JÁ PASSOU DA HORA DE ACORDARMOS...
JÁ PASSOU A HORA DE ACORDARMOS...
A dinâmica da vida é algo que nem sempre conseguimos explicar. Na realidade, nem mesmo passa por nossa mente que algo deve ser notado e explicado, a menos que algum evento influencie nossa vida de forma negativa. Bem, para sermos honestas, a maioria dos acontecimentos tem esse poder sobre nós, mas a letargia que toma conta de nosso ser não nos deixa perceber as nuances daquilo que ocorre ao nosso redor...
Sim, por mais que pareça estranho, estamos sempre em estado letárgico. Não temos a percepção daquilo que ocorre ao nosso redor, ao menos no nível que seria desejável. Eu explico... vivemos no automático em nosso dia a dia. É mais ou menos como aquela velha canção do Chico Buarque, onde diz que "todo dia ela faz tudo sempre igual , me sacode às seis horas da manhã, me sorri um sorriso pontual e me beija com a boca de hortelã"...
Repetimos tanto nossos gestos que chega um certo momento em que tudo passa a ser natural, mesmo não sendo. É a nossa programação primária, que nos faz agir sem perceber o que realmente ocorre ao nosso redor. E quando percebemos tal situação? Bem, aí depende de cada um. Há sempre um gatilho que, quando acionado, nos faz mergulhar na realidade nua e crua que se desenrola ao nosso redor...
O problema maior é que não percebemos o momento em que viver se torna algo automático. Não percebemos quando passamos a seguir padrões robotizados, nem quando deixamos de notar as nuances ao nosso redor. Estamos tão acostumadas com nossa rotina diária que, quando percebemos alguma alteração em nosso espaço, ficamos nos perguntando quando tal fato aconteceu...
Quando eu percebi isso? Bem, de vez em quando tenho alguns vislumbres da vida que ocorre ao meu redor. Nem sempre me debruço sobre tal fato, pois a correria do dia a dia não nos permite respirar mais de trinta segundos paradas no mesmo lugar... há sempre uma emergência que necessita de nossa atenção imediata...
Nesses dias, quando retornava para meu lar depois de um dia de trabalho, conversava com uma colega quando notamos que, já a algum tempo, várias espécies animais simplesmente sumiram dos arredores de nossa comunidade. Claro que há um motivo plausível para isso... quando em nossa infância, toda a região era arborizada. Hoje a Selva de Pedra está tomando conta de toda a região...
Várias espécies de pássaros simplesmente sumiram de nossa área. Ainda vemos, muito de vez em quando, um Pica Pau, um Bem te Vi, raramente um Pardal... mas a maioria da fauna empenada que existia em abundância nesta região simplesmente desapareceu. Raramente avistamos uma andorinha, por exemplo. E as rolinhas, tão comuns a algumas décadas? Partiram e não mais retornaram...
Os insetos também desapareceram, junto com a vegetação. Paquinhas, grilos, borboletas... a muito não vemos tais animaizinhos em nossa região. A cigarra, que a não muito tempo anunciava a chegada da Primavera, juntamente com as primeiras chuvas da estação, a muito se calou...
E assim seguimos, cegas às mudanças que ocorrem ao nosso redor. Mudanças que nada trazem de positivo à nossa vida, diga-se de passagem. Pois a destruição da Natureza, tal como está ocorrendo em nossa vida, cobrará de nós com juros e correção monetária os custos de tais intervenções... bem, provavelmente não seremos nós a pagar a fatura... mas o que será de nossos descendentes, que terão que arcar com um custo que não foi sua responsabilidade? E um dia a conta será apresentada. Pois é como se diz... "plantar é livre... mas colher é obrigatório..."
Bem, se não queremos deixar um mundo apocalíptico aos nossos filhos, já passou da hora de acordarmos e começar a construir um mundo menos agressivo para estes... não podemos deixar apenas um mundo destruído como herança. Mas temos que mudar nossa forma de pensar e agir agora. Caso contrário, chegará um momento em que não haverá retorno, nem para nós nem para nossos descendentes...
Tania Miranda - 01/08/2026 - Brasil
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It’s high time we woke up...
The dynamics of life are something we can’t always explain. In reality, it doesn't even cross our minds that something ought to be noticed or explained—unless an event impacts our lives negatively. Well, to be honest, most events hold that kind of power over us, yet the lethargy that takes hold of our being prevents us from perceiving the nuances of what unfolds around us...
Yes, strange as it may seem, we exist in a constant state of lethargy. We lack perception regarding what happens around us—at least to the extent that would be ideal. Let me explain... we live our daily lives on autopilot. It’s rather like that old Chico Buarque song, where he says, "Every day she does the same old thing: she shakes me awake at six in the morning, gives me a punctual smile, and kisses me with her mint-fresh lips"...
We repeat our actions so often that, eventually, everything feels natural—even when it isn't. It is our primary programming, causing us to act without truly noticing what is happening around us. And when do we realize this? Well, that depends on the individual. There is always a trigger that, once pulled, plunges us into the raw, unvarnished reality unfolding around us...
The biggest problem is that we don't notice the moment living becomes automatic. We don't realize when we start following robotic patterns, nor when we stop noticing the nuances around us. We are so accustomed to our daily routine that, when we do notice a change in our surroundings, we find ourselves wondering when it actually happened...
When did I realize this? Well, every now and then, I catch glimpses of the life unfolding around me. I don’t always dwell on this fact, as the daily rush leaves us no time to stand still and catch our breath for even thirty seconds... there is always some emergency demanding our immediate attention...
One day, while heading home after work, I was chatting with a colleague when we realized that, over time, various animal species had simply vanished from our community’s surroundings. Of course, there is a plausible reason for this... back in our childhood, the whole area was wooded. Today, the "concrete jungle" is taking over the entire region...
Many bird species have simply disappeared from our area. We still see a woodpecker or a *Bem-te-vi* (great kiskadee) every now and then—and rarely a sparrow—but most of the feathered wildlife that once abounded here has simply vanished. We seldom spot a swallow, for instance. And what of the ground doves, so common just a few decades ago? They left and never returned...
Insects have also disappeared along with the vegetation. Mole crickets, grasshoppers, butterflies... it has been a long time since we saw such little creatures in our region. The cicada—which not long ago used to herald the arrival of spring alongside the season's first rains—has long since fallen silent...
And so we carry on, blind to the changes unfolding around us. Changes that bring nothing positive to our lives, it must be said. For the destruction of nature—as it is currently playing out—will exact a heavy price from us, with interest and inflation adjustments added on... well, we likely won't be the ones to foot the bill... but what will become of our descendants, who will have to bear a cost that wasn't their doing? And one day, the bill will come due. As the saying goes... "sowing is a choice... but reaping is mandatory..."
Well, if we don't want to leave an apocalyptic world to our children, it is high time we woke up and started building a less hostile world for them... we cannot simply leave behind a destroyed world as our legacy. But we must change the way we think and act right now. Otherwise, a point of no return will be reached—neither for us nor for our descendants...
Tania Miranda - August 1, 2026 - Brazil
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ES HORA DE DESPERTAR...
La dinámica de la vida es algo que no siempre podemos explicar. En realidad, ni siquiera se nos pasa por la cabeza que algo deba ser notado y explicado, a menos que algún evento influya negativamente en nuestras vidas. Bueno, para ser honestos, la mayoría de los eventos tienen ese poder sobre nosotros, pero el letargo que se apodera de nosotros nos impide percibir los matices de lo que sucede a nuestro alrededor...
Sí, por extraño que parezca, siempre estamos en un estado de letargo. No percibimos lo que sucede a nuestro alrededor, al menos no en la medida que quisiéramos. Permítanme explicarles... vivimos en piloto automático en nuestro día a día. Es más o menos como aquella vieja canción de Chico Buarque, que dice que "todos los días hace lo mismo, me sacude a las seis de la mañana, me sonríe puntualmente y me besa con los labios a menta"...
Repetimos tanto nuestros gestos que llega un punto en que todo se vuelve natural, aunque no lo sea. Es nuestra programación primaria la que nos hace actuar sin darnos cuenta de lo que realmente sucede a nuestro alrededor. ¿Y cuándo nos damos cuenta de esto? Bueno, eso depende de cada persona. Siempre hay un detonante que, al activarse, nos sumerge en la cruda realidad que se despliega ante nosotros...
El mayor problema es que no nos damos cuenta de cuándo la vida se vuelve automática. No notamos cuándo empezamos a seguir patrones robóticos, ni cuándo dejamos de percibir los matices que nos rodean. Estamos tan acostumbrados a nuestra rutina diaria que, cuando notamos algún cambio en nuestro entorno, nos preguntamos cuándo ocurrió...
¿Cuándo me di cuenta de esto? Bueno, de vez en cuando vislumbro la vida que transcurre a mi alrededor. No suelo detenerme en este hecho, porque el ajetreo diario no nos permite respirar más de treinta segundos quietos en el mismo sitio... siempre hay una emergencia que requiere nuestra atención inmediata...
Estos días, al regresar a casa después de una jornada laboral, hablaba con un compañero cuando nos dimos cuenta de que, desde hace algún tiempo, varias especies animales han desaparecido de los alrededores de nuestra comunidad. Claro que hay una explicación lógica... cuando en nuestra infancia, toda la región estaba cubierta de bosques. Hoy, la jungla de cemento se está apoderando de toda la zona...
Varias especies de aves han desaparecido de nuestra área. Todavía vemos, muy de vez en cuando, un pájaro carpintero, un bienteveo grande, rara vez un gorrión... pero la mayor parte de la fauna alada que abundaba en esta región simplemente ha desaparecido. Rara vez vemos una golondrina, por ejemplo. ¿Y las palomas, tan comunes hace unas décadas? Se fueron y no volvieron...
Los insectos también han desaparecido, junto con la vegetación. Grillos topo, grillos, mariposas... hace mucho que no vemos a estos animalitos en nuestra región. La cigarra, que no hace mucho anunciaba la llegada de la primavera junto con las primeras lluvias de la temporada, hace tiempo que enmudeció...
Y así seguimos, ciegos a los cambios que ocurren a nuestro alrededor. Cambios que, dicho sea de paso, no aportan nada positivo a nuestras vidas. Porque la destrucción de la naturaleza, tal como está ocurriendo en nuestras vidas, nos cobrará intereses y una compensación económica por los costos de tales intervenciones... bueno, probablemente no seremos nosotros quienes paguemos la factura... pero ¿qué será de nuestros descendientes, que tendrán que asumir un costo que no les correspondía? Y un día llegará la factura. Porque como dicen... "sembrar es gratis... pero cosechar es obligatorio..."
Pues bien, si no queremos dejar un mundo apocalíptico a nuestros hijos, ya es hora de que despertemos y comencemos a construir un mundo menos agresivo para ellos... no podemos simplemente dejarles un mundo destruido como herencia. Tenemos que cambiar nuestra forma de pensar y actuar ahora. De lo contrario, llegará un momento sin retorno, ni para nosotros ni para nuestros descendientes...
Tania Miranda - 01/08/2026 - Brasil

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