JAMAIS CRIE EXPECTATIVAS
JAMAIS CRIE EXPECTATIVAS
Costumamos esperar mais das pessoas do que aquilo que elas realmente nos podem oferecer. Não porque estas tenham dado sinais de que poderiam satisfazer nossas expectativas. Mas porque, por algum motivo não explicado, acreditamos que estas tem condições de fazer...
Uma coisa que sempre fazemos questão de esquecer é que na realidade não conhecemos ninguém realmente. Por mais tempo que vivamos ao lado de alguém, este será sempre uma incógnita para nós. Conhecemos a superfície do lago, não as profundezas do mesmo. Ou seja, conhecemos apenas a imagem que fazemos da pessoa. E, ao menos para nós, essa é a sua verdadeira personalidade. Mas nada na vida é preto no branco...
A personalidade de uma pessoa é feita de camadas. Várias são as identidades criadas no decorrer da vida de cada uma de nós. Temos uma versão para cada momento. Podemos ser solidárias, companheiras, amorosas, conflituosas... se alguém tentasse nos compreender de verdade, tentasse conhecer cada faceta que apresentamos em nosso dia a dia, teria que viver eternamente fazendo sua análise e no final não saberia classificar-nos corretamente...
Quando conhecemos alguém, de imediato fazemos uma imagem desta de acordo com aquilo que percebemos de imediato. A mesma pessoa, apresentada simultaneamente a várias pessoas despertará simpatia em algumas e antipatia em outras. E por que essa reação? Simples... cada um verá uma versão diferente da mesma pessoa que está sendo apresentada. E todas as versões, tanto as positivas quanto as negativas, são reais...
O mito da Caixa de Pandora ilustra bem isso. Os sentimentos que são libertos de sua "caixa" nada mais são que suas várias versões. Pois a mesma pessoa benevolente em algumas situações pode ser o monstro que ataca em outras. Faz parte de nossa psique. Como Jekyll e Hyde podemos ser um anjo para alguns e o demônio a infernizar a vida de outros...
Não somos nem um poço de bondade nem estamos presas no círculo da maldade. Cada ação depende do contexto no qual estamos inseridas. E, na verdade, mesmo quando agimos contra as expectativas criadas à nossa volta, tal não ocorre devido à nossa vontade explícita de machucar quem quer que seja. É simplesmente um ato de sobrevivência... lembre-se que, em qualquer situação extremada, se você tiver que escolher entre duas vidas, uma a ser sacrificada e a outra salva, se uma dessas duas vidas em jogo for a sua... bem, a outra é que será sacrificada...
Claro que há situações em que o indivíduo acaba se sacrificando, em um gesto de altruísmo. Mas não é, de forma alguma, o resultado esperado. Pois quando você aceita o destino final simplesmente deixa de existir. E então não poderá ajudar mais ninguém. Nem mesmo a alma que escolheu preservar. Ou seja, não é uma escolha fácil. Mas nada nesse mundo é fácil...
Lembre-se sempre que nossas ações são sempre voltadas ao bem estar, tanto nosso quanto das pessoas que nos são caras. Quanto mais próximas, mais nos preocupamos com estas. Quanto mais distantes, menos peso tem em nossas decisões. E o que isso acarreta? Até por uma questão de sobrevivência, acabamos por procurar estar sempre perto de quem tem o poder de nos ajudar nas horas de dificuldade. Afinal, embora tal não signifique que seremos escolhidas para sobreviver em uma situação de crise, nossas chances são maiores do que daqueles que não estão tão próximos assim dos detentores de nosso destino...
Por isso não devemos, jamais, confiar cegamente em quem quer que seja. Porque na corrida pela sobrevivência sempre haverá uma escala de prioridade. Pode ser que, por mais que pensemos estar presentes nessa, acabemos por ser preteridas por um motivo ou por outro. Afinal, a cabeça de quem escolhe também está em jogo. E sua preservação logicamente é sua prioridade máxima. "Farinha pouca, meu pirão primeiro"...
O que estou tentando dizer? No final das contas, o melhor que fazemos é lutar por nosso lugar ao sol. Procurarmos estar ao lado de quem pode nos estender a mão. Mas, por questão de sobrevivência, jamais abrir mão de um plano de contingência. Porque não sabemos, de fato, se haverá condições da pessoa na qual confiamos nossa vida realmente nos salvar na hora da verdade. "Prudência e caldo de galinha não fazem mal para ninguém", já diziam os antigos. Confiar, sim. Mas sem criar expectativas exageradas...
Tania Miranda - Brasil - 24/08/2026
========================================================= NEVER FORM EXPECTATIONS
We tend to expect more from people than what they can actually offer us. Not because they gave signs that they could meet our expectations, but because, for some unexplained reason, we believe they are capable of doing so...
One thing we always make a point of forgetting is that, in reality, we don't truly know anyone. No matter how long we live alongside someone, they will always remain an unknown to us. We know the surface of the lake, not its depths. In other words, we know only the image we have formed of that person. And, to us at least, that is their true personality. But nothing in life is black and white...
A person's personality is made up of layers. We create various identities throughout our lives. We have a version for every moment. We can be supportive, companionable, loving, or confrontational... if someone were to truly try to understand us—to get to know every facet we reveal in our daily lives—they would have to spend an eternity analyzing us, and in the end, they still wouldn't be able to classify us correctly...
When we meet someone, we immediately form an image of them based on our initial perceptions. The same person, introduced to several people at once, will spark liking in some and dislike in others. And why this reaction? It’s simple... each person sees a different version of the individual being introduced. And all these versions—positive and negative alike—are real...
The myth of Pandora's Box illustrates this well. The feelings released from the "box" are nothing more than a person's various versions. For the same person who is benevolent in some situations can be a monster that attacks in others. It is part of our psyche. Like Jekyll and Hyde, we can be an angel to some and a demon making life hell for others...
We are neither a wellspring of pure goodness nor trapped in a cycle of wickedness. Each action depends on the context in which we find ourselves. And, in truth, even when we act against the expectations placed upon us, it is not out of an explicit desire to hurt anyone. It is simply an act of survival... remember that in any extreme situation—if you had to choose between two lives, one to be sacrificed and one to be saved, and one of those lives at stake was your own... well, the other one is the one that would be sacrificed...
Of course, there are situations where an individual ends up sacrificing themselves in a gesture of altruism. But that is by no means the expected outcome. For when you accept that final fate, you simply cease to exist. And then you can no longer help anyone else—not even the soul you chose to preserve. In short, it is not an easy choice. But nothing in this world is easy...
Always remember that our actions are geared toward well-being—both our own and that of the people dear to us. The closer they are, the more we worry about them; the more distant, the less weight they carry in our decisions. And what does this lead to? As a matter of survival, we tend to stay close to those who have the power to help us in times of trouble. After all, while this doesn't guarantee we’ll be the ones chosen to survive a crisis, our odds are better than those of people who aren't as close to the ones holding our fate in their hands...
That is why we should never place blind trust in anyone. Because in the race for survival, there is always a hierarchy of priorities. We might think we’re high on that list, only to be passed over for one reason or another. After all, the decision-maker’s own life is at stake, too, and their self-preservation is logically their top priority. "When supplies are scarce, I look out for myself first"...
What am I trying to say? Ultimately, the best thing we can do is fight for our own place in the sun and try to stay close to those who can lend us a hand. But, for the sake of survival, we must never forgo a contingency plan. After all, we don't truly know if the person to whom we’ve entrusted our lives will actually be in a position to save us when the moment of truth arrives. "Prudence and chicken soup never hurt anyone," as the old saying goes. Trust, by all means—but without harboring unrealistic expectations...
Tania Miranda - Brazil - August 24, 2026
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NUNCA CREES EXPECTATIVAS
A menudo esperamos más de las personas de lo que realmente pueden ofrecernos. No porque hayan dado señales de poder cumplir nuestras expectativas, sino porque, por alguna razón inexplicable, creemos que son capaces de hacerlo...
Algo que siempre intentamos olvidar es que en realidad no conocemos a nadie. No importa cuánto tiempo convivamos con alguien, siempre será un enigma para nosotros. Conocemos la superficie del lago, no sus profundidades. En otras palabras, solo conocemos la imagen que tenemos de la persona. Y, al menos para nosotros, esa es su verdadera personalidad. Pero nada en la vida es blanco o negro...
La personalidad de una persona se compone de capas. A lo largo de nuestra vida, se crean varias identidades. Tenemos una versión para cada momento. Podemos ser comprensivos, sociables, cariñosos, conflictivos... Si alguien intentara comprendernos de verdad, conocer cada faceta que mostramos en nuestra vida diaria, tendría que pasar una eternidad analizándonos y, al final, no sabría clasificarnos correctamente.
Cuando conocemos a alguien, inmediatamente nos formamos una imagen basada en lo que percibimos a primera vista. La misma persona, presentada simultáneamente a varias personas, despertará simpatía en algunas y antipatía en otras. ¿Y por qué esta reacción? Sencillo: cada persona verá una versión diferente de la misma persona. Y todas las versiones, tanto positivas como negativas, son reales.
El mito de la Caja de Pandora lo ilustra bien. Los sentimientos que se liberan de su "caja" no son más que sus diversas versiones. Porque la misma persona benevolente en algunas situaciones puede ser el monstruo que ataca en otras. Es parte de nuestra psique. Como Jekyll y Hyde, podemos ser ángeles para algunos y demonios que atormentan la vida de otros.
No somos ni una fuente inagotable de bondad ni estamos atrapados en un círculo de maldad. Cada acción depende del contexto en el que nos encontramos. Y, en verdad, incluso cuando actuamos en contra de las expectativas que nos rodean, no sucede por un deseo explícito de dañar a nadie. Es simplemente un acto de supervivencia. Recuerda que, en cualquier situación extrema, si tienes que elegir entre dos vidas, una para sacrificar y la otra para salvar, si una de esas dos vidas en juego es la tuya, la otra será sacrificada.
Por supuesto, hay situaciones en las que el individuo termina sacrificándose, en un gesto de altruismo. Pero no es, ni mucho menos, el resultado esperado. Porque cuando aceptas tu destino final, simplemente dejas de existir. Y entonces ya no puedes ayudar a nadie. Ni siquiera al alma que elegiste preservar. En otras palabras, no es una decisión fácil. Pero nada en este mundo es fácil...
Recuerda siempre que nuestras acciones están siempre dirigidas al bienestar, tanto al nuestro como al de nuestros seres queridos. Cuanto más cerca estén, más nos preocupamos por ellos. Cuanto más lejos, menos peso tienen en nuestras decisiones. ¿Y qué implica esto? Incluso por supervivencia, siempre buscamos estar cerca de quienes tienen el poder de ayudarnos en tiempos difíciles. Al fin y al cabo, aunque esto no signifique que seremos los elegidos para sobrevivir en una crisis, nuestras posibilidades son mayores que las de quienes no están tan cerca de quienes tienen nuestro destino en sus manos...
Por lo tanto, nunca debemos confiar ciegamente en nadie. Porque en la lucha por la supervivencia siempre habrá una jerarquía de prioridades. Puede que, por mucho que creamos estar presentes en esa jerarquía, acabemos siendo ignorados por una u otra razón. Al fin y al cabo, la vida de quien elige también está en juego. Y su preservación es, lógicamente, su máxima prioridad. "Sálvese quien pueda"...
¿Qué quiero decir con esto? En definitiva, lo mejor que podemos hacer es luchar por nuestro lugar bajo el sol. Debemos buscar el apoyo de quienes puedan echarnos una mano. Pero, por nuestra supervivencia, nunca debemos abandonar un plan B. Porque no sabemos con certeza si la persona en quien confiamos nuestra vida podrá salvarnos cuando llegue el momento. Como dice el refrán: «La prudencia y la sopa de pollo nunca vienen mal». Confianza, sí. Pero sin crear expectativas exageradas…
Tania Miranda - Brasil - 24/08/2026

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