REFLEXÕES


REFLEXÕES

Às vezes, quando ficamos ao lado de uma conversa, como se não estivéssemos participando da mesma, como se não estivéssemos atentas ao que se discutia a poucos passos de onde nos encontramos, acabamos por ouvir coisas deveras interessantes... muitas vezes, fatos e acontecimentos que jamais deveríamos saber, na concepção dos envolvidos em tais ocorrências. Foi assim que acabei por inteirar-me de alguns fatos que, segundo algumas pessoas, jamais deveriam chegar aos meus ouvidos...

Na verdade, eram ocorrências familiares simples... nada que me envolvesse diretamente. Mas como sou considerada uma pessoa "difícil" pela maioria de meus parentes... filhos, inclusive... seriam narrativas que jamais deveriam chegar até a mim...

Isso se deve ao fato de que sou considerada teimosa. As pessoas à minha volta me acham arrogante, sempre dona da razão, mesmo quando estou errada. Não é bem assim. Mas o que conta não é quem você é de fato, e sim a imagem que construíram, a personagem que criaram. E essa imagem, em meu círculo familiar, é a mais negativa possível...

Sou uma pessoa reservada. Costumo ficar em meu canto, apenas observando a vida se desenrolar à minha volta. Sou dedicada à família, avessa a eventos sociais. Participo de alguns, mas não com a constância esperada pelos demais. Prezo minha discrição. Sou o tipo da pessoa que, quando percebe que está incomodando, simplesmente se retira do ambiente em questão... e isso acaba por incomodar as pessoas que gravitam à minha volta...

Mesmo meus filhos não tem uma visão positiva de mim. É difícil admitir isso, mas é a realidade. Se algo não sai como deveria, mesmo antes de qualquer análise mais objetiva, a culpa sempre recai sobre mim. Normal, já me acostumei. Mesmo porque esse tipo de atitude me acompanha desde a infância. Mesmo minha cara metade costuma dar suas alfinetadas, mesmo quando me defende de alguma injustiça, algo que estamos todas sujeitas a enfrentar...

Aparentemente estou reclamando. Não é isso. Simplesmente estou descrevendo aquilo que é minha vida, meu dia a dia. Claro, minha família por vezes é condescendente, me trata com respeito. Bem, é o mínimo que se pode esperar. Mas muito desse tratamento é porque evito ao máximo confrontar algumas situações, pois não vejo sentido em manter querelas tanto no âmbito familiar como social. Claro que algumas vezes fico frustrada, pois há momentos em que sinto que não posso confiar de verdade em ninguém... nem mesmo naquelas pessoas que, por um motivo ou por outro, me são caras. Mas isso é minha percepção de meu entorno, não significa que tal seja a realidade que me cerca...

O problema é que cada um de nós tem sua própria visão da vida. E quando aquilo que percebemos ao nosso redor não corresponde ao que esperávamos, nossa primeira reação é nos afastar de algo que, ao menos para nós, está nos alertando de um perigo iminente. Que, na maioria das vezes, só existe em nossa imaginação. Mas nosso senso de preservação costuma nos colocar em guarda...

Viver isolada do mundo tem suas vantagens e desvantagens. Não sei precisar qual dos dois lados leva vantagem na comparação. Eu diria que a maior vantagem seria a maior dificuldade em se decepcionar com algo, pois se você não interage com ninguém, não há como algo sair de seu controle... e aí está a palavra chave... controle...

Por outro lado, para que você possa viver em sociedade, há a necessidade de estabelecer conexões. Pois somente através destas você consegue alcançar seus objetivos, que dependem não só de seu esforço, mas da ajuda daqueles que circulam à sua volta. Como já disse o poeta certa vez, "ninguém nesse mundo é uma ilha..."  

Não reclamo das minhas escolhas. Cada passo que dou "é friamente calculado", como diria certo personagem de uma série humorística que meus filhos amavam quando eram crianças. E entendo que nem sempre correspondo às suas expectativas. Mas, na realidade, ninguém consegue corresponder, não é mesmo? Afinal, a vida é dinâmica, e nos apresenta uma nova prova a cada minuto. E cabe a nós provar, não só a nós mesmas, mas também ao mundo, que somos maduras o suficiente para assimilarmos cada golpe recebido como um degrau conquistado rumo ao futuro... ao nosso futuro...

Tania Miranda   -    Brasil   -   10/08/2026

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REFLECTIONS

Sometimes, when we stand near a conversation—as if we weren't participating in it, as if we weren't paying attention to what was being discussed just a few steps away—we end up hearing truly interesting things... often, facts and events that, in the view of those involved, we were never meant to know. That is how I came to learn of certain matters that, according to some people, should never have reached my ears...

In truth, they were simple family matters... nothing that directly involved me. But since most of my relatives—my children included—consider me a "difficult" person, these were stories that were never supposed to reach me...

This stems from the fact that I am considered stubborn. The people around me find me arrogant—always convinced I’m right, even when I’m wrong. That isn't quite the case. But what matters isn't who you actually are; it’s the image they’ve built, the persona they’ve created. And within my family circle, that image is as negative as can be...

I am a reserved person. I tend to keep to myself, simply observing life unfold around me. I am devoted to my family but averse to social events. I attend some, though not as frequently as others expect. I value my privacy. I am the type of person who, upon realizing I am becoming a nuisance, simply removes myself from the situation... and that, in turn, ends up bothering the people in my orbit...

Even my children do not view me positively. It is hard to admit, but it is the reality. If something goes wrong, the blame falls on me before any objective analysis even takes place. It’s normal; I’m used to it. After all, this kind of attitude has followed me since childhood. Even my better half tends to take digs at me—even when defending me against some injustice, the sort of thing we are all liable to face...

It may sound like I am complaining. That is not the case. I am simply describing my life, my day-to-day existence. Of course, my family is sometimes accommodating; they treat me with respect. Well, that is the least one can expect. But much of that treatment stems from the fact that I avoid confrontation as much as possible, seeing no point in maintaining quarrels—whether within the family or in social circles. Naturally, I do get frustrated at times, as there are moments when I feel I cannot truly trust anyone... not even those who, for one reason or another, are dear to me. But that is merely my perception of my surroundings; it does not necessarily reflect the reality around me...

The problem is that each of us has our own view of life. And when what we perceive around us doesn't match our expectations, our first reaction is to pull away from something that—at least to us—signals imminent danger. A danger that, more often than not, exists only in our imagination. Yet, our instinct for self-preservation tends to put us on guard...

Living in isolation from the world has its advantages and disadvantages. I couldn't say for sure which side holds the upper hand. I would argue that the greatest advantage is the reduced risk of disappointment; if you don't interact with anyone, nothing can spiral out of your control... and there lies the keyword: control...

On the other hand, living in society requires establishing connections. After all, it is only through these connections that you can achieve your goals—goals that depend not just on your own effort, but on the help of those around you. As a poet once said, "no man is an island..."

I have no complaints about my choices. Every step I take is "coldly calculated," as a certain character from a comedy series my children loved when they were young used to say. I realize I don't always live up to their expectations. But, in reality, no one ever truly does, right? After all, life is dynamic, presenting us with a new challenge at every turn. And it is up to us to prove—not only to ourselves but also to the world—that we are mature enough to take every blow we receive and turn it into a stepping stone toward the future... toward our future...

Tania Miranda   -    Brazil   -   August 10, 2026

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REFLEXIONES

A veces, cuando observamos una conversación como si no participáramos, como si no prestáramos atención a lo que se discute a pocos pasos de distancia, terminamos escuchando cosas realmente interesantes... a menudo, hechos y acontecimientos que, según los involucrados, jamás deberíamos saber. Así fue como terminé enterándome de algunos hechos que, según algunas personas, nunca debí haber escuchado...

En realidad, se trataba de simples sucesos familiares... nada que me involucrara directamente. Pero como la mayoría de mis parientes me consideran una persona "difícil", incluidos mis hijos... estas eran historias que nunca debieron haber llegado a mis oídos...

Esto se debe a que me consideran terca. La gente a mi alrededor piensa que soy arrogante, que siempre tengo razón, incluso cuando me equivoco. Eso no es del todo cierto. Pero lo que cuenta no es quién eres realmente, sino la imagen que han construido, el carácter que han creado. Y esta imagen, dentro de mi círculo familiar, es la más negativa posible...

Soy una persona reservada. Suelo mantenerme al margen, observando cómo transcurre la vida a mi alrededor. Soy muy apegada a mi familia y no me gustan los eventos sociales. Participo en algunos, pero no con la frecuencia que otros esperan. Valoro mi discreción. Soy de las que, cuando se dan cuenta de que molestan a alguien, simplemente se alejan del lugar en cuestión... y esto termina molestando a quienes me rodean.

Ni siquiera mis hijos tienen una buena opinión de mí. Me cuesta admitirlo, pero es la realidad. Si algo no sale como debería, incluso antes de cualquier análisis objetivo, la culpa siempre recae sobre mí. Es normal, estoy acostumbrada. Sobre todo porque esta actitud me acompaña desde la infancia. Incluso mi pareja suele lanzar indirectas, incluso cuando me defiende de alguna injusticia, algo que todos enfrentamos...

Parece que me estoy quejando. No es eso. Simplemente estoy describiendo cómo es mi vida, mi día a día. Claro, mi familia a veces es condescendiente, me tratan con respeto. Bueno, es lo mínimo que se puede esperar. Pero gran parte de este trato se debe a que evito enfrentarme a ciertas situaciones en la medida de lo posible, ya que no le veo sentido a mantener discusiones, ni dentro de la familia ni en el ámbito social. Por supuesto, a veces me frustro, porque hay momentos en que siento que no puedo confiar plenamente en nadie... ni siquiera en las personas que, por una razón u otra, me son queridas. Pero esa es mi percepción de mi entorno; no significa que esa sea la realidad que me rodea...

El problema es que cada uno tiene su propia visión de la vida. Y cuando lo que percibimos a nuestro alrededor no se corresponde con lo que esperábamos, nuestra primera reacción es alejarnos de algo que, al menos para nosotros, nos alerta de un peligro inminente. Un peligro que, la mayoría de las veces, solo existe en nuestra imaginación. Pero nuestro instinto de supervivencia suele ponernos en alerta...

Vivir aislado del mundo tiene sus ventajas y desventajas. No sabría decir qué lado tiene ventaja en esta comparación. Diría que la mayor ventaja es la mayor dificultad para decepcionarse, porque si no interactúas con nadie, es imposible que algo se te escape de las manos... y ahí está la palabra clave: control.

Por otro lado, para vivir en sociedad, es necesario establecer conexiones. Porque solo a través de ellas puedes alcanzar tus metas, que dependen no solo de tu esfuerzo, sino también de la ayuda de quienes te rodean. Como dijo el poeta: «Nadie es una isla...».

No me quejo de mis decisiones. Cada paso que doy está «fríamente calculado», como diría cierto personaje de una serie de comedia que mis hijos adoraban de pequeños. Y entiendo que no siempre cumplo sus expectativas. Pero, en realidad, nadie puede, ¿verdad? Al fin y al cabo, la vida es dinámica y nos presenta un nuevo desafío a cada minuto. Y nos corresponde a nosotros demostrar, no solo a nosotros mismos sino también al mundo, que somos lo suficientemente maduros para asimilar cada golpe recibido como un paso adelante hacia el futuro... nuestro futuro...

Tania Miranda - Brasil - 10/08/2026

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