LUZ E TREVAS
LUZ E TREVAS
Por mais que ouçamos apenas notícias pesadas, nada animadoras, ainda assim temos fé no futuro, nas pessoas, na vida. E isso é bom. Porque acreditamos que, a despeito de estarmos imersos em um imenso Caos, a Esperança jamais nos abandonará. E que dias melhores, com certeza, virão...
O Mundo está imerso em uma penumbra tal que já não conseguimos distinguir se é um alvorecer que se inicia ou o crepúsculo que está chegando. A princípio parece não fazer diferença, mas há... afinal, o anoitecer pode nos trazer descanso... mas junto com suas sombras, há os fantasmas que tanto nos assombra. Já o amanhecer nos dá a sensação de que somos imortais, que nada nos atinge...
Nossa história intercala momentos de felicidade com tristeza, que chega sem aviso. A vida é dinâmica, e não nos dá tempo para nos adaptar aos novos tempos que são atirados ao nosso colo. Simplesmente chegam, dominam todo o ambiente. Se forem tempos positivos, que maravilha. Mas nem sempre o sol brilha no horizonte...
É engraçado isso... associamos a Luz como o Mundo Ideal. Mas mesmo luz em excesso nos faz mal. Basta nos lembrar dos dias quentes de verão, onde os raios solares tudo iluminam. E ficamos desesperados à procura de uma sombra, por menor que seja, para nos aliviar daquele calor que, de repente, não é mais tão agradável assim...
Sim, vivemos uma dualidade, onde o equilíbrio se faz necessário. Tudo, absolutamente tudo em excesso, nos faz mal. Por mais que nos pareça benéfico. E mesmo aquilo que classificamos como maléfico para nossa vida, em doses corretas pode ser a solução para algo que esteja nos prejudicando. Afinal, não usamos veneno em certas doses para nos curar de alguns males?
Caminhamos sempre sobre o fio da navalha. Se não conseguirmos manter o equilíbrio que nos impede de cair no precipício, estaremos em maus lençóis. E, olha só a ironia da coisa... o precipício pode ser iluminado ou escuro... o prejuízo será o mesmo, no final da queda...
Dizem que caminhamos sem reparar o que realmente há em nossa volta. E infelizmente é uma realidade que não podemos negar. A consequência de tal atitude de nossa parte acaba por deixarmos que aqueles que prestam atenção ao seu caminho nos guiem ao seu bel prazer. Não quer dizer que nos levarão pela melhor senda. Nos conduzirão pela estrada que melhor lhes aprouver.
E o que nos leva a seguir tais pessoas sem questionar seja lá o que for? A Confiança. Confiamos em alguém que parece saber a rota para o Destino Final. É mais fácil delegarmos o poder de decisão para quem sabe o que está fazendo em prol de seus iguais. Ao menos, é assim que processamos nossos pensamentos.
Bem, o problema é que tais pessoas nos usam como escadas para atingir o seu objetivo. Nos apresentam o seu objetivo como se fosse algo que realmente nos beneficiaria. Nos mostram a Luz. Mas, como eu disse, Luz em excesso também é prejudicial. Mas sempre nos ensinaram que a Luz é boa e as Sombras, não tão boas, assim. E, seguindo aquilo que aprendemos durante nossa caminhada, acompanhamos o Flautista de Hamelim para um destino desconhecido, rumo à Estrada de Tijolos Amarelos... para descobrir, tarde demais, que a luz que vislumbrávamos era apenas ilusão... pois o calor que dali emanava simplesmente nos destruiria. E então, passamos a clamar aos céus que o frescor do crepúsculo amaine as dores de nossa alma...
Sim, a força que nos mantém caminhando por esse plano, a despeito de todas as mazelas que enfrentamos, é a Esperança. É ela que nos dá força para retornarmos quando o caminho se torna espinhoso demais. Porque ela nos diz que recuar também é avançar, às vezes. Porque nem sempre a Luz nos é benéfica. Porque muitas vezes precisamos nos embalar no manto das Trevas, para que possamos reiniciar nossa jornada quando o Alvorecer se iniciar novamente...
Tania Miranda - Brasil - 16/06/2026
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LIGHT AND DARKNESS
Even though we only hear heavy, unpromising news, we still have faith in the future, in people, in life. And that's good. Because we believe that, despite being immersed in immense chaos, hope will never abandon us. And that better days will surely come...
The world is immersed in such a twilight that we can no longer distinguish whether it is a dawn beginning or twilight approaching. At first it seems to make no difference, but there is... after all, nightfall can bring us rest... but along with its shadows, there are the ghosts that haunt us so much. Dawn, on the other hand, gives us the feeling that we are immortal, that nothing can touch us...
Our history alternates between moments of happiness and sadness, which arrive without warning. Life is dynamic, and it doesn't give us time to adapt to the new times that are thrown into our laps. They simply arrive, dominating the entire environment. If they are positive times, how wonderful. But the sun doesn't always shine on the horizon...
It's funny... we associate light with the ideal world. But even too much light is bad for us. Just remember those hot summer days, where the sun's rays illuminate everything. And we desperately search for shade, however small, to relieve ourselves from that heat that, suddenly, isn't so pleasant anymore...
Yes, we live in a duality where balance is necessary. Everything, absolutely everything in excess, is bad for us. Even if it seems beneficial. And even what we classify as harmful to our lives, in the right doses, can be the solution to something that is harming us. After all, don't we use poison in certain doses to cure ourselves of some ailments?
We always walk on a razor's edge. If we can't maintain the balance that prevents us from falling off the precipice, we'll be in deep trouble. And, look at the irony of it all... the precipice can be illuminated or dark... the damage will be the same at the end of the fall...
They say we walk without noticing what's really around us. And unfortunately, it's a reality we can't deny. The consequence of such an attitude on our part is that we end up letting those who pay attention to their path guide us as they please. It doesn't mean they'll lead us down the best path. They'll lead us down the road that best suits them.
And what leads us to follow such people without questioning anything? Trust. We trust someone who seems to know the route to the Final Destination. It's easier to delegate the power of decision to someone who knows what they're doing for the benefit of their equals. At least, that's how we process our thoughts.
Well, the problem is that such people use us as stepping stones to achieve their goal. They present their goal to us as if it were something that would truly benefit us. They show us the Light. But, as I said, too much Light is also harmful. But we were always taught that Light is good and Shadows, not so good. And, following what we learned during our journey, we accompanied the Pied Piper of Hamelin to an unknown destination, towards the Yellow Brick Road... only to discover, too late, that the light we glimpsed was just an illusion... for the heat emanating from there would simply destroy us. And then, we began to cry out to the heavens that the coolness of twilight would soothe the pains of our souls...
Yes, the force that keeps us walking on this plane, despite all the hardships we face, is Hope. It is Hope that gives us the strength to return when the path becomes too thorny. Because it tells us that retreating is also advancing, sometimes. Because Light is not always beneficial to us. Because many times we need to wrap ourselves in the cloak of Darkness, so that we can restart our journey when Dawn begins again...
Tania Miranda - Brazil - 06/16/2026
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LUZ Y OSCURIDAD
Aunque solo recibimos noticias desalentadoras y poco prometedoras, aún conservamos la fe en el futuro, en la gente, en la vida. Y eso es bueno. Porque creemos que, a pesar del inmenso caos, la esperanza jamás nos abandonará. Y que sin duda vendrán días mejores…
El mundo está sumido en tal penumbra que ya no podemos distinguir si es el amanecer o el crepúsculo que se acerca. Al principio parece que no hay diferencia, pero sí la hay… después de todo, la noche puede traernos descanso… pero junto con sus sombras, están los fantasmas que tanto nos atormentan. El amanecer, en cambio, nos da la sensación de ser inmortales, de que nada puede tocarnos…
Nuestra historia alterna momentos de felicidad y tristeza que llegan sin previo aviso. La vida es dinámica y no nos da tiempo para adaptarnos a los nuevos tiempos que se nos imponen. Simplemente llegan, dominando todo el entorno. Si son tiempos positivos, ¡qué maravilla! Pero el sol no siempre brilla en el horizonte...
Es curioso... asociamos la luz con el mundo ideal. Pero incluso demasiada luz es perjudicial. Basta con recordar esos calurosos días de verano, donde los rayos del sol lo iluminan todo. Y buscamos desesperadamente sombra, por pequeña que sea, para aliviar ese calor que, de repente, ya no resulta tan agradable...
Sí, vivimos en una dualidad donde el equilibrio es necesario. Todo, absolutamente todo en exceso, es perjudicial. Incluso si parece beneficioso. E incluso lo que consideramos dañino para nuestra vida, en las dosis adecuadas, puede ser la solución a algo que nos perjudica. Al fin y al cabo, ¿acaso no usamos veneno en ciertas dosis para curarnos de algunas dolencias?
Siempre caminamos sobre el filo de la navaja. Si no logramos mantener el equilibrio que nos impide caer al vacío, estaremos en serios problemas. Y, ¡qué ironía!... el precipicio puede estar iluminado u oscuro... el daño será el mismo al final de la caída...
Dicen que caminamos sin darnos cuenta de lo que realmente nos rodea. Y, por desgracia, es una realidad innegable. La consecuencia de esta actitud es que terminamos dejando que quienes se centran en su propio camino nos guíen a su antojo. Eso no significa que nos lleven por el mejor camino. Nos llevarán por el que más les conviene.
¿Y qué nos lleva a seguir a estas personas sin cuestionar nada? La confianza. Confiamos en quien parece conocer el camino al destino final. Es más fácil delegar el poder de decisión a alguien que sabe lo que hace para el beneficio de sus iguales. Al menos, así es como lo procesamos.
El problema es que estas personas nos usan como peldaños para alcanzar su objetivo. Nos presentan su objetivo como si fuera algo que realmente nos beneficiaría. Nos muestran la luz. Pero, como dije, demasiada luz también es dañina. Sin embargo, siempre nos enseñaron que la luz es buena y las sombras, no tanto. Y, siguiendo lo aprendido durante nuestro viaje, acompañamos al Flautista de Hamelín a un destino desconocido, hacia el Camino de Ladrillos Amarillos... solo para descubrir, demasiado tarde, que la luz que vislumbramos era solo una ilusión... pues el calor que emanaba de allí simplemente nos destruiría. Y entonces, comenzamos a clamar al cielo para que la frescura del crepúsculo aliviara los dolores de nuestras almas...
Sí, la fuerza que nos mantiene caminando en este plano, a pesar de todas las dificultades que enfrentamos, es la esperanza. Es la esperanza la que nos da la fuerza para regresar cuando el camino se vuelve demasiado espinoso. Porque nos dice que retroceder también es avanzar, a veces. Porque la luz no siempre nos beneficia. Porque muchas veces necesitamos envolvernos en el manto de la oscuridad, para poder reiniciar nuestro viaje cuando amanezca de nuevo...
Tania Miranda - Brasil - 16/06/2026

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