E CHEGAMOS À PRIMAVERA…


 

E CHEGAMOS À PRIMAVERA…

 

E chegamos à primavera, a Estação das Flores… passamos por todo o Inverno, onde o frio é a marca registrada… o fim de um ciclo e o começo de um novo…é quando a Natureza se renova, dando-nos a graça de apreciar a beleza que o mundo nos oferta… pena que nem sempre estamos dispostos a aceitar esse presente tão lindo… pois estamos de tal forma envoltos em nossos problemas pessoais… picuinhas que em nada influenciam na vida.. que ficamos cegos, nos privando de admirar tudo aquilo que o Universo nos proporciona…

Nossa gana de vencer na vida, seja lá o que isso quer dizer, nos faz mesquinhos de tal forma que acabamos por não apreciar as coisas simples que o Mundo nos oferece. Quantas vezes um pássaro cantou em nossa janela e nós, tão absortos em resolver problemas que nós mesmo criamos, sequer percebemos a presença da avezinha que veio nos presentear com sua beleza natural? Pois não existe nada mais belo que o canto dos pássaros, festejando a Vida e a Natureza…

Estamos de tal forma fora de sintonia com a Vida que, se em nosso quintal tiver um pedacinho de terra e neste nascer qualquer tipo de planta que consideremos não importante para nós, imediatamente a arrancamos, ceifando sua vida. E para que não tenhamos que sujar nossos lindos pezinhos com a lama que a chuva provavelmente fará, tratamos de cimentar o local… sim, não queremos encontrar terra molhada… afinal, não podemos enlamear nossos sapatos, nem o átrio de nossa casa… afinal, limpar dá muito trabalho, não é mesmo?..

Vivermos na Cidade nos faz perder a sintonia que tínhamos com a terra. Quanto mais tempo afastados da vida simples do campo, mais insensíveis à Natureza nos tornamos. Eu sei disso. Vivi esses momentos em minha infância e, no correr do tempo, fui percebendo a Natureza se deteriorar a minha volta…

O bairro onde moro desde minha primeira infância mudou muito com a passagem dos anos. Há anos atrás essa era uma região dominada pelo verde, onde você tinha flores e frutos em abundância, todos ofertados graciosamente pela Natureza. Você não precisava plantar… bastava cuidar para que a floresta permanecesse a salvo da ganância humana. Tínhamos frutos variados… maracujá roxo, doce como mel… bem diferente do maracujá branco, que é azedo… juás, amoras brancas, ameixas (que algumas pessoas insistem em chamar de nêsperas), morangos, tuncum, gabiroba, ananás… tudo em estado selvagem, crescendo em meio à vegetação cheia de flores de todos os tipos e perfumes… rosas, palmas, dálias, sempre vivas, girassóis, hortências… sim, aqui era o Paraíso na terra…

Quando a Primavera se anunciava e as primeiras chuvas caiam, a gente ouvia o coaxar dos sapos, moradores das lagoas e regatos que existiam em abundância a nossa volta. De vez em quando uma serpente até invadia nossos lares, mas aqui era o ambiente delas. Claro que pagavam caro por sua ousadia, sendo mortas sem peso na consciência. Afinal, eram venenosas. E se houvesse um acidente envolvendo tais bichos peçonhentos, a morte era quase certa. Mas não havia tanto encontro com estas. Acredito que em toda a minha vida tivemos o desprazer de cruzar nossos caminhos no máximo umas duas ou três vezes, se tanto…

O gostoso desse mundo selvagem no qual cresci eram os formigueiros construídos pelas saúvas. Esses eram nossos alvos favoritos… afinal, na primeira trovoada da primavera havia a revoada das Içás, ou Tanajuras, como a maioria das pessoas conhece. Bem, nesse dia era festa por toda a região. Todas as crianças e mulheres seguiam em direção aos formigueiros com uma lata ou um balde e iam “colher” as Iças que ainda estavam saindo de seu antigo ninho. Essas criaturinhas viravam ingrediente de uma farofa à base de farinha de mandioca e eram consumidas vorazmente… não sei se teria coragem de comer tal acepipe nos dias de hoje, que estou mais civilizada. Mas, em minha infância, não tinha iguaria mais apetitosa que esta. Mesmo porque era algo para ser consumido apenas uma vez por ano…

Toda a redondeza ficava enfeitada com as flores da região… tanto as plantadas nos quintais quanto aquelas que cresciam no meio da mata. E as pessoas cuidavam da Natureza. Naquela época a comida era feita no fogão de lenha, mas as pessoas, quando iam colhê-la, davam preferencia à madeira já caída pelo vento ou pela idade… pegavam somente a lenha já seca, para os afazeres do dia a dia…

Sim, havia respeito pelo mundo selvagem que existia ao nosso redor. Vivíamos em sintonia com aquilo que a Natureza nos ofertava. A água pura da fonte,  as ervas que serviam de remédio para diversos males, as ervas usadas como verdura, que eram parte do nosso cardápio… sim, a Natureza nos proporcionava praticamente tudo aquilo que precisávamos para sobreviver. Sim, se caçava animais para incrementar nossa refeição, mas respeitávamos a vida ao máximo. Cuidávamos dela como o bem precioso que realmente é… e ela, em troca, nos fornecia aquilo do que necessitávamos.

Mas o progresso foi chegando. Pouco a pouco as árvores foram sendo derrubadas, dando lugar a prédios, tanto industriais quanto residenciais. Os mananciais foram sendo soterrados, afinal, as minas estavam atrapalhando o avanço do progresso. E com essa nova mentalidade, as pessoas começaram a se desligar daquele sentimento primitivo. E passaram a auxiliar na destruição daquilo que era seu patrimônio mais importante. Chegou um momento em que a gana por cimentar tudo para que não se sujasse nem os pés nem a casa virou febre entre todos… e hoje, ao invés de termos pequenas poças imitando lagos depois da chuva, quando a grama emanava um perfume gostoso e as libélulas ficavam a brincar entre suas folhagens, hoje temos apenas inundações, pois a água que vem do céu não encontra mais escoadouro entre a terra…

Chegamos à Primavera… ainda temos alguns pés de flores plantados em poucos lugares…mas o zum zum das abelhas não é mais ouvido a muito tempo. Ainda temos um pouco de vegetação nas margens da represa, próxima a minha casa. Mas que com certeza não resistirá ao avanço do progresso nos próximos anos… afinal o Córrego Azul que cortava minha região acabou se tornando apenas nome de rua, lembrado apenas por pessoa que viveram em outra era, que tiveram o prazer de ver os guaruzinhos crescerem na pequena lagoa que se tornava um regato e desaguava na represa que acabei de citar. O taboal que existia onde esse córrego nascia a muito foi drenado, dando lugar a um hospital que poderia muito bem ser construído em outro local, sem necessidade de destruir algo tão importante para a vida…

Chegamos à Primavera. Rezo a Deus todos os dias, pedindo a Ele que as pessoas acordem de seu estado letárgico e percebam que, se continuarmos por esse caminho onde apenas destruímos a Natureza em busca de uma quimera que em nada nos auxiliará, estamos nos condenando e aos outros moradores desse Paraíso no qual estamos inseridos à extinção…

Que esta Primavera que ora se inicia toque o coração das pessoas e que elas se apercebam de que, sem a Natureza, nada somos além de zumbis vagando pela escuridão até cairmos no Precipício sem Fim…

Que todos percebam que, sem a vegetação que tão insistentemente cresce a nossa volta, nosso destino será o Esquecimento… pois uma hora a Natureza se cansará de tentar nos salvar de nós mesmos…

E chegamos à Primavera…

Tania Miranda   -   Brasil   -   24/09/2025    

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AND WE HAVE ARRIVED IN SPRING...


And we have arrived at spring, the Season of Flowers... we have passed through the entire winter, where cold is the hallmark... the end of a cycle and the beginning of a new one... it is when Nature renews itself, giving us the grace to appreciate the beauty the world offers us... it's a shame that we are not always willing to accept this beautiful gift... because we are so wrapped up in our personal problems... petty matters that have no impact on life... that we become blind, depriving ourselves of admiring all that the Universe offers us...

Our desire to succeed in life, whatever that means, makes us petty to the point that we end up not appreciating the simple things the world offers us. How many times has a bird sung at our window and we, so absorbed in solving problems of our own creation, didn't even notice the presence of the little bird that came to gift us with its natural beauty? For there is nothing more beautiful than the song of birds, celebrating Life and Nature…

We are so out of tune with Life that, if there's a small patch of land in our backyard and a plant we consider unimportant grows in it, we immediately uproot it, taking its life. And so we don't have to get our pretty little feet dirty with the mud the rain will likely create, we cement the spot… yes, we don't want to find wet earth… after all, we can't get our shoes or the hallway of our house muddy… after all, cleaning is a lot of work, isn't it?

Living in the city makes us lose the connection we once had with the earth. The longer we spend away from the simple life of the countryside, the more insensitive to Nature we become. I know this. I experienced these moments in my childhood, and over time, I noticed Nature deteriorating around me…

The neighborhood where I've lived since my early childhood has changed a lot over the years. Years ago, this was a region dominated by greenery, where flowers and fruits abounded, all graciously offered by Nature. There was no need to plant… all you had to do was care to keep the forest safe from human greed. We had a variety of fruits… purple passion fruit, sweet as honey… quite different from the white passion fruit, which is sour… juás, white mulberries, plums (which some people insist on calling loquats), strawberries, tuncum, gabiroba, pineapple… all in their wild state, growing amidst vegetation teeming with flowers of every kind and scent… roses, palms, dahlias, everlastings, sunflowers, hydrangeas… yes, this was Paradise on earth…

When spring arrived and the first rains fell, we heard the croaking of frogs, inhabitants of the ponds and streams that abounded around us. Occasionally, a snake would even invade our homes, but this was their habitat. Of course, they paid dearly for their audacity, being killed without a guilty conscience. After all, they were poisonous. And if an accident involved such venomous creatures, death was almost certain. But there weren't many encounters with them. I believe that in my entire life, we had the misfortune of crossing paths two or three times at most, if that...

The joy of this wild world I grew up in were the anthills built by the leafcutter ants. These were our favorite targets... after all, the first thunderstorm of spring would bring in the swarm of Içás, or Tanajuras, as most people know them. Well, that day was a celebration throughout the region. All the children and women would head to the anthills with a can or a bucket and "collect" the Iças that were still emerging from their old nest. These little creatures became an ingredient in a cassava flour-based farofa and were consumed voraciously… I don't know if I'd have the courage to eat such a delicacy these days, now that I'm more civilized. But, in my childhood, there was no delicacy more appetizing than this. Especially since it was something to be eaten only once a year…

The entire neighborhood was adorned with the region's flowers… both those planted in backyards and those growing in the forest. And people cared for Nature. Back then, food was cooked on a wood stove, but when people went to harvest it, they preferred wood already fallen by the wind or by age… they only used dry wood for daily chores…

Yes, there was respect for the wild world that existed around us. We lived in harmony with what Nature offered us. The pure spring water, the herbs that served as remedies for various ailments, the herbs used as vegetables, which were part of our diet… yes, Nature provided us with practically everything we needed to survive. Yes, we hunted animals to enhance our diet, but we respected life to the utmost. We cared for it as the precious gift it truly is… and it, in return, provided us with everything we needed.

But progress arrived. Little by little, trees were cut down, making way for buildings, both industrial and residential. Springs were being buried; after all, the mines were hindering the advance of progress. And with this new mentality, people began to detach themselves from that primitive feeling. And they began to contribute to the destruction of what was their most important heritage. There came a time when the desire to cement everything so as not to get dirty either on their feet or in their homes became a craze among everyone... and today, instead of having small puddles imitating lakes after the rain, when the grass would exude a pleasant scent and dragonflies would play among its leaves, today we only have floods, because the water that comes from the sky no longer finds an outlet in the earth...

Spring has arrived... we still have a few flower bushes planted in a few places... but the buzzing of the bees has long since disappeared. We still have some vegetation on the banks of the reservoir, near my house. But it certainly won't withstand the advance of progress in the coming years... after all, the Córrego Azul that ran through my region ended up becoming just a street name, remembered only by people who lived in another era, who had the pleasure of watching the guaruzinhos grow in the small pond that became a stream and flowed into the dam I just mentioned. The reedbed that once existed where this stream began was drained long ago, making way for a hospital that could easily have been built elsewhere, without the need to destroy something so vital to life...

We have reached Spring. I pray to God every day, asking Him to wake people from their lethargic state and realize that if we continue down this path of destroying Nature in pursuit of a chimera that will do nothing to help us, we are condemning ourselves and the other inhabitants of this Paradise in which we are embedded to extinction…

May this Spring that is now beginning touch people's hearts and may they realize that, without Nature, we are nothing more than zombies wandering through the darkness until we fall into the Endless Precipice…

May everyone realize that, without the vegetation that so insistently grows around us, our destiny will be Oblivion… for at some point Nature will tire of trying to save us from ourselves…

And we have reached Spring…

Tania Miranda - Brazil - September 24, 2025

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Y HEMOS LLEGADO A LA PRIMAVERA...

Y hemos llegado a la primavera, la Estación de las Flores... hemos pasado todo el invierno, donde el frío es el sello distintivo... el fin de un ciclo y el comienzo de uno nuevo... es cuando la Naturaleza se renueva, dándonos la gracia de apreciar la belleza que el mundo nos ofrece... es una pena que no siempre estemos dispuestos a aceptar este hermoso regalo... porque estamos tan enfrascados en nuestros problemas personales... asuntos insignificantes que no tienen impacto en la vida... que nos cegamos, privándonos de admirar todo lo que el Universo nos ofrece...

Nuestro deseo de triunfar en la vida, sea lo que sea que eso signifique, nos vuelve mezquinos hasta el punto de que terminamos sin apreciar las cosas simples que el mundo nos ofrece. ¿Cuántas veces ha cantado un pájaro en nuestra ventana y nosotros, tan absortos en resolver problemas de nuestra propia creación, ni siquiera notamos la presencia del pajarito que vino a regalarnos su belleza natural? Porque no hay nada más hermoso que el canto de los pájaros, celebrando la Vida y la Naturaleza…

Estamos tan desconectados de la Vida que, si hay un pequeño terreno en nuestro jardín y crece una planta que consideramos insignificante, la arrancamos de inmediato, quitándole la vida. Y para no ensuciarnos los pies con el barro que probablemente creará la lluvia, cementamos el lugar… sí, no queremos encontrar tierra mojada… después de todo, no podemos ensuciar nuestros zapatos ni el pasillo de nuestra casa… después de todo, limpiar da mucho trabajo, ¿no?

Vivir en la ciudad nos hace perder la conexión que una vez tuvimos con la tierra. Cuanto más tiempo pasamos lejos de la vida sencilla del campo, más insensibles nos volvemos a la Naturaleza. Lo sé. Viví esos momentos en mi infancia y, con el tiempo, noté cómo la Naturaleza se deterioraba a mi alrededor…

El barrio donde he vivido desde mi infancia ha cambiado mucho con los años. Hace años, esta era una región dominada por el verdor, donde abundaban las flores y los frutos, todos ofrecidos generosamente por la naturaleza. No hacía falta plantar… bastaba con cuidar el bosque para protegerlo de la avaricia humana. Teníamos una variedad de frutas… maracuyá morado, dulce como la miel… muy diferente del maracuyá blanco, que es ácido… juás, moras blancas, ciruelas (que algunos insisten en llamar nísperos), fresas, tuncum, gabiroba, piña… todas en su estado silvestre, creciendo entre una vegetación repleta de flores de todo tipo y aroma… rosas, palmeras, dalias, siemprevivas, girasoles, hortensias… sí, esto era el paraíso terrenal…

Cuando llegó la primavera y cayeron las primeras lluvias, oíamos el croar de las ranas, habitantes de los estanques y arroyos que abundaban a nuestro alrededor. De vez en cuando, alguna serpiente incluso invadía nuestras casas, pero este era su hábitat. Por supuesto, pagaron caro su audacia, siendo asesinadas sin remordimientos. Después de todo, eran venenosas. Y si un accidente involucraba a criaturas tan venenosas, la muerte era casi segura. Pero no hubo muchos encuentros con ellas. Creo que en toda mi vida, tuvimos la desgracia de cruzarnos dos o tres veces como máximo, si acaso...

La alegría de este mundo salvaje en el que crecí eran los hormigueros construidos por las hormigas cortadoras de hojas. Eran nuestros blancos favoritos... después de todo, la primera tormenta de primavera traía consigo el enjambre de Içás, o Tanajuras, como la mayoría las conoce. Bueno, ese día era una celebración en toda la región. Todos los niños y mujeres iban a los hormigueros con una lata o un cubo y "recogían" las Iças que aún salían de su antiguo nido. Estas pequeñas criaturas se convirtieron en ingrediente de una farofa a base de harina de yuca y se consumían vorazmente... No sé si tendría el valor de comer semejante manjar hoy en día, ahora que soy más civilizado. Pero, en mi infancia, no había manjar más apetitoso que este. Sobre todo porque era algo que solo se comía una vez al año…

Todo el barrio estaba adornado con las flores de la región… tanto las que se plantaban en los patios traseros como las que crecían en el bosque. Y la gente cuidaba la naturaleza. En aquel entonces, la comida se cocinaba en un horno de leña, pero cuando iban a cosecharla, preferían la madera ya caída por el viento o por su edad… solo usaban leña seca para las tareas diarias…

Sí, había respeto por el mundo salvaje que nos rodeaba. Vivíamos en armonía con lo que la naturaleza nos ofrecía. El agua pura de manantial, las hierbas que servían como remedios para diversas dolencias, las hierbas que se usaban como vegetales, que formaban parte de nuestra dieta… sí, la naturaleza nos proporcionaba prácticamente todo lo que necesitábamos para sobrevivir. Sí, cazábamos animales para enriquecer nuestra dieta, pero respetábamos la vida al máximo. La cuidábamos como el preciado regalo que realmente es… y ella, a cambio, nos proporcionaba todo lo que necesitábamos.

Pero llegó el progreso. Poco a poco, se talaron árboles, dando paso a edificios, tanto industriales como residenciales. Se enterraban manantiales; al fin y al cabo, las minas obstaculizaban el avance del progreso. Y con esta nueva mentalidad, la gente empezó a desprenderse de ese sentimiento primitivo. Y empezó a contribuir a la destrucción de lo que era su patrimonio más importante. Llegó un momento en que el deseo de cementarlo todo para no ensuciarse ni los pies ni las casas se convirtió en una locura entre todos... y hoy, en lugar de tener pequeños charcos que imitaban lagos después de la lluvia, cuando la hierba desprendía un agradable aroma y las libélulas jugaban entre sus hojas, hoy solo tenemos inundaciones, porque el agua que baja del cielo ya no encuentra salida en la tierra...

Ha llegado la primavera... todavía tenemos algunos arbustos de flores plantados en algunos lugares... pero el zumbido de las abejas desapareció hace tiempo. Aún tenemos algo de vegetación en las orillas del embalse, cerca de mi casa. Pero sin duda no resistirá el avance del progreso en los próximos años... después de todo, el Córrego Azul que atravesaba mi región terminó siendo solo un nombre de calle, recordado solo por quienes vivieron en otra época, quienes tuvieron el placer de ver crecer los guaruzinhos en el pequeño estanque que se convirtió en arroyo y desembocó en la presa que acabo de mencionar. El carrizal que una vez existió donde nacía este arroyo fue drenado hace mucho tiempo, dando paso a un hospital que fácilmente podría haberse construido en otro lugar, sin necesidad de destruir algo tan vital para la vida...

Hemos llegado a la primavera. Rezo a Dios todos los días, pidiéndole que despierte a la gente de su letargo y que comprenda que si continuamos por este camino de destrucción de la Naturaleza en pos de una quimera que no nos ayudará en nada, nos estamos condenando a la extinción, a nosotros mismos y a los demás habitantes de este Paraíso en el que estamos inmersos…

Que esta Primavera que ahora comienza toque el corazón de las personas y que se den cuenta de que, sin la Naturaleza, no somos más que zombis vagando en la oscuridad hasta caer en el Precipicio Infinito…

Que todos comprendan que, sin la vegetación que crece con tanta insistencia a nuestro alrededor, nuestro destino será el Olvido… porque en algún momento la Naturaleza se cansará de intentar salvarnos de nosotros mismos…

Y hemos llegado a la Primavera…

Tania Miranda - Brasil - 24 de septiembre de 2025

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E SIAMO ARRIVATI ALLA PRIMAVERA...

E siamo arrivati ​​alla primavera, la stagione dei fiori... abbiamo attraversato tutto l'inverno, dove il freddo è il segno distintivo... la fine di un ciclo e l'inizio di uno nuovo... è quando la Natura si rinnova, donandoci la grazia di apprezzare la bellezza che il mondo ci offre... è un peccato che non siamo sempre disposti ad accettare questo splendido dono... perché siamo così presi dai nostri problemi personali... da questioni insignificanti che non hanno alcun impatto sulla vita... che diventiamo ciechi, privandoci di ammirare tutto ciò che l'Universo ci offre...

Il nostro desiderio di avere successo nella vita, qualunque cosa significhi, ci rende meschini al punto che finiamo per non apprezzare le cose semplici che il mondo ci offre. Quante volte un uccellino ha cantato alla nostra finestra e noi, così assorti nel risolvere problemi da noi stessi creati, non ci siamo nemmeno accorti della presenza di quell'uccellino venuto a donarci la sua bellezza naturale? Perché non c'è niente di più bello del canto degli uccelli, che celebra la Vita e la Natura...

Siamo così fuori sintonia con la Vita che, se c'è un piccolo pezzo di terra nel nostro cortile e ci cresce una pianta che consideriamo insignificante, la sradichiamo immediatamente, togliendole la vita. E per non doverci sporcare i piedini con il fango che la pioggia probabilmente creerà, cementiamo il posto... sì, non vogliamo trovare terra bagnata... dopotutto, non possiamo sporcarci le scarpe o il corridoio di casa... dopotutto, pulire è un bel lavoro, no?

Vivere in città ci fa perdere il legame che un tempo avevamo con la terra. Più tempo trascorriamo lontani dalla vita semplice della campagna, più diventiamo insensibili alla Natura. Lo so. Ho vissuto questi momenti durante la mia infanzia e, col tempo, ho notato che la Natura intorno a me si stava deteriorando...

Il quartiere in cui ho vissuto fin dalla prima infanzia è cambiato molto nel corso degli anni. Anni fa, questa era una regione dominata dal verde, dove fiori e frutti abbondavano, tutti generosamente offerti dalla Natura. Non c'era bisogno di piantare... bastava solo prendersi cura della foresta, proteggendola dall'avidità umana. Avevamo una varietà di frutti... il frutto della passione viola, dolce come il miele... ben diverso dal frutto della passione bianco, che è aspro... juás, gelsi bianchi, prugne (che alcuni insistono a chiamare nespole), fragole, tuncum, gabiroba, ananas... tutti allo stato selvatico, che crescevano in mezzo a una vegetazione brulicante di fiori di ogni tipo e profumo... rose, palme, dalie, elicrisi, girasoli, ortensie... sì, questo era il Paradiso in terra...

Quando arrivò la primavera e caddero le prime piogge, udimmo il gracidio delle rane, abitanti degli stagni e dei ruscelli che abbondavano intorno a noi. Ogni tanto, un serpente invadeva persino le nostre case, ma quello era il loro habitat. Naturalmente, pagarono caro la loro audacia, venendo uccisi senza rimorsi di coscienza. Dopotutto, erano velenose. E se un incidente coinvolgeva creature così velenose, la morte era quasi certa. Ma non ci sono stati molti incontri con loro. Credo che in tutta la mia vita abbiamo avuto la sfortuna di incrociarci al massimo due o tre volte, se non di più...

La gioia di questo mondo selvaggio in cui sono cresciuto erano i formicai costruiti dalle formiche tagliafoglie. Erano i nostri bersagli preferiti... dopotutto, il primo temporale di primavera portava con sé lo sciame di Içás, o Tanajuras, come la maggior parte delle persone li conosce. Beh, quel giorno era una festa in tutta la regione. Tutti i bambini e le donne si dirigevano ai formicai con una lattina o un secchio e "raccoglievano" le Içás che ancora emergevano dal loro vecchio nido. Queste piccole creature diventavano l'ingrediente di una farofa a base di farina di manioca e venivano consumate voracemente... Non so se avrei il coraggio di mangiare una tale prelibatezza oggigiorno, ora che sono più civilizzato. Ma, nella mia infanzia, non esisteva prelibatezza più appetitosa di questa. Soprattutto perché si mangiava solo una volta all'anno...

Tutto il quartiere era adornato con i fiori della regione... sia quelli piantati nei cortili che quelli che crescevano nella foresta. E la gente si prendeva cura della Natura. A quei tempi, il cibo veniva cucinato su una stufa a legna, ma quando si andava a raccoglierlo, si preferiva la legna già caduta dal vento o dal tempo... si usava solo quella secca per le faccende quotidiane...

Sì, c'era rispetto per il mondo selvaggio che esisteva intorno a noi. Vivevamo in armonia con ciò che la Natura ci offriva. L'acqua pura di sorgente, le erbe che servivano come rimedi per vari disturbi, le erbe usate come verdure, che facevano parte della nostra dieta... sì, la Natura ci forniva praticamente tutto ciò di cui avevamo bisogno per sopravvivere. Sì, cacciavamo animali per arricchire la nostra dieta, ma rispettavamo la vita al massimo. Ce ne prendevamo cura come del dono prezioso che è veramente... e lei, in cambio, ci forniva tutto ciò di cui avevamo bisogno.

Ma il progresso arrivò. A poco a poco, gli alberi furono abbattuti, per far posto a edifici, sia industriali che residenziali. Le sorgenti furono interrate; dopotutto, le miniere ostacolavano l'avanzata del progresso. E con questa nuova mentalità, le persone iniziarono a staccarsi da quel sentimento primitivo. E iniziarono a contribuire alla distruzione di quello che era il loro patrimonio più importante. Arrivò un tempo in cui il desiderio di cementare tutto per non sporcarsi né ai piedi né in casa divenne una mania tra tutti... e oggi, invece di avere piccole pozzanghere che imitavano i laghi dopo la pioggia, quando l'erba emanava un profumo gradevole e le libellule giocavano tra le sue foglie, oggi abbiamo solo inondazioni, perché l'acqua che viene dal cielo non trova più sfogo nella terra...

La primavera è arrivata... abbiamo ancora qualche cespuglio di fiori piantato in alcuni punti... ma il ronzio delle api è scomparso da tempo. Abbiamo ancora un po' di vegetazione sulle rive del bacino idrico, vicino a casa mia. Ma di certo non resisterà all'avanzare del progresso negli anni a venire... dopotutto, il Córrego Azul che attraversava la mia regione finì per diventare solo il nome di una strada, ricordato solo da chi viveva in un'altra epoca, che aveva il piacere di osservare i guaruzinhos crescere nel piccolo stagno che divenne un ruscello e sfociò nella diga di cui ho appena parlato. Il canneto che un tempo sorgeva dove nasceva questo ruscello è stato prosciugato molto tempo fa, per far posto a un ospedale che avrebbe potuto essere facilmente costruito altrove, senza la necessità di distruggere qualcosa di così vitale per la vita...

Siamo arrivati ​​alla primavera. Prego Dio ogni giorno, chiedendoGli di svegliare le persone dal loro stato letargico e di realizzare che se continuiamo su questa strada di distruzione della Natura alla ricerca di una chimera che non ci aiuterà in nulla, stiamo condannando noi stessi e gli altri abitanti di questo Paradiso in cui siamo immersi all'estinzione...

Che questa Primavera che sta iniziando tocchi il cuore delle persone e che possano rendersi conto che, senza la Natura, non siamo altro che zombie che vagano nell'oscurità fino a cadere nel Precipizio Infinito...

Che tutti si rendano conto che, senza la vegetazione che cresce così insistentemente intorno a noi, il nostro destino sarà l'Oblio... perché a un certo punto la Natura si stancherà di cercare di salvarci da noi stessi...

E siamo arrivati ​​alla Primavera...

Tania Miranda - Brasile - 24 settembre 2025

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JA OLEMME SAAPUNEET KEVÄÄN...

Ja olemme saapuneet kevääseen, kukkien aikaan... olemme kulkeneet läpi koko talven, jonka tunnusmerkki on kylmyys... syklin loppu ja uuden alku... silloin luonto uudistuu ja antaa meille armon arvostaa maailman tarjoamaa kauneutta... on sääli, ettemme aina ole valmiita ottamaan vastaan ​​tätä kaunista lahjaa... koska olemme niin uppoutuneita henkilökohtaisiin ongelmiimme... pikkuasioihin, joilla ei ole vaikutusta elämään... että sokeudumme ja kiellämme itseltämme kaiken, mitä maailmankaikkeus meille tarjoaa...

Halumme menestyä elämässä, mitä se sitten tarkoittaakin, tekee meistä niin pikkumaisia, ettemme lopulta arvosta niitä yksinkertaisia ​​asioita, joita maailma meille tarjoaa. Kuinka monta kertaa lintu on laulanut ikkunassamme, ja me, niin uppoutuneina itse luomiemme ongelmien ratkaisemiseen, emme ole edes huomanneet pienen linnun läsnäoloa, joka tuli lahjoittamaan meille luonnollisen kauneutensa? Sillä ei ole mitään kauniimpaa kuin lintujen laulu, joka juhlistaa elämää ja luontoa…

Olemme niin irrallaan Elämästä, että jos takapihallamme on pieni maapala ja siinä kasvaa kasvi, jota pidämme merkityksettömänä, repäisemme sen heti irti ja riisämme siltä hengen. Jotta meidän ei tarvitse liata kauniita pieniä jalkojamme sateen todennäköisesti luomalla mudalla, me sementoimme paikan… kyllä, emme halua löytää märkää maata… loppujen lopuksi emme voi liata kenkiämme tai talomme käytävää… onhan siivoaminen paljon työtä, eikö vain?

Kaupungissa asuminen saa meidät menettämään yhteyden, joka meillä kerran oli maahan. Mitä kauemmin vietämme aikaa poissa maaseudun yksinkertaisesta elämästä, sitä tunteettomammiksi tulemme luonnolle. Tiedän tämän. Koin näitä hetkiä lapsuudessani, ja ajan myötä huomasin luonnon rappeutuvan ympärilläni…

Naapurusto, jossa olen asunut varhaislapsuudestani lähtien, on muuttunut paljon vuosien varrella. Vuosia sitten tämä oli vehreyden hallitsema alue, jossa kukkia ja hedelmiä oli runsaasti, kaikki luonnon armollisesti tarjoamina. Ei ollut tarvetta istuttaa… tarvitsi vain huolehtia metsän suojelemisesta ihmisten ahneudelta. Meillä oli monenlaisia ​​hedelmiä… violettia passionhedelmää, makeaa kuin hunaja… aivan erilaista kuin valkoinen passionhedelmä, joka on hapan… juás, valkoiset mulperinmarjat, luumut (joita jotkut ihmiset kutsuvat itsepintaisesti misperien nimityksiksi), mansikoita, tuncumia, gabirobaa, ananasta… kaikki villinä kasvamassa kasvillisuuden keskellä, joka kuhisi kaikenlaisia ​​ja tuoksuisia kukkia… ruusuja, palmuja, daaliaa, ikivihreitä, auringonkukkia, hortensioita… kyllä, tämä oli paratiisi maan päällä…

Kun kevät saapui ja ensimmäiset sateet satoivat, kuulimme sammakoiden kurnutusta, jotka asuivat ympärillämme rehevissä lammeissa ja puroissa. Joskus käärme jopa tunkeutui koteihimme, mutta tämä oli niiden elinympäristö. Tietenkin ne maksoivat kalliisti röyhkeydestään, kun ne tapettiin ilman syyllistä omaatuntoa. Loppujen lopuksi ne olivat myrkyllisiä. Ja jos onnettomuus kohtasi tällaisia ​​myrkyllisiä olentoja, kuolema oli lähes varma. Mutta niiden kanssa ei ollut paljon kohtaamisia. Uskon, että koko elämäni aikana meillä on ollut epäonnea ylittää polkuja korkeintaan kaksi tai kolme kertaa, jos sekään...

Tämän villin maailman, jossa kasvoin, ilona olivat lehtienleikkaajamuurahaisten rakentamat muurahaiskeot. Nämä olivat suosikkikohteitamme... loppujen lopuksi kevään ensimmäinen ukkosmyrsky toi mukanaan parven iça-muurahaisia ​​eli tanjuroja, kuten useimmat ihmiset ne tuntevat. No, tuo päivä oli juhla koko alueella. Kaikki lapset ja naiset suuntasivat muurahaiskeoille purkki tai ämpäri mukanaan ja "keräsivät" içat, jotka vielä nousivat esiin vanhasta pesästään. Näistä pienistä otukaisista tuli ainesosa maniokkijauhoista tehdyssä farofassa, ja niitä syötiin ahnaasti... En tiedä, olisiko minulla rohkeutta syödä tällaista herkkua nykyään, nyt kun olen sivistyneempi. Mutta lapsuudessani ei ollut herkullisempaa kuin tämä. Varsinkin kun se oli jotain, jota syötiin vain kerran vuodessa...

Koko naapurusto oli koristeltu alueen kukilla... sekä takapihoille istutetuilla että metsässä kasvavilla kukilla. Ja ihmiset välittivät luonnosta. Siihen aikaan ruoka laitettiin puuliedellä, mutta sitä hakatessaan ihmiset suosivat tuulen tai iän kaatamaa puuta… he käyttivät vain kuivaa puuta päivittäisiin askareisiin…

Kyllä, meitä kunnioitettiin ympäröivää villiä maailmaa kohtaan. Elimme sopusoinnussa luonnon kanssa. Puhdas lähdevesi, yrtit, jotka toimivat parannuskeinona erilaisiin vaivoihin, vihanneksina käytetyt yrtit, jotka olivat osa ruokavaliotamme… kyllä, luonto antoi meille käytännössä kaiken, mitä tarvitsimme selviytyäksemme. Kyllä, metsästimme eläimiä parantaaksemme ruokavaliotamme, mutta kunnioitimme elämää äärimmäisen paljon. Välitimme siitä arvokkaana lahjana, joka se todella on… ja se vastineeksi antoi meille kaiken, mitä tarvitsimme.

Mutta edistystä saapui. Vähitellen puita kaadettiin ja tehtiin tilaa sekä teollisuus- että asuinrakennuksille. Lähteet hautautuivat; loppujen lopuksi kaivokset estivät edistyksen etenemistä. Ja tämän uuden ajattelutavan myötä ihmiset alkoivat irrottautua tästä alkeellisesta tunteesta. Ja he alkoivat osaltaan tuhota sitä, mikä oli heidän tärkein perintönsä. Tuli aika, jolloin halusta sementoida kaikki, jotta ei likaantuisi jalkoihinsa tai koteihinsa, tuli villitys kaikkien keskuudessa... ja nykyään sen sijaan, että sateen jälkeen olisi pieniä lätäköitä, jotka jäljittelivät järviä, jolloin ruoho huokui miellyttävää tuoksua ja sudenkorennot leikkivät sen lehdissä, meillä on nykyään vain tulvia, koska taivaalta tuleva vesi ei enää löydä ulostuloa maahan...

Kevät on saapunut... meillä on vielä muutamia kukkapenkkejä istutettuna muutamiin paikkoihin... mutta mehiläisten surina on jo kauan sitten kadonnut. Meillä on vielä jonkin verran kasvillisuutta tekojärven rannalla, taloni lähellä. Mutta se ei varmasti kestä tulevien vuosien edistystä... loppujen lopuksi alueeni läpi kulkevasta Córrego Azulista tuli vain kadunnimi, jonka muistavat vain toisella aikakaudella eläneet ihmiset, joilla oli ilo katsella guaruzinhojen kasvamista pienessä lammessa, josta tuli puro ja joka virtasi juuri mainitsemaani patoon. Tämän puron alkupaikalla ollut ruovikko kuivattiin kauan sitten, ja tilalle tehtiin sairaala, joka olisi helposti voitu rakentaa muualle ilman, että olisi tarvinnut tuhota jotain niin elintärkeää...

Olemme saapuneet kevääseen. Rukoilen Jumalaa joka päivä ja pyydän Häntä herättämään ihmiset uneliaasta tilastaan ​​ja ymmärtämään, että jos jatkamme tätä luonnon tuhoamisen polkua jahdataksemme harhakuvitelmaa, joka ei auta meitä mitenkään, tuomitsemme itsemme ja muut tämän paratiisin asukkaat, johon olemme upotettuina, sukupuuttoon...

Koskettakoon tämä nyt alkava kevät ihmisten sydämiä ja ymmärtäköön, että ilman luontoa olemme vain zombeja, jotka vaeltelevat pimeydessä, kunnes putoamme Loputtomaan jyrkänteeseen...

Ymmärtäköön jokainen, että ilman ympärillämme niin itsepintaisesti kasvavaa kasvillisuutta kohtalomme on Unohdus... sillä jossain vaiheessa luonto väsyy yrittämään pelastaa meidät itseltämme...

Ja olemme saavuttaneet kevään...

Tania Miranda - Brasilia - 24. syyskuuta 2025

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ET NOUS SOMMES ARRIVÉS AU PRINTEMPS...

Et nous sommes arrivés au printemps, la saison des fleurs... Nous avons traversé tout l'hiver, marqué par le froid... la fin d'un cycle et le début d'un nouveau... C'est le moment où la nature se renouvelle, nous donnant la grâce d'apprécier la beauté que le monde nous offre... Dommage que nous ne soyons pas toujours disposés à accepter ce beau cadeau... tellement absorbés par nos problèmes personnels... des choses insignifiantes sans impact sur la vie... que nous devenons aveugles, nous privant d'admirer tout ce que l'Univers nous offre...

Notre désir de réussir dans la vie, quoi que cela puisse signifier, nous rend mesquins au point de ne plus apprécier les choses simples que le monde nous offre. Combien de fois un oiseau a-t-il chanté à notre fenêtre sans que, absorbés par la résolution de nos propres problèmes, nous ne remarquions même pas la présence de ce petit oiseau venu nous offrir sa beauté naturelle ? Car il n'y a rien de plus beau que le chant des oiseaux, célébrant la Vie et la Nature…

Nous sommes tellement déconnectés de la Vie que, s'il y a un petit bout de terrain dans notre jardin où pousse une plante que nous jugeons insignifiante, nous la déracinons aussitôt, lui ôtant la vie. Et pour éviter de salir nos jolis petits pieds avec la boue que la pluie risque de créer, nous cimentons l'endroit… oui, nous ne voulons pas trouver de terre mouillée… après tout, on ne peut pas salir nos chaussures ni l'entrée de notre maison… après tout, le ménage, c'est beaucoup de travail, n'est-ce pas ?

Vivre en ville nous fait perdre le lien que nous avions autrefois avec la terre. Plus nous nous éloignons de la vie simple de la campagne, plus nous devenons insensibles à la Nature. Je le sais. J'ai vécu ces moments dans mon enfance, et avec le temps, j'ai remarqué que la Nature se dégradait autour de moi…

Le quartier où j'habite depuis ma plus tendre enfance a beaucoup changé au fil des ans. Il y a des années, cette région était dominée par la verdure, où abondaient fleurs et fruits, offerts gracieusement par la nature. Nul besoin de planter… il suffisait de protéger la forêt de la cupidité humaine. Nous avions une variété de fruits… des fruits de la passion violets, sucrés comme du miel… bien différents des fruits de la passion blancs, acides… des juás, des mûres blanches, des prunes (que certains s'obstinent à appeler nèfles), des fraises, des tuncums, des gabirobas, des ananas… tous à l'état sauvage, poussant au milieu d'une végétation foisonnante de fleurs de toutes sortes et de tous parfums… des roses, des palmiers, des dahlias, des immortelles, des tournesols, des hortensias… oui, c'était le paradis sur terre…

Lorsque le printemps arrivait et que les premières pluies tombaient, nous entendions le coassement des grenouilles, habitants des étangs et des ruisseaux qui abondaient autour de nous. Il arrivait même qu'un serpent envahisse nos maisons, mais c'était leur habitat. Bien sûr, ils payèrent cher leur audace, étant tués sans remords. Après tout, elles étaient venimeuses. Et si un accident impliquait de telles créatures venimeuses, la mort était quasi certaine. Mais on les rencontrait rarement. Je crois que dans toute ma vie, nous avons eu le malheur de nous croiser deux ou trois fois au maximum, et encore…

La joie de ce monde sauvage où j'ai grandi, c'étaient les fourmilières construites par les fourmis coupeuses de feuilles. C'étaient nos cibles préférées… après tout, le premier orage du printemps amenait l'essaim d'Içás, ou Tanajuras, comme la plupart des gens les connaissent. Eh bien, ce jour-là était une fête dans toute la région. Tous les enfants et les femmes se rendaient aux fourmilières avec une boîte de conserve ou un seau et « ramassaient » les Iças qui sortaient encore de leur ancien nid. Ces petites créatures devenaient un ingrédient d'une farofa à base de farine de manioc et étaient dévorées avec voracité… Je ne sais pas si j'aurais le courage de manger un tel mets aujourd'hui, maintenant que je suis plus civilisée. Mais, dans mon enfance, rien n'était plus appétissant que ce mets. Surtout qu'on ne le dégustait qu'une fois par an…

Tout le quartier était orné des fleurs de la région, celles des jardins comme celles de la forêt. Et les gens prenaient soin de la nature. À l'époque, on cuisinait au feu de bois, mais pour la récolte, on préférait le bois déjà tombé par le vent ou par le temps… on n'utilisait du bois sec que pour les tâches quotidiennes…

Oui, il y avait du respect pour la nature qui nous entourait. Nous vivions en harmonie avec ce que la nature nous offrait. L'eau de source pure, les herbes médicinales, les légumes qui faisaient partie de notre alimentation… oui, la nature nous fournissait pratiquement tout ce dont nous avions besoin pour survivre. Oui, nous chassions pour enrichir notre alimentation, mais nous respections la vie au plus haut point. Nous en prenions soin comme du précieux don qu'elle est… et elle, en retour, nous fournissait tout ce dont nous avions besoin.

Mais le progrès arriva. Petit à petit, les arbres furent abattus, laissant place à des bâtiments, industriels et résidentiels. On enfouissait des sources ; après tout, les mines entravaient l'avancée du progrès. Avec cette nouvelle mentalité, les gens commencèrent à se détacher de ce sentiment primitif. Ils contribuèrent ainsi à la destruction de ce qui était leur patrimoine le plus précieux. Il arriva un temps où le désir de tout cimenter pour ne pas se salir, ni les pieds ni chez soi, devint une mode pour tous… et aujourd'hui, au lieu de petites flaques d'eau imitant des lacs après la pluie, où l'herbe exhalait un parfum agréable et où les libellules jouaient entre ses feuilles, nous n'avons plus que des inondations, car l'eau qui vient du ciel ne trouve plus d'exutoire dans la terre…

Le printemps est arrivé… nous avons encore quelques arbustes à fleurs plantés à quelques endroits… mais le bourdonnement des abeilles a disparu depuis longtemps. Il reste un peu de végétation sur les rives du réservoir, près de chez moi. Mais il ne résistera certainement pas aux progrès des années à venir… Après tout, le Córrego Azul qui traversait ma région n'est plus qu'un nom de rue, dont seuls se souviennent les habitants d'une autre époque, qui avaient le plaisir de voir pousser les guaruzinhos dans le petit étang devenu ruisseau et se déversant dans le barrage que je viens de mentionner. La roselière qui existait autrefois à la source de ce ruisseau a été asséchée il y a longtemps, laissant place à un hôpital qui aurait pu facilement être construit ailleurs, sans détruire un élément aussi vital…

Le printemps est arrivé. Je prie Dieu chaque jour, lui demandant de réveiller les gens de leur léthargie et de leur faire comprendre que si nous persistons à détruire la Nature à la poursuite d'une chimère qui ne nous aidera en rien, nous nous condamnons, nous et les autres habitants de ce Paradis dans lequel nous sommes enfermés, à l'extinction…

Que ce Printemps qui commence touche le cœur des gens et qu'ils réalisent que, sans la Nature, nous ne sommes que des zombies errant dans l'obscurité jusqu'à la chute dans le Précipice sans fin…

Que chacun comprenne que, sans la végétation qui pousse si obstinément autour de nous, notre destin sera l'Oubli… car, à un moment donné, la Nature se lassera de nous sauver de nous-mêmes…

Et nous avons atteint le Printemps…

Tania Miranda - Brésil - 24 septembre 2025

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UND WIR SIND IM FRÜHLING ANGEKOMMEN...

Und wir sind im Frühling angekommen, der Jahreszeit der Blumen... Wir haben den ganzen Winter hinter uns, in dem die Kälte das Markenzeichen ist... das Ende eines Zyklus und der Beginn eines neuen... Es ist die Zeit, in der sich die Natur erneuert und uns die Gnade schenkt, die Schönheit der Welt zu schätzen... Es ist schade, dass wir dieses schöne Geschenk nicht immer annehmen... weil wir so in unsere persönlichen Probleme vertieft sind... in Kleinigkeiten, die keinen Einfluss auf das Leben haben... dass wir blind werden und uns der Bewunderung für all das berauben, was das Universum uns bietet...

Unser Wunsch, im Leben erfolgreich zu sein, was auch immer das bedeutet, macht uns so kleinlich, dass wir die einfachen Dinge, die uns die Welt bietet, nicht mehr wertschätzen. Wie oft hat ein Vogel an unserem Fenster gesungen, und wir, so vertieft in die Lösung selbstverschuldeter Probleme, haben die Anwesenheit des kleinen Vogels, der uns mit seiner natürlichen Schönheit beschenkte, nicht einmal bemerkt? Denn es gibt nichts Schöneres als den Gesang der Vögel, der das Leben und die Natur feiert…

Wir sind so weit vom Leben entfernt, dass wir, wenn in unserem Garten ein kleines Stück Land wächst und eine Pflanze, die wir für unwichtig halten, es sofort ausreißen und ihr das Leben nehmen. Und damit wir unsere hübschen kleinen Füße nicht mit dem Schlamm schmutzig machen müssen, den der Regen wahrscheinlich hinterlassen wird, zementieren wir die Stelle… ja, wir wollen keine nasse Erde vorfinden… schließlich können wir weder unsere Schuhe noch den Flur unseres Hauses schmutzig machen… Putzen ist schließlich viel Arbeit, nicht wahr?

Das Leben in der Stadt lässt uns die Verbindung verlieren, die wir einst zur Erde hatten. Je länger wir fernab des einfachen Lebens auf dem Land leben, desto unsensibler werden wir gegenüber der Natur. Ich weiß das. Ich habe diese Momente in meiner Kindheit erlebt und mit der Zeit bemerkt, wie die Natur um mich herum verfiel…

Die Nachbarschaft, in der ich seit meiner frühen Kindheit lebe, hat sich im Laufe der Jahre stark verändert. Vor Jahren war dies eine von Grün geprägte Region, in der es Blumen und Früchte in Hülle und Fülle gab, alles großzügig geschenkt von der Natur. Man musste nichts pflanzen … man musste nur darauf achten, den Wald vor der menschlichen Gier zu schützen. Wir hatten eine Vielzahl von Früchten … lila Passionsfrüchte, süß wie Honig … ganz anders als die weiße Passionsfrucht, die sauer ist … Juás, weiße Maulbeeren, Pflaumen (die manche Leute unbedingt Mispeln nennen), Erdbeeren, Tuncum, Gabiroba, Ananas … alles in ihrem wilden Zustand, inmitten einer Vegetation voller Blumen aller Art und Düfte … Rosen, Palmen, Dahlien, Strohblumen, Sonnenblumen, Hortensien … ja, dies war das Paradies auf Erden …

Als der Frühling kam und der erste Regen fiel, hörten wir das Quaken der Frösche, die in den vielen Teichen und Bächen um uns herum lebten. Gelegentlich drang sogar eine Schlange in unsere Häuser ein, aber dies war ihr Lebensraum. Natürlich zahlten sie teuer für ihre Dreistigkeit und ließen sich ohne schlechtes Gewissen töten. Schließlich waren sie giftig. Und wenn ein Unfall mit solch giftigen Kreaturen geschah, war der Tod fast sicher. Aber es gab nicht viele Begegnungen mit ihnen. Ich glaube, in meinem ganzen Leben hatten wir das Pech, uns höchstens zwei- oder dreimal zu begegnen, wenn überhaupt …

Die Freude an dieser wilden Welt, in der ich aufwuchs, waren die Ameisenhaufen der Blattschneiderameisen. Sie waren unsere Lieblingsziele … schließlich brachte das erste Frühlingsgewitter den Schwarm der Içás oder Tanajuras, wie die meisten sie nennen, mit sich. Nun, dieser Tag wurde in der ganzen Region gefeiert. Alle Kinder und Frauen gingen mit einer Dose oder einem Eimer zu den Ameisenhaufen und „sammelten“ die Iças ein, die gerade aus ihrem alten Nest schlüpften. Diese kleinen Tierchen wurden als Zutat für ein Farofa aus Maniokmehl verwendet und gierig verzehrt… Ich weiß nicht, ob ich heute, wo ich zivilisierter bin, den Mut hätte, eine solche Delikatesse zu essen. Aber in meiner Kindheit gab es keine appetitlichere Delikatesse als diese. Vor allem, weil man sie nur einmal im Jahr essen durfte…

Die ganze Nachbarschaft war mit den Blumen der Region geschmückt… sowohl denen aus den Gärten als auch denen aus dem Wald. Und die Menschen kümmerten sich um die Natur. Damals wurde auf einem Holzofen gekocht, aber wenn man es erntete, bevorzugte man bereits vom Wind oder Alter gefallenes Holz… Für die täglichen Arbeiten wurde nur trockenes Holz verwendet…

Ja, es gab Respekt vor der wilden Welt um uns herum. Wir lebten im Einklang mit dem, was die Natur uns bot. Das reine Quellwasser, die Kräuter, die als Heilmittel für verschiedene Beschwerden dienten, die Kräuter, die als Gemüse verwendet wurden und Teil unserer Ernährung waren… ja, die Natur lieferte uns praktisch alles, was wir zum Überleben brauchten. Ja, wir jagten Tiere, um unsere Ernährung zu verbessern, aber wir respektierten das Leben mit größtem Respekt. Wir kümmerten uns um das kostbare Geschenk, das es wirklich ist … und im Gegenzug versorgte es uns mit allem, was wir brauchten.

Doch der Fortschritt setzte ein. Nach und nach wurden Bäume gefällt, um Platz für Industrie- und Wohngebäude zu schaffen. Quellen wurden verschüttet; schließlich behinderten die Minen den Fortschritt. Mit dieser neuen Mentalität begannen sich die Menschen von diesem primitiven Gefühl zu lösen. Und sie trugen zur Zerstörung ihres wertvollsten Erbes bei. Es kam eine Zeit, in der der Wunsch, alles zu zementieren, um weder an den Füßen noch in den Häusern schmutzig zu werden, zu einem allgemeinen Trend wurde … und heute gibt es statt kleiner Pfützen, die nach dem Regen Seen imitieren, wenn das Gras einen angenehmen Duft verströmt und Libellen in seinen Blättern spielen, nur noch Überschwemmungen, weil das Wasser, das vom Himmel kommt, keinen Abfluss mehr in die Erde findet …

Der Frühling ist da … wir haben hier und da noch ein paar Blumensträucher gepflanzt … aber das Summen der Bienen ist längst verschwunden. Am Ufer des Stausees, in der Nähe meines Hauses, haben wir noch etwas Vegetation. Aber es wird dem Fortschritt der kommenden Jahre sicherlich nicht standhalten ... Schließlich ist der Córrego Azul, der durch meine Region floss, letztlich nur noch ein Straßenname, an den sich nur noch Menschen erinnern, die in einer anderen Zeit lebten und das Vergnügen hatten, die Guaruzinhos in dem kleinen Teich wachsen zu sehen, der zu einem Bach wurde und in den gerade erwähnten Damm mündete. Das Schilfgebiet, das einst dort existierte, wo dieser Bach entsprang, wurde vor langer Zeit trockengelegt und machte Platz für ein Krankenhaus, das problemlos woanders hätte gebaut werden können, ohne etwas so Lebenswichtiges zerstören zu müssen ...

Wir haben den Frühling erreicht. Ich bete jeden Tag zu Gott und bitte ihn, die Menschen aus ihrer Lethargie zu wecken und ihnen klarzumachen, dass wir uns selbst und die anderen Bewohner dieses Paradieses, in dem wir leben, zur Ausrottung verdammen, wenn wir weiterhin die Natur zerstören und einer Schimäre nachjagen, die uns nicht hilft.

Möge dieser beginnende Frühling die Herzen der Menschen berühren und ihnen bewusst machen, dass wir ohne die Natur nichts weiter sind als Zombies, die durch die Dunkelheit irren, bis wir in den endlosen Abgrund stürzen.

Möge jeder erkennen, dass unser Schicksal ohne die Vegetation, die so beharrlich um uns herum wächst, die Vergessenheit sein wird. Denn irgendwann wird die Natur es leid sein, uns vor uns selbst zu retten.

Und wir haben den Frühling erreicht.

Tania Miranda – Brasilien – 24. September 2025


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