CAMINHANDO RUMO AO FUTURO
CAMINHANDO RUMO AO FUTURO
Tenho saudade de rever nas currutelas
As mocinhas nas janelas
Acenando uma flor
Por tudo isso eu lamento e confesso
Que a marcha do progresso
É a minha grande dor
Cada jamanta que eu vejo carregada
Transportando uma boiada
Me aperta o coração
E quando olho minha traia pendurada
De tristeza dou risada
P'rá não chorar de paixão...
(Nonô Basílio e Índio Vago - Mágoas de Boiadeiro)
A vida não nos pede licença. O mundo segue em frente, indiferente a como nos sentimos ou deixamos de sentir. Isso é o progresso, a evolução. Cada momento vivido é uma caminhada rumo ao futuro, cada vez mais presente. E essa caminhada se iniciou a muito tempo atrás. Somente será interrompida quando o último de nós deixar de respirar nesse plano.
Se pensarmos bem, tudo se iniciou quando o homem dominou o fogo. Depois inventou a roda. Descobriu que construir sua morada o deixava livre para desbravar novos horizontes. Sua natureza nômade foi aos poucos se aquietando, e acabou por criar raízes, mesmo que temporariamente, em novos rincões que lhe possibilitavam uma vida mais confortável. Evolução natural, começou a fundar cidades que tudo lhe forneciam. A domesticação de algumas espécies selvagens foi essencial para que pudesse atingir um estado tal que lhe permitia dedicar algumas horas ao ócio. Deixou de depender apenas daquilo que conseguia em suas caminhadas. E cada nova invenção o distanciava de suas origens. E algumas almas se sentiam deslocadas no novo mundo que se avizinhava.
Com o tempo, passou a criar mecanismos que substituíam o trabalho braçal. Alguns eram designados para enfrentar a selva, fazer o trabalho pesado. Outros acabavam por fazer o controle das atividades dos primeiros. E sua função era prestar contas para aqueles que os grupos elegiam como "líderes".
A invenção é a mãe da necessidade, já disse alguém certa vez. E a cada obstáculo encontrado por alguma comunidade, uma nova solução era criada. Tecnicamente, para melhorar a vida de todos. Na prática, ontem como hoje, apenas alguns acabam beneficiados por essas invenções.
Quando a vida em Sociedade foi se consolidando entre os grupos, algo mais além da Integração entre os vários segmentos foi criado. Normas foram implantadas pouco a pouco, engessando o livre pensar até então dominante. E de repente algo que deveria ser espontâneo se transformou em obrigação.
O senso de dever do ser humano é algo incrível. Quando recebe determinada tarefa e a considera sua missão pessoal, leva a mesma a cabo como se não existisse outro caminho a trilhar. E, para aquela pessoa, realmente não existe. Ela vive em função daquilo que lhe foi determinado. E não consegue visualizar nenhum outro destino além daquele que lhe apresentaram.
Os usos e costumes foram se consolidando de tal forma que, para a grande maioria, nunca houve outra Ordem além daquela onde cresceram. Foi a domesticação do Homem pelo Homem. A Humanidade nunca ficou tão perdida como quando enveredou por essa estrada.
Aos poucos as Castas Sociais foram se criando no meio dos grupos. E algo artificial tornou-se natural, tão natural que todos aceitaram como se a divisão de direitos e deveres tivesse sido igualitária. Não foi. Mas a blindagem criada por décadas, séculos, milênios determinou que tudo estava correto.
A servidão da maioria beneficiava uma pequena parcela que, do alto de seu trono, supervisionava as ações do grupo ao seu cargo. E, independente de como tal grupo era gerido, o que importava era o bem estar do líder... pois ele era o único que tinha condições de "guiar seu povo"...
E aí está a grande ironia... quando essa Elite desenvolve algum tipo de avanço que possibilitará aos seus súditos um conforto mínimo, deixando um pouco das agruras de lado, a massa sente falta de seus momentos de penúria. Porque, em sua imaginação, qualquer tipo de "alivio" quanto à sua rotina estafante poderá ocasionar escassez de recursos necessários para sua sobrevivência.
Cada vez que o Mundo avança, criando uma nova tecnologia, o medo de perder suas colocações profissionais tira o sono da maioria das pessoas. E isso realmente acontece. Em determinada tarefa onde era necessário um grande contingente para dar conta da mesma, uma equipe reduzida acaba por resolver a questão. Um exemplo recente, mas nem tanto, é a situação descrita que abre esse texto... o transporte de uma boiada, há décadas atrás, movimentava um grupo razoável de pessoas. Nos dias de hoje, o motorista de um caminhão cargueiro faz o mesmo trabalho com rapidez e segurança. E assim caminha a humanidade.
Nossa preocupação a cada passo dado pela humanidade é... no final dessa corrida evolucionária, todos terão a mesma chance? Acredito que não. E isso independe de quanto a pessoa tenha estudado. Porque serão poucos postos de trabalho, uma vez que a automação, o Bicho Papão Moderno, terá sido implantado em todas as atividades humanas. Como já está sendo nos dias de hoje. E aí...
Bem, as cartas estão na mesa. Quem tiver a melhor mão leva tudo. Se será algo bom para todos, só o tempo dirá. Mas a humanidade sempre foi resiliente, não é mesmo?
Tania Miranda - Brasil - 08/06/2026
==========================================================
WALKING TOWARDS THE FUTURE
I long to see again in the small towns
The young girls at the windows
Waving a flower
For all this I lament and confess
That the march of progress
Is my great sorrow
Every truck I see loaded
Transporting a herd of cattle
Tightens my heart
And when I look at my hanging gear
I laugh with sadness
So as not to cry with passion...
(Nonô Basílio and Índio Vago - Cowboy's Sorrows)
Life doesn't ask our permission. The world moves forward, indifferent to how we feel or don't feel. That is progress, evolution. Each moment lived is a walk towards the future, ever more present. And this walk began a long time ago. It will only be interrupted when the last of us stops breathing on this plane.
If we think about it, it all began when man mastered fire. Then he invented the wheel. He discovered that building his own dwelling freed him to explore new horizons. His nomadic nature gradually subsided, and he ended up putting down roots, even if temporarily, in new places that allowed him a more comfortable life. A natural evolution, he began to found cities that provided him with everything. The domestication of some wild species was essential for him to reach a state that allowed him to dedicate some hours to leisure. He ceased to depend solely on what he obtained on his travels. And each new invention distanced him from his origins. And some souls felt displaced in the new world that was approaching.
Over time, he began to create mechanisms that replaced manual labor. Some were designated to face the jungle, to do the heavy work. Others ended up controlling the activities of the former. And their function was to report to those whom the groups elected as "leaders."
Invention is the mother of necessity, as someone once said. And for every obstacle encountered by a community, a new solution was created. Technically, to improve everyone's lives. In practice, then as now, only a few end up benefiting from these inventions.
As life in society consolidated among groups, something beyond integration between the various segments was created. Norms were gradually implemented, stifling the previously dominant free thinking. And suddenly something that should have been spontaneous became an obligation.
The human sense of duty is incredible. When given a certain task and considered it their personal mission, they carry it out as if there were no other path to follow. And, for that person, there really isn't. They live according to what has been determined for them. And they cannot visualize any other destiny beyond the one presented to them.
Customs and traditions became so consolidated that, for the vast majority, there has never been another Order besides the one in which they grew up. It was the domestication of Man by Man. Humanity has never been so lost as when it embarked on this path.
Gradually, social castes were created within the groups. And something artificial became natural, so natural that everyone accepted it as if the division of rights and duties had been egalitarian. It wasn't. But the shielding created over decades, centuries, millennia determined that everything was correct.
The servitude of the majority benefited a small group that, from the height of their throne, supervised the actions of the group under their control. And, regardless of how that group was managed, what mattered was the well-being of the leader... because he was the only one who had the ability to "guide his people"...
And there lies the great irony... when this elite develops some kind of advancement that will allow its subjects a minimum of comfort, leaving some of the hardships aside, the masses miss their moments of penury. Because, in their imagination, any kind of "relief" from their exhausting routine could lead to a scarcity of resources necessary for their survival.
Every time the world advances, creating new technology, the fear of losing one's job keeps most people awake at night. And this really happens. In certain tasks that previously required a large contingent, a smaller team ends up solving the problem. A recent, but not so recent, example is the situation described at the beginning of this text... transporting cattle, decades ago, involved a considerable number of people. Nowadays, a truck driver does the same job quickly and safely. And so humanity progresses.
Our concern with each step humanity takes is... at the end of this evolutionary race, will everyone have the same chance? I believe not. And this is independent of how much a person has studied. Because there will be few jobs, since automation, the Modern Boogeyman, will have been implemented in all human activities. As it is already happening today. And then...
Well, the cards are on the table. Whoever has the best hand takes it all. Whether it will be good for everyone, only time will tell. But humanity has always been resilient, hasn't it?
Tania Miranda - Brazil - 08/06/2026
=========================================================
CAMINANDO HACIA EL FUTURO
Anhelo volver a ver en los pueblos pequeños
A las jóvenes en las ventanas
Agitando una flor
Por todo esto me lamento y confieso
Que la marcha del progreso
Es mi gran pena
Cada camión que veo cargado
Transportando un rebaño de ganado
Me oprime el corazón
Y cuando miro mi equipo colgado
Río con tristeza
Para no llorar con pasión...
(Nonô Basílio e Índio Vago - Las penas del vaquero)
La vida no nos pide permiso. El mundo avanza, indiferente a cómo nos sentimos o no nos sentimos. Eso es progreso, evolución. Cada momento vivido es un paseo hacia el futuro, cada vez más presente. Y este paseo comenzó hace mucho tiempo. Solo se interrumpirá cuando el último de nosotros deje de respirar en este plano.
Si lo pensamos bien, todo comenzó cuando el hombre dominó el fuego. Luego inventó la rueda. Descubrió que construir su propia vivienda le liberaba para explorar nuevos horizontes. Su naturaleza nómada fue disminuyendo gradualmente, y terminó echando raíces, aunque fuera temporalmente, en nuevos lugares que le permitían una vida más cómoda. Como una evolución natural, comenzó a fundar ciudades que le proporcionaban todo lo que necesitaba. La domesticación de algunas especies salvajes fue esencial para que pudiera dedicar algunas horas al ocio. Dejó de depender únicamente de lo que obtenía en sus viajes. Y cada nuevo invento lo alejaba de sus orígenes. Y algunas personas se sentían desorientadas en el nuevo mundo que se avecinaba.
Con el tiempo, comenzó a crear mecanismos que reemplazaban el trabajo manual. Algunos se destinaban a la selva, a realizar el trabajo pesado. Otros terminaron controlando las actividades de los primeros. Y su función era informar a aquellos a quienes los grupos elegían como "líderes".
La invención es la madre de la necesidad, como alguien dijo una vez. Y para cada obstáculo que encontraba una comunidad, se creaba una nueva solución. Técnicamente, para mejorar la vida de todos. En la práctica, entonces como ahora, solo unos pocos terminan beneficiándose de estos inventos.
A medida que la vida en sociedad se consolidaba entre grupos, se creó algo más allá de la integración entre los distintos segmentos. Se fueron implementando normas gradualmente, sofocando el libre pensamiento que antes predominaba. Y de repente, algo que debería haber sido espontáneo se convirtió en una obligación.
El sentido del deber humano es increíble. Cuando se les asigna una tarea y la consideran su misión personal, la llevan a cabo como si no hubiera otro camino a seguir. Y, para esa persona, realmente no lo hay. Viven de acuerdo con lo que se les ha determinado. Y no pueden imaginar otro destino más allá del que se les presenta.
Las costumbres y tradiciones se consolidaron tanto que, para la gran mayoría, nunca ha existido otro orden que aquel en el que crecieron. Fue la domesticación del hombre por el hombre. La humanidad nunca ha estado tan perdida como cuando se embarcó en este camino.
Gradualmente, se crearon castas sociales dentro de los grupos. Y algo artificial se volvió natural, tan natural que todos lo aceptaron como si la división de derechos y deberes hubiera sido igualitaria. No fue así. Pero la protección creada durante décadas, siglos, milenios, determinó que todo era correcto.
La servidumbre de la mayoría beneficiaba a un pequeño grupo que, desde la cima de su poder, supervisaba las acciones del grupo bajo su control. Y, sin importar cómo se gestionara ese grupo, lo que importaba era el bienestar del líder... porque era el único que tenía la capacidad de "guiar a su pueblo"...
Y ahí reside la gran ironía... cuando esta élite desarrolla algún tipo de avance que permite a sus súbditos un mínimo de comodidad, dejando de lado algunas dificultades, las masas añoran sus momentos de penuria. Porque, en su imaginación, cualquier tipo de "alivio" de su agotadora rutina podría provocar una escasez de recursos necesarios para su supervivencia.
Cada vez que el mundo avanza, creando nueva tecnología, el miedo a perder el trabajo quita el sueño a la mayoría de la gente. Y esto sucede de verdad. En ciertas tareas que antes requerían un gran contingente, un equipo más pequeño termina resolviendo el problema. Un ejemplo reciente, aunque no tan reciente, es la situación descrita al principio de este texto: hace décadas, el transporte de ganado requería un número considerable de personas. Hoy en día, un camionero realiza el mismo trabajo de forma rápida y segura. Y así progresa la humanidad.
Nuestra preocupación con cada paso que da la humanidad es: al final de esta carrera evolutiva, ¿tendrán todos las mismas oportunidades? Creo que no. Y esto es independiente de cuánto haya estudiado una persona. Porque habrá pocos empleos, ya que la automatización, el coco moderno, se habrá implementado en todas las actividades humanas. Como ya está sucediendo hoy. Y entonces…
Bueno, las cartas están sobre la mesa. Quien tenga la mejor mano se lo lleva todo. Si será bueno para todos, solo el tiempo lo dirá. Pero la humanidad siempre ha sido resiliente, ¿no?
Tania Miranda - Brasil - 08/06/2026

Comentários
Postar um comentário