TODOS TEM DIREITO À VIDA


TODOS TEM DIREITO À VIDA

Hoje vou falar sobre um... rato. Sim, um exemplar da família dos roedores. Um "rattus norgevicus", ou simplesmente, uma ratazana. Pelo tamanho, ainda jovem. Mas que nos deu trabalho por quase quinze dias. O bichinho entrou dentro de minha casa, depois de muita labuta conseguimos expulsá-lo para fora. Mas ele queria porque queria voltar ao aconchego do lar... do meu lar...

Por alguns dias nossa epopéia foi identificar e expulsar o visitante indesejado de nossa casa. Não foi simples. O bichinho é inteligente e conseguia se safar da maioria das armadilhas que colocamos para pegá-lo. O problema é que eu não desejava matá-lo, então as armadilhas que eu colocava era para capturá-lo vivo. Porque, de uma forma ou de outra, ele é um ser vivo. Com tanto direito de existir nesse plano quanto qualquer um de nós...

Claro que, em nenhum momento, eu quis mantê-lo nas proximidades. Minha ideia, desde o início, era capturá-lo e o levar para o mais longe possível de meu bairro. Porque, se pensarmos bem, a única coisa que o bichinho quer é viver. Ele é daninho para nossa espécie? Claro que é. Mas nós também somos prejudiciais para boa parte da fauna terrestre. E não gostaríamos que algum animal que estivesse acima de nós na escala evolucionária preparasse armadilhas para nos exterminar, não é mesmo? 

A culpa da visita do bichinho em nosso reduto é nossa, mesmo. Afinal, quando jogamos lixo em qualquer lugar, sem nos atentarmos às normas básicas de higiene, o que estamos fazendo. na verdade, é um local propício para que estes invasores cresçam e apareçam. Como nós, eles também estão sempre à procura de um lugar melhor para se estabelecerem. Um local que tenha água, comida à vontade, um lugar aconchegante para descansar...

E o que encontramos na maioria das ruas pelas quais passamos? Restos de comida jogados em calçadas, entulho empilhado em locais onde não deveria... não poderiam ser descartados. Os parques que o poder público prepara para a população acabam se tornando verdadeiros criadouros destes animais. E de outros, tão ou mais perigosos que estes. E quando alguma coisa acontece, a culpa é sempre do governo...

O que as pessoas não entendem... ou não querem entender... é que se não cuidamos de nosso recanto, outras espécies também vão querer compartilhar o espaço conosco. O que é normal, visto que a primeira lei da natureza é sobreviver, a qualquer custo. Ou seja, a única coisa que o bichinho deseja e viver livremente. Claro que não aceitamos tal possibilidade. Porque sabemos que este pode transmitir-nos doenças várias. Então, para nossa própria segurança, precisamos mantê-los bem longe de nós...

Mas o que faríamos, se estivéssemos em seu lugar? Não tentaríamos, mesmo correndo risco de ser apanhados, tentar um lugar que nos parecesse mais aconchegante que o local de nossa origem? Aliás, não é isso que sempre fazemos? A nossa luta, assim como do ratinho, é procurar sempre um local que nos seja mais agradável. E, convenhamos... conseguir uma toca dentro de uma casa, quentinha e limpa, é bem melhor que estar confinado em um esgoto, onde o frio e o mal cheiro predominam...

Bem, a saga do "meu" ratinho se encerra hoje. Porque, depois de muitas idas e vindas, finalmente o bichinho caiu na armadilha. Uma gaiola na qual, por dias, se recusava a entrar. Mas, água mole em pedra dura... O que vou fazer com ele? Pretendo soltá-lo na mata, bem longe do meu bairro. Lá ele encontrará água e comida... e com certeza não retornará em minha casa, visto que o local é bem distante de onde moro. Sei que a maioria das pessoas me aconselharia a acabar com a vida dele, mas é como eu disse, tudo o que ele deseja é sobreviver. Assim como nós...

Tania Miranda  -   Brasil   -   31/07/2026

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EVERYONE HAS A RIGHT TO LIFE

Today I’m going to talk about a... rat. Yes, a member of the rodent family. A *Rattus norvegicus*, or simply, a brown rat. Judging by its size, it was still young. But it gave us a hard time for nearly two weeks. The little creature got into my house, and after a lot of effort, we managed to drive it out. But it was absolutely determined to return to the cozy comfort of home... *my* home...

For a few days, our saga revolved around identifying and evicting this unwanted visitor. It wasn't simple. The little guy was smart and managed to dodge most of the traps we set to catch it. The problem was that I didn't want to kill it, so the traps I used were designed to capture it alive. Because, one way or another, it is a living being. It has just as much right to exist on this plane as any of us...

Of course, at no point did I want to keep it nearby. My plan from the start was to catch it and take it as far away from my neighborhood as possible. Because, when you really think about it, the only thing the little creature wants is to live. Is it harmful to our species? Of course it is. But we, too, are harmful to a large part of the planet's wildlife. And we wouldn't want an animal higher up on the evolutionary scale setting traps to exterminate us, would we?

We are actually to blame for the creature visiting our turf. After all, when we dump trash just anywhere, ignoring basic hygiene rules, what we’re really doing is creating an ideal environment for these invaders to thrive and multiply. Like us, they are always looking for a better place to settle down. A spot with water, plenty of food, and a cozy place to rest...

And what do we find on most of the streets we walk down? Food scraps tossed onto sidewalks, rubble piled up where it shouldn't be... things that shouldn't be discarded that way. The parks that public authorities prepare for the population end up becoming breeding grounds for these animals—and for others just as dangerous, if not more so. And when something happens, the government always gets the blame...

What people don't understand—or don't *want* to understand—is that if we don't look after our own little corner, other species will want to share that space with us. That’s only natural, given that nature's first law is survival at any cost. In other words, all the little creature wants is to live freely. Of course, we don't accept that possibility, because we know they can transmit various diseases. So, for our own safety, we need to keep them far away from us...

But what would *we* do if we were in their shoes? Wouldn't we try—even at the risk of getting caught—to find a place that seemed cozier than where we came from? After all, isn't that what we always do? Our struggle, just like the little mouse's, is to always seek out a more pleasant place to be. And let's face it: finding a warm, clean burrow inside a house is far better than being confined to a sewer where cold and stench prevail...

Well, the saga of "my" little mouse comes to an end today. After much back-and-forth, the little guy finally fell into the trap—a cage he had refused to enter for days. But persistence pays off. What will I do with him? I plan to release him in the woods, far away from my neighborhood. There, he'll find water and food... and he certainly won't come back to my house, given how far away it is. I know most people would advise me to end his life, but as I said: all he wants is to survive. Just like us...

Tania Miranda  -   Brazil   -   July 31, 2026

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TODOS TENEMOS DERECHO A LA VIDA

Hoy voy a hablar de una... rata. Sí, un miembro de la familia de los roedores. Una "Rattus norgevicus", o simplemente, una rata parda. A juzgar por su tamaño, aún era joven. Pero nos dio problemas durante casi quince días. La pequeña criatura entró en mi casa y, tras mucho esfuerzo, conseguimos sacarla. Pero insistió en volver a la comodidad de su hogar... mi hogar...

Durante unos días, nuestra épica misión fue identificar y expulsar a la indeseada visitante de nuestra casa. No fue fácil. La pequeña criatura es inteligente y logró escapar de la mayoría de las trampas que pusimos para atraparla. El problema es que no quería matarla, así que las trampas que puse eran para capturarla viva. Porque, de una forma u otra, es un ser vivo. Con tanto derecho a existir en este plano como cualquiera de nosotros...

Por supuesto, en ningún momento quise tenerla cerca. Mi idea, desde el principio, fue capturarlo y alejarlo lo más posible de mi barrio. Porque, si lo piensas bien, lo único que quiere esta criatura es vivir. ¿Es perjudicial para nuestra especie? Claro que sí. Pero nosotros también somos perjudiciales para gran parte de la fauna terrestre. Y no querríamos que un animal superior a nosotros en la escala evolutiva preparara trampas para exterminarnos, ¿verdad?

La culpa de la visita de esta criatura a nuestro territorio recae sobre nosotros. Al fin y al cabo, cuando tiramos basura en cualquier sitio, sin prestar atención a las normas básicas de higiene, lo que hacemos es crear un lugar propicio para que estos invasores crezcan y aparezcan. Como nosotros, también buscan siempre un lugar mejor donde asentarse: un lugar con agua, comida en abundancia, un sitio acogedor para descansar...

¿Y qué encontramos en la mayoría de las calles por las que pasamos? Restos de comida tirados en las aceras, basura acumulada donde no debería estar... basura que no debería tirarse. Los parques que el gobierno prepara para la población terminan convirtiéndose en auténticos criaderos para estos animales. Y para otros, igual de peligrosos o incluso más. Y cuando ocurre algo, la culpa siempre recae sobre el gobierno…

Lo que la gente no entiende… o no quiere entender… es que si no cuidamos nuestro propio espacio, otras especies también querrán compartirlo con nosotros. Lo cual es normal, ya que la primera ley de la naturaleza es sobrevivir, a cualquier precio. En otras palabras, lo único que quiere la pequeña criatura es vivir en libertad. Por supuesto, no aceptamos esa posibilidad. Porque sabemos que puede transmitirnos diversas enfermedades. Así que, por nuestra propia seguridad, debemos mantenerlas lejos de nosotros…

Pero ¿qué haríamos si estuviéramos en su lugar? ¿No intentaríamos, incluso arriesgándonos a ser descubiertos, encontrar un lugar que pareciera más cómodo que nuestro lugar de origen? De hecho, ¿no es eso lo que siempre hacemos? Nuestra lucha, como la de la pequeña rata, es siempre buscar un lugar que nos resulte más agradable. Y seamos sinceros... tener una madriguera cálida y limpia dentro de una casa es mucho mejor que estar confinado en una alcantarilla, donde reinan el frío y el mal olor...

Bueno, la saga de "mi" ratita termina hoy. Porque, después de muchas idas y venidas, la pequeña criatura finalmente cayó en la trampa. Una jaula a la que, durante días, se negó a entrar. Pero el goteo constante desgasta la piedra... ¿Qué voy a hacer con ella? Pienso liberarla en el bosque, lejos de mi barrio. Allí encontrará agua y comida... y seguro que no volverá a mi casa, ya que el lugar está bastante lejos de donde vivo. Sé que la mayoría me aconsejaría acabar con su vida, pero como dije, lo único que quiere es sobrevivir. Igual que nosotros...

Tania Miranda - Brasil - 31/07/2026

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