SOMOS VIGIADAS POR NOSSOS PARES...

SOMOS VIGIADAS POR NOSSOS PARES...


Existe um conceito antigo, uma de nossas tradições milenares, que diz que para sua felicidade ser completa é necessário encontrar alguém para dividir sua vida. Algumas vezes isso corresponde à verdade. Em outras, não. E isso por um motivo muito simples... cada pessoa vive uma realidade particular, que pode ou não se assemelhar à das outras pessoas que gravitam ao seu redor...

Constituir uma família nos moldes tradicionais pode ou não fazer parte do sonho de determinada pessoa. Que irá procurar os caminhos que a conduzirão até o destino escolhido. E que, algumas vezes, pode simplesmente ignorar a pressão para seguir determinada estrada. Pois essa não faz parte de seus sonhos, de seu desejo de realizações...

Nossa formação, religiosa e social, induz as pessoas a procurarem um par que tenha ideias semelhantes para que possam construir seu futuro juntos. O problema é que ter alguns pontos convergentes nem sempre é algo que atraia a atenção dos dois, nem desperte nesses o desejo de seguirem sua caminhada lado a lado...

Bem, vivemos em uma sociedade heteronormativa. E toda a sua estrutura é voltada para essa premissa. Pois para o pensamento tradicional não existe outro tipo de relacionamento que não seja entre um homem e uma mulher. E essa junção tem como objetivo primário a multiplicação da espécie. Ou seja, é inconcebível um casal que escolhe não ter filhos, por exemplo. Ou, pior, ainda... um homem, ou uma mulher, que não sente falta alguma de um relacionamento com representantes do sexo oposto...

Um homem que não se prende a nenhum tipo de relacionamento não será, a princípio, olhado com desconfiança por seu grupo social, desde que, embora  não tenha uma parceira constante ao seu lado, esteja sempre "cercado" de representantes do sexo oposto. E desde que suas ações não denunciem nenhum tipo de "desvio de conduta"... se ele corresponde à figura do homem másculo, predador, dominante, bem... está tudo certo em sua vida. Afinal, um macho tem que "curtir a vida" da forma que achar melhor. Família tradicional não precisa estar ligada à sua figura...

Quanto à mulher, embora nosso conceito de sociedade tenha evoluído bastante, sempre que esta coloca sua vida, seu conforto acima daquilo que dizem fazer parte de seu destino... bem, ela será olhada com desconfiança pela maioria de seu grupo de origem. Porque a maternidade não é uma opção, é uma obrigação...

Claro, há mulheres que não desejam ter filhos. Não se sentem preparadas para assumir esse papel. O que é perfeitamente normal. Como eu sempre digo, cada pessoa vive sua realidade pessoal. E essa nem sempre vibra na mesma frequência   que a maioria...

Bem, se ela resolve se vestir de determinada maneira, irão colocar etiquetas sobre esta... afinal, a Sociedade necessita saber exatamente com quem está conversando, de quem está falando... se ela gosta de roupas um pouco mais... provocantes, é mulher "da vida fácil" ( que, de fácil, não tem nada), se usa um figurino sóbrio, alguma coisa está errada com ela... e assim vai. Embora o código de vestimenta da mulher seja bem flexível, ela será, sim, julgada de acordo com aquilo que apresenta para o mundo. E se, além do detalhe da vestimenta, for notado algum tipo de comportamento que fuja do esperado... eis aí uma nova etiqueta para ser colada...

Somos vigiadas o tempo todo. Vivemos no mundo do Grande Irmão. E não há necessidade de nos controlarem através de cameras espalhadas por nosso caminho. A velha Radio Peão, a despeito de toda modernidade atual, ainda é a melhor forma de espalhar mentiras, fofocas... e cuidar da vida alheia...

Nem todo mundo que deixa de seguir os "modelos tradicionais" da sociedade é, realmente, uma pessoa fora da curva tradicional. Há milhares de motivos que fazem uma pessoa deixar de seguir determinado modelo social, e na maioria das vezes nada tem a ver com escolhas sexuais e afins. A pessoa simplesmente se escolheu e deseja viver em paz. Para isso, deve fazer ouvidos de mercador. Porque, se estiver ligada ao que falam sobre ela ao seu redor...

Viva e deixe viver. Deveríamos seguir esse conselho em toda sua plenitude. Com certeza viveríamos em paz, seríamos mais felizes. Mas, por um motivo ou por outro, somos impelidas a cuidar da vida alheia. Como se isso fosse fazer diferença em nossa vida. Não faz... mas tudo o que desejamos, de verdade, é controlar a vida de nosso semelhante. No dia em que realmente nos preocuparmos mais com nossa vida e deixarmos outras pessoas em paz, então finalmente estaremos caminhado rumo à paz...

Tania Miranda   -   Brasil - 21/08/2026

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WE ARE WATCHED BY OUR PEERS...

There is an old concept—one of our age-old traditions—holding that for happiness to be complete, one must find someone with whom to share one's life. Sometimes this holds true; other times, it does not. And the reason is quite simple: each person lives a unique reality, one that may or may not resemble the realities of those around them...

Starting a family along traditional lines may or may not be part of a person's dream. That person will seek the paths leading to their chosen destination—and may, at times, simply ignore the pressure to follow a specific road, because it does not align with their dreams or their aspirations for fulfillment...

Our religious and social upbringing encourages people to seek a partner with similar ideas so they can build a future together. The trouble is, sharing a few points of agreement does not always capture both parties' attention or spark a mutual desire to walk life's path side by side...

We live in a heteronormative society, and its entire structure is geared toward that premise. Traditional thinking recognizes no relationship other than one between a man and a woman, a union whose primary objective is the propagation of the species. Consequently, a couple choosing not to have children is considered inconceivable—or worse yet, a man or woman who feels absolutely no need for a relationship with the opposite sex...

A man who commits to no relationship will not, initially, be viewed with suspicion by his social circle—provided that, even without a steady partner, he remains constantly "surrounded" by women. And provided his actions betray no sign of "deviant behavior"... if he embodies the figure of the masculine, predatory, dominant male, well... everything is fine. After all, a "real man" ought to "enjoy life" however he sees fit. The traditional family doesn't necessarily have to center on her...

As for women—even though our concept of society has evolved significantly—whenever a woman places her own life and comfort above what is deemed her "destiny," she is viewed with suspicion by the majority of her own social circle. Because motherhood is not seen as an option, but as an obligation...

Of course, there are women who do not wish to have children. They do not feel prepared to take on that role. Which is perfectly normal. As I always say, everyone lives their own personal reality. And that reality doesn't always vibrate on the same frequency as the majority...

Well, if she decides to dress a certain way, labels will be slapped on her... after all, Society needs to know exactly who it is talking to, who it is talking *about*... if she likes clothes that are a bit more... provocative, she’s a woman of "easy virtue" (though there is nothing "easy" about it); if she wears a conservative outfit, something must be wrong with her... and so it goes. Although women's dress codes are quite flexible, she will indeed be judged by what she presents to the world. And if, beyond her attire, any behavior is noticed that deviates from expectations... well, there’s a new label ready to be applied...

We are watched all the time. We live in a Big Brother world. And there is no need for control via cameras scattered along our path. The old "grapevine"—despite all modern advancements—remains the best way to spread lies and gossip... and to mind other people's business...

Not everyone who stops following society's "traditional models" is truly an outlier in the conventional sense. There are thousands of reasons why a person might step away from a specific social model, and most of the time, it has nothing to do with sexual choices or the like. The person has simply chosen themselves and wishes to live in peace. To do that, they must turn a deaf ear to the noise. Because, if one is bound by what is said about her by those around her...

Live and let live. We ought to follow that advice to the fullest. We would certainly live in peace and be happier. Yet, for one reason or another, we feel compelled to concern ourselves with the lives of others—as if that would make a difference in our own lives. It doesn't... and yet, what we truly desire is to control the lives of our fellow human beings. The day we truly focus more on our own lives and leave others in peace, only then will we finally be moving toward peace...

Tania Miranda   -   Brazil - August 21, 2026

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SOMOS OBSERVADOS POR NUESTROS COMPAÑEROS...

Existe un concepto antiguo, una de nuestras tradiciones mileniales, que dice que para ser completamente feliz, necesitas encontrar a alguien con quien compartir tu vida. A veces es cierto. Otras veces, no. Y esto se debe a una razón muy simple: cada persona vive una realidad particular, que puede o no parecerse a la de quienes la rodean.

Formar una familia según el modelo tradicional puede o no ser parte del sueño de una persona. Buscarán los caminos que los lleven a su destino elegido. Y a veces, simplemente ignorarán la presión de seguir un camino determinado. Porque ese camino no forma parte de sus sueños, de su deseo de superación...

Nuestra educación religiosa y social lleva a las personas a buscar una pareja con ideas similares para construir un futuro juntos. El problema es que tener algunos puntos en común no siempre atrae la atención de ambos, ni despierta en ellos el deseo de caminar juntos...

Bueno, vivimos en una sociedad heteronormativa. Y toda su estructura se basa en esta premisa. Porque, para el pensamiento tradicional, no existe otro tipo de relación que la que existe entre un hombre y una mujer. Y esta unión tiene como objetivo primordial la multiplicación de la especie. En otras palabras, es inconcebible que una pareja decida no tener hijos, por ejemplo. O, peor aún… un hombre o una mujer que no sienta la más mínima necesidad de una relación con representantes del sexo opuesto…

Un hombre que no se compromete con ningún tipo de relación no será, en principio, visto con recelo por su grupo social, siempre y cuando, aunque no tenga una pareja estable a su lado, esté siempre «rodeado» de representantes del sexo opuesto. Y mientras sus acciones no revelen ningún tipo de «comportamiento desviado»… si se ajusta a la figura del hombre masculino, depredador y dominante, pues… todo está bien en su vida. Al fin y al cabo, un hombre tiene que «disfrutar de la vida» como mejor le parezca. La familia tradicional no tiene por qué estar ligada a la figura...

En cuanto a las mujeres, aunque nuestro concepto de sociedad ha evolucionado considerablemente, cuando una mujer prioriza su vida y comodidad por encima de lo que se considera parte de su destino... bueno, será vista con recelo por la mayor parte de su familia. Porque la maternidad no es una opción, es una obligación...

Por supuesto, hay mujeres que no quieren tener hijos. No se sienten preparadas para asumir ese rol. Lo cual es perfectamente normal. Como siempre digo, cada persona vive su propia realidad. Y esta no siempre vibra en la misma frecuencia que la mayoría...

Bueno, si decide vestirse de cierta manera, la etiquetarán... después de todo, la sociedad necesita saber exactamente con quién habla, de quién habla... si le gusta la ropa un poco más... provocativa, es una mujer de "virtud fácil" (lo cual, en realidad, es todo menos fácil); si viste de forma sobria, algo anda mal con ella... y así sucesivamente. Aunque el código de vestimenta femenino es bastante flexible, sin duda se la juzgará por la imagen que proyecta. Y si, además de la ropa, se observa algún comportamiento que se desvíe de lo esperado, se le añadirá una nueva etiqueta.

Estamos bajo constante vigilancia. Vivimos en un mundo de vigilancia constante. Y no hay necesidad de controlarnos mediante cámaras que se extienden por nuestro camino. El viejo rumor, a pesar de toda la modernidad actual, sigue siendo la mejor manera de difundir mentiras, chismes y entrometerse en la vida ajena.

No todo aquel que deja de seguir los "modelos tradicionales" de la sociedad es, de hecho, una excepción. Hay miles de razones por las que una persona puede dejar de seguir un determinado modelo social, y la mayoría de las veces no tiene nada que ver con la orientación sexual ni nada parecido. La persona simplemente se elige a sí misma y desea vivir en paz. Para ello, debe hacer oídos sordos. Porque, si presta atención a lo que se dice de ella a su alrededor...

Vive y deja vivir. Deberíamos seguir este consejo al pie de la letra. Sin duda viviríamos en paz, seríamos más felices. Pero, por una razón u otra, nos vemos obligados a entrometernos en la vida de los demás. Como si eso fuera a cambiar la nuestra. No cambia nada... pero lo único que realmente deseamos es controlar la vida de nuestros semejantes. El día que nos preocupemos más por nuestra propia vida y dejemos a los demás en paz, entonces por fin estaremos caminando hacia la paz...

Tania Miranda - Brasil - 21/08/2026


 

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