AS DORES QUE HERDAMOS


AS DORES QUE HERDAMOS 

As dores que carregamos não as adquirimos quando aqui chegamos. Na verdade, as herdamos das gerações passadas. Usos e costumes são passados de pais para filhos, e aquilo que ficou mal resolvido em um tempo remoto vai ressurgir gerações à frente. Esse é o único motivo pelo qual tradições dificilmente morrem. Ficam adormecidas por algum tempo, até que, como a Hidra de Lorna, despertam para trazer dor e sofrimento a nossa realidade...

Muitas vezes nos perguntamos porque algumas ações que não fazem sentido algum são cometidas por algumas pessoas à nossa volta. Xenofobia, por exemplo. Que medo é esse que temos de pessoas como nós, que trazem como único pecado terem nascido em outros rincões? E... olha só... temos medo do povo, não da pessoa em si...

Eu citei a xenofobia, mas existem mil e uma fobias diferentes. Todas elas nos fazem agir instintivamente, classificando nossos semelhantes como "confiáveis" e "não tão confiáveis assim", movida apenas por alguma diferença de raça ou comportamento. Geralmente, vencida a etapa de aproximação, descobrimos que estas em nada diferem de nós. Temos reserva quanto a cor, gênero, raça... e a lista continua quilométrica...

Uma das lutas mais idiotas que fazem parte deste rol listado acima é a eterna briga entre os sexos. Homem contra mulher. E, nesse meio, aqueles que não se identificam com seu lado da trincheira acabam recebendo em primeira mão os golpes de um desferido contra o outro. Se há algo que não dá para entender é essa ojeriza que se arrasta por séculos, sem solução. E não dá para entender por um único motivo... os dois são complemento um do outro, o homem sem a mulher não existiria. E o inverso também é verdade. 

Somos dois em um, um em dois. Apenas metade do todo. Para que nos completemos, é necessária a junção dos dois. E só nesse momento o milagre da criação pode acontecer. Um não é mais importante que o outro. Os dois tem o mesmo peso quando se fala da perpetuação da espécie.

Algumas almas alegam que a mulher é mais importante porque carrega a nova vida em seu seio por um bom tempo. Mas essa nova vida só se iniciou após a comunhão dos dois corpos. Não houve uma geração espontânea. E, se o parceiro não cumpriu sua parte depois da fecundação, mesmo assim ele não perde sua importância. Porque ele foi necessário para que o processo se iniciasse.

Esse é um dos vários paradoxos da Sociedade. Porque as pessoas se renegam tanto?  Porque alguns homens se acham superiores às mulheres, porque algumas mulheres se acham superiores aos homens? Nenhum dos dois tem, sozinho, o poder de criar uma nova vida. E, depois desta criada, o ideal é que os dois permaneçam juntos, para dar um norte para seu descendente. Infelizmente, nem sempre isso acontece...

Talvez a origem disso tudo esteja lá no início de nossa história neste lado da existência... quando a vida era mais complicada do ponto de vista da sobrevivência, quando a raça humana tinha que lutar contra inimigos mais fortes, quando a raça humana ainda não se encontrava no topo da escala evolutiva. Pode ser...

Ou, quem sabe, quando começou a se fixar em determinado território, expulsando antigos moradores daqueles locais... quando passou à condição de "conquistador". Pode ser. Afinal, por vários períodos da história os representantes masculinos da espécie humana ficavam meses a fio afastados da família, em campanhas de conquista de novos territórios. E as mulheres ficavam sozinhas em seu lar, responsáveis por manter a casa funcional e cuidando de seus filhos.

Talvez venha dessas fases da história essa divisão entre os sexos. Afinal, houve momentos em que os dois se encontravam apenas por alguns momentos. E, claro, cada um dava à sua participação o peso que pensava merecer. E exigia do outro que reconhecesse tal condição.

Sabemos, através da história, que houve povos regidos pelo Matriarcado e povos regidos pelo Patriarcado. Não podemos dizer qual dos dois era melhor ou pior, pois na verdade não importa quem está no comando. Importa o Bem Maior, que é sempre a sobrevivência do Grupo como um todo. E se nesse processo houver necessidade de se sacrificar alguns peões do tabuleiro, tal será feito.

Quando há a transição de um Regime para o outro, a Sociedade mergulha em um Estado de Caos que somente se resolverá quando essa transição se findar. Mas é um processo lento para os padrões humanos. Quem inicia a revolução dificilmente verá os resultados em sua vida. Quem finaliza o processo não faz a menor ideia do que levou a pessoa do passado iniciar tal luta. Apenas colhe os resultados. Mas muitas vezes não compreende a profundidade dos motivos que levaram a desencadear essa revolução.

Sim, não há homogeneidade global quanto ao que ocorre neste. Podemos viver vários tipos de Regime espalhados pelos vários grupos sociais. Mas sempre haverá um grupo que se sobressai. E este será o guia da maioria para se chegar ao resultado esperado. Que é lento, muito lento. E nesse meio tempo sempre haverá aqueles que lutarão contra as mudanças que o tempo impõe. E novas dores serão criadas, para que as gerações vindouras tentem resolver...

Tania Miranda   --   Brasil  --  15/06/2026   

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THE PAINS WE INHERIT

The pains we carry are not acquired when we arrive here. In fact, we inherit them from past generations. Customs and traditions are passed down from parents to children, and what was left unresolved in a distant time will resurface generations later. This is the only reason why traditions rarely die. They lie dormant for a while, until, like the Hydra of Lorna, they awaken to bring pain and suffering to our reality...

We often wonder why some actions that make no sense at all are committed by some people around us. Xenophobia, for example. What fear do we have of people like us, whose only sin is having been born in other corners of the world? And... look... we are afraid of the people, not the person themselves...

I mentioned xenophobia, but there are a thousand and one different phobias. All of them make us act instinctively, classifying our fellow human beings as "trustworthy" and "not so trustworthy," driven only by some difference in race or behavior. Generally, once the initial stages of getting closer are overcome, we discover that these women are no different from us. We have reservations about color, gender, race... and the list goes on and on...

One of the most idiotic struggles that is part of this list above is the eternal fight between the sexes. Man against woman. And, in the middle of all this, those who don't identify with their side of the trench end up receiving firsthand the blows of one against the other. If there's one thing that's incomprehensible, it's this aversion that has dragged on for centuries, without a solution. And it's incomprehensible for one simple reason... the two complement each other; man without woman would not exist. And the reverse is also true.

We are two in one, one in two. Only half of the whole. For us to complete each other, the union of the two is necessary. And only at that moment can the miracle of creation happen. One is not more important than the other. Both have the same weight when it comes to the perpetuation of the species.

Some souls claim that the woman is more important because she carries the new life in her womb for a long time. But this new life only began after the union of the two bodies. There was no spontaneous generation. And, if the partner did not fulfill his part after fertilization, he still does not lose his importance. Because he was necessary for the process to begin.

This is one of the many paradoxes of society. Why do people reject each other so much? Why do some men consider themselves superior to women, why do some women consider themselves superior to men? Neither of them has, alone, the power to create a new life. And, after this life is created, ideally the two should remain together, to provide guidance for their offspring. Unfortunately, this does not always happen...

Perhaps the origin of all this lies at the beginning of our history on this side of existence... when life was more complicated from the point of view of survival, when the human race had to fight against stronger enemies, when the human race was not yet at the top of the evolutionary scale. It could be...

Or, perhaps, when they began to settle in a particular territory, expelling the former inhabitants of those places... when they became "conquerors." It could be. After all, for various periods in history, the male representatives of the human species spent months on end away from their families, on campaigns to conquer new territories. And the women were left alone in their homes, responsible for keeping the house functional and caring for their children.

Perhaps this division between the sexes comes from these phases of history. After all, there were times when the two met only briefly. And, of course, each gave their participation the weight they thought it deserved. And demanded that the other recognize this condition.

We know, through history, that there were peoples ruled by Matriarchy and peoples ruled by Patriarchy. We cannot say which of the two was better or worse, because in truth it doesn't matter who is in command. What matters is the Greater Good, which is always the survival of the Group as a whole. And if in this process it is necessary to sacrifice some pawns on the board, so be it. When a transition occurs from one regime to another, society plunges into a state of chaos that will only be resolved when this transition is complete. But it is a slow process by human standards. Those who initiate the revolution will rarely see the results in their lives. Those who finish the process have no idea what led the person in the past to begin such a struggle. They only reap the results. But often they do not understand the depth of the reasons that led to triggering this revolution.

Yes, there is no global homogeneity regarding what happens in this. We can experience various types of regimes spread across different social groups. But there will always be one group that stands out. And this will be the guide for the majority to achieve the expected result. Which is slow, very slow. And in the meantime, there will always be those who fight against the changes that time imposes. And new pains will be created, for future generations to try to resolve...

Tania Miranda -- Brazil -- 06/15/2026

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LOS DOLORES QUE HEREDAMOS

Los dolores que cargamos no se adquieren al llegar aquí. De hecho, los heredamos de generaciones pasadas. Las costumbres y tradiciones se transmiten de padres a hijos, y lo que quedó sin resolver en tiempos remotos resurge generaciones después. Esta es la única razón por la que las tradiciones rara vez mueren. Permanecen latentes durante un tiempo, hasta que, como la Hidra de Lorna, despiertan para traer dolor y sufrimiento a nuestra realidad...

A menudo nos preguntamos por qué algunas personas a nuestro alrededor cometen actos que carecen de sentido. La xenofobia, por ejemplo. ¿Qué miedo tenemos a personas como nosotros, cuyo único pecado es haber nacido en otros rincones del mundo? Y... miren... tememos a las personas, no a las personas en sí...

Mencioné la xenofobia, pero existen mil y una fobias diferentes. Todas ellas nos llevan a actuar instintivamente, clasificando a nuestros semejantes como "dignos de confianza" o "no tan dignos de confianza", impulsados ​​únicamente por alguna diferencia de raza o comportamiento. Generalmente, una vez superadas las etapas iniciales de acercamiento, descubrimos que estas mujeres no son diferentes a nosotros. Tenemos reservas sobre el color, el género, la raza... y la lista continúa.

Una de las luchas más absurdas de esta lista es la eterna contienda entre los sexos: hombre contra mujer. Y, en medio de todo esto, quienes no se identifican con su bando terminan sufriendo las consecuencias. Si hay algo incomprensible, es esta aversión que se ha prolongado durante siglos sin solución. Y es incomprensible por una simple razón: ambos se complementan; el hombre sin la mujer no existiría. Y lo contrario también es cierto.

Somos dos en uno, uno en dos. Solo la mitad del todo. Para que nos completemos, la unión de ambos es necesaria. Y solo en ese momento puede ocurrir el milagro de la creación. Ninguno es más importante que el otro. Ambos tienen el mismo peso en lo que respecta a la perpetuación de la especie. Algunas personas afirman que la mujer es más importante porque lleva la nueva vida en su vientre durante mucho tiempo. Pero esta nueva vida solo comenzó tras la unión de los dos cuerpos. No hubo generación espontánea. Y, si bien la pareja no cumplió su función tras la fecundación, no por ello pierde importancia, pues fue necesaria para que el proceso se iniciara.

Esta es una de las muchas paradojas de la sociedad. ¿Por qué las personas se rechazan tanto entre sí? ¿Por qué algunos hombres se consideran superiores a las mujeres, y por qué algunas mujeres se consideran superiores a los hombres? Ninguno de los dos tiene, por sí solo, el poder de crear una nueva vida. Y, una vez creada, lo ideal sería que ambos permanecieran juntos para guiar a su descendencia. Desafortunadamente, esto no siempre sucede…

Quizás el origen de todo esto se encuentre en los inicios de nuestra historia, en esta etapa de la existencia… cuando la vida era más compleja desde el punto de vista de la supervivencia, cuando la raza humana tenía que luchar contra enemigos más poderosos, cuando aún no se encontraba en la cima de la escala evolutiva. Podría ser...

O, tal vez, cuando comenzaron a asentarse en un territorio determinado, expulsando a sus antiguos habitantes... cuando se convirtieron en "conquistadores". Podría ser. Después de todo, durante diversos periodos de la historia, los hombres pasaron meses enteros lejos de sus familias, en campañas para conquistar nuevos territorios. Y las mujeres se quedaban solas en sus hogares, responsables de mantener la casa en funcionamiento y cuidar de sus hijos.

Quizás esta división entre los sexos provenga de estas fases de la historia. Al fin y al cabo, hubo épocas en que ambos sexos se encontraron solo brevemente. Y, por supuesto, cada uno le dio a su participación la importancia que creía merecer. Y exigió que el otro reconociera esta condición.

Sabemos, a través de la historia, que hubo pueblos gobernados por el matriarcado y pueblos gobernados por el patriarcado. No podemos decir cuál de los dos fue mejor o peor, porque en realidad no importa quién esté al mando. Lo que importa es el bien común, que siempre es la supervivencia del grupo en su conjunto. Y si en este proceso es necesario sacrificar algunos peones en el tablero, que así sea. Cuando se produce una transición de un régimen a otro, la sociedad se sumerge en un estado de caos que solo se resolverá cuando esta transición se complete. Pero es un proceso lento para los estándares humanos. Quienes inician la revolución rara vez ven los resultados en vida. Quienes finalizan el proceso no tienen idea de qué llevó a la persona del pasado a iniciar tal lucha. Solo cosechan los resultados. Pero a menudo no comprenden la profundidad de las razones que llevaron a desencadenar esta revolución.

Sí, no existe una homogeneidad global respecto a lo que sucede en este ámbito. Podemos experimentar diversos tipos de regímenes que se extienden a distintos grupos sociales. Pero siempre habrá un grupo que destaque. Y este servirá de guía para que la mayoría alcance el resultado esperado. Un resultado lento, muy lento. Y mientras tanto, siempre habrá quienes se resistan a los cambios que impone el tiempo. Y se crearán nuevos problemas que las futuras generaciones deberán intentar resolver...

Tania Miranda - Brasil - 15/06/2026

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