Und so geht das Leben seinen Lauf… Irgendwann werde ich meinen Platz auf dieser Ebene verlassen, damit ein anderer Mensch seine Reise beginnen kann. Und alles, was ich kann… und tun muss, ist, mein Bestes für die Welt zu geben, damit ich, wenn ich gehe, von denen, die hier zurückbleiben, in liebevoller Erinnerung behalten werde… denn solange ich in ihrer Erinnerung bin, werde ich weiterleben, wenn auch nicht physisch…
Tania Miranda – Brasilien – 02.02.2026
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