O PASSADO NÃO VOLTA


O PASSADO NÃO VOLTA

A vida se desenrola mais ou menos como uma fita, onde aquilo que passou não pode ser modificado. Sim, é como se fossemos personagens de uma película cinematográfica, onde aquilo que passou, que ficou registrado, não pode ser apagado... pois não há como retornar no tempo...

Estranho pensar assim, não é mesmo? Mas... nunca te deu vontade de retroceder no tempo e reviver momentos que eram mais tranquilos em sua vida? Fatos que ocorreram e tem resquícios até o seu momento atual... alguns, muito bons. Outros, nem tanto. E esses momentos bons te dão uma saudade incrível, te fazem sonhar de olhos abertos, tentando reviver passagens agradáveis de sua vida...

Geralmente pensamos mais em nossa infância. Afinal, era o momento em que a vida tinha um quê de magia, onde tudo era possível. Mesmo que vivendo em estado de penúria... e muitas pessoas passam por essa situação... ainda assim era um momento em que tudo parecia se resolver com o sorriso da mamãe, com o acalento do papai...

Sim, não existe um período mais doce que a infância. Foi quando aprendemos a sonhar, alcançando com nossas mãozinhas as estrelas do infinito. Tudo era possível. Se levávamos uma queda e, por exemplo, ralávamos o joelho... nada demais, apenas uma escoriação leve... a mamãe dava um beijinho e instantaneamente o ferimento parava de incomodar. O amor nos curava como um passe de mágica...

Quando nos reuníamos com as outras crianças e iniciávamos nossos folguedos, tudo à nossa volta se transformava. Era como se, de repente, fôssemos transportados para uma outra dimensão. E, de certa forma, era isso o que acontecia...

Nada nos preocupava. Afinal, mamãe e papai estavam ali, nos protegendo da chuva, do frio... das quedas que por ventura pudéssemos sofrer. Quando alguma enfermidade nos acometia, nossos genitores cuidavam com todo carinho, nos confortando com seu calor. E então, magicamente, nos recuperávamos...

Mas o tempo é inexorável. E caminha sempre para frente. E nos faz avançar, dia após dia, para um futuro incerto. Bem, incerto não é a palavra correta. Sabemos como tudo irá terminar. Simplesmente não pensamos sobre isso...

Crescemos, colocamos em dúvida tudo aquilo que nossos genitores fizeram por nós, muitas vezes, olhando o passado até reclamamos de algumas passagens de nossa vida. Claro, quando analisamos os momentos em questão percebemos que tudo aquilo que foi feito por nossos pais foi feito por amor. E somente o amor que nos dedicaram nos permitiram chegar no patamar que hoje ocupamos.

Chegou nossa vez de nos doar àqueles que vieram depois de nós. Tentamos acertar, procuramos não cometer os mesmos erros que aqueles que vieram antes e nos apoiaram. Algumas vezes somos bem sucedidos e não repetimos as falhas de nossos antecessores. Cometemos novas, algumas vezes piores que aquelas que condenamos. E sabe o que é engraçado? Nem percebemos o quanto erramos em determinados passos que damos. Algumas vezes a soluções que encontramos em nada se diferem dos erros que atribuímos àqueles que, com todo seu amor, tentaram tornar nossa caminhada mais leve...

Sim, há momentos em que gostaríamos de voltar ao nosso tempo de criança. Procurar o colo de nossos pais e esperar que eles nos ajudassem a atravessar a tempestade que, de tempos em tempos, vem nos visitar. Mas, é como sabemos... não há como regredir no tempo. O que passou, passou... é a nossa vez de conduzir  e proteger aqueles que foram confiados aos nossos cuidados...

E no final, depois de toda a caminhada, só nos resta a saudade. Saudade de um tempo quando tudo era mais simples... ao menos para nós. Pois aqueles que nos carregaram enfrentaram os mesmos problemas que hoje nos afligem. E só agora, que chegou a nossa vez de tomar as decisões que irão influenciar o futuro de nossos pequenos é que finalmente compreendemos o quanto nossos pais abriram mão de muito daquilo que gostariam de realizar, em nome de nosso conforto, de nosso futuro... e tudo isso por amor...

E assim é a vida... momentos passados que foram lindos... momentos futuros que são uma incógnita, ao menos para nós... se no futuro aqueles que estão sob nossos cuidados tiverem em sua memória boas lembranças do tempo que estiveram conosco, da mesma forma que nos lembramos de nosso passado, teremos sido bem sucedidos em nossa tarefa. Pois, no final, tudo se resume a isso... criar boas lembranças para aqueles que orientamos para o mundo... 

Tania Miranda  -   15/07/2026  -  Brasil

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THE PAST DOES NOT RETURN

Life unfolds much like a film reel, where what has passed cannot be altered. Yes, it is as if we were characters in a movie, where what has happened—what has been recorded—cannot be erased... for there is no way to turn back time...

It is strange to think this way, isn't it? But... have you never felt the urge to go back in time and relive moments when life was calmer? Events that occurred and left traces that linger to this day... some very good, others not so much. And those good moments fill you with such longing; they make you daydream, trying to relive pleasant passages of your life...

We tend to think most often of our childhood. After all, it was a time when life held a touch of magic, when anything was possible. Even amidst hardship—and many people experience such times—it was still a period when everything seemed to be set right by Mom’s smile or Dad’s comforting embrace...

Yes, there is no sweeter time than childhood. It was when we learned to dream, reaching out with our tiny hands to touch the stars of the infinite. Anything was possible. If we fell and scraped a knee—nothing serious, just a minor abrasion—Mom would plant a kiss on it, and the pain would instantly vanish. Love healed us as if by magic...

When we gathered with other children to play, everything around us transformed. It was as if we were suddenly transported to another dimension. And, in a way, that is exactly what happened...

We had no worries. After all, Mom and Dad were right there, shielding us from the rain and the cold... and from any falls we might suffer. Whenever illness struck, our parents cared for us with such tenderness, comforting us with their warmth. And then, magically, we would recover...

But time is inexorable. It always moves forward. It pushes us onward, day after day, toward an uncertain future. Well, "uncertain" isn't quite the right word. We know how it all ends. We simply choose not to think about it...

We grow up and question everything our parents did for us; looking back, we sometimes even complain about certain parts of our lives. Of course, when we truly analyze those moments, we realize that everything our parents did was done out of love. And it was only the love they gave us that allowed us to reach the place where we stand today.

Now it is our turn to give of ourselves to those who came after us. We try to get it right; we strive not to make the same mistakes as those who came before and supported us. Sometimes we succeed and avoid repeating our predecessors' errors. Yet, we make new ones—sometimes worse than the very mistakes we once condemned. And you know what’s funny? We often don't even realize how much we stumble in the steps we take. Sometimes, the solutions we find are no different from the mistakes we attributed to those who, with all their love, tried to make our journey a little lighter...

Yes, there are moments when we wish we could go back to childhood—to seek the comfort of our parents' arms and hope they would help us weather the storms that visit us from time to time. But, as we know... there is no turning back the clock. What’s past is past... and now it is our turn to guide and protect those entrusted to our care...

And in the end, after the journey is over, all that remains is a longing—a longing for a time when everything was simpler... at least for us. For those who carried us faced the very same problems that trouble us today. And only now—as our turn comes to make the decisions that will shape our little ones' futures—do we finally grasp how much our parents sacrificed of what they themselves wished to achieve, all for the sake of our comfort and our future... and all of it out of love...

Such is life... beautiful moments gone by... future moments that remain an unknown—at least to us. If, in the future, those currently in our care hold fond memories of the time spent with us—just as we cherish memories of our own past—then we will have succeeded in our task. For, in the end, that is what it all comes down to: creating good memories for those we guide out into the world...

Tania Miranda  -  July 15, 2026  -  Brazil

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EL PASADO NO REGRESA

La vida se desarrolla más o menos como una película, donde lo pasado no se puede cambiar. Sí, es como si fuéramos personajes de una película, donde lo pasado, lo grabado, no se puede borrar... porque no hay forma de volver atrás en el tiempo...

Es extraño pensar así, ¿verdad? Pero... ¿acaso no has deseado alguna vez volver atrás en el tiempo y revivir momentos más tranquilos de tu vida? Eventos que ocurrieron y de los que aún quedan vestigios en el presente... algunos muy buenos. Otros, no tanto. Y esos buenos momentos te dan una nostalgia increíble, te hacen soñar despierto, intentando revivir pasajes agradables de tu vida...

Solemos pensar más en nuestra infancia. Después de todo, fue la época en que la vida tenía un toque de magia, donde todo era posible. Incluso viviendo en la pobreza... y mucha gente pasa por esta situación... seguía siendo una época en la que todo parecía resolverse con la sonrisa de mamá, con el consuelo de papá...

Sí, no hay una época más dulce que la infancia. Fue entonces cuando aprendimos a soñar, alcanzando las estrellas del infinito con nuestras manitas. Todo era posible. Si nos caíamos y, por ejemplo, nos raspábamos la rodilla... nada grave, solo un raspón... mamá nos daba un beso e instantáneamente la herida dejaba de molestarnos. El amor nos curaba como por arte de magia...

Cuando nos juntábamos con los otros niños y empezábamos a jugar, todo a nuestro alrededor se transformaba. Era como si, de repente, nos transportaran a otra dimensión. Y, en cierto modo, eso fue lo que pasó...

Nada nos preocupaba. Al fin y al cabo, mamá y papá estaban ahí, protegiéndonos de la lluvia, del frío... de cualquier caída que pudiéramos sufrir. Cuando enfermábamos, nuestros padres nos cuidaban con todo su amor, consolándonos con su calidez. Y entonces, como por arte de magia, nos recuperábamos...

Pero el tiempo es inexorable. Y siempre avanza. Y nos hace avanzar, día tras día, hacia un futuro incierto. Bueno, incierto no es la palabra adecuada. Sabemos cómo terminará todo. Simplemente no pensamos en ello...

Crecemos cuestionando todo lo que nuestros padres hicieron por nosotros, a menudo incluso quejándonos de ciertos momentos de nuestra vida al recordarlos. Claro que, al analizar esos momentos, nos damos cuenta de que todo lo que hicieron fue por amor. Y solo el amor que nos brindaron nos permitió llegar a donde estamos hoy.

Ahora nos toca a nosotros entregarnos a quienes vinieron después. Intentamos hacerlo bien, intentamos no cometer los mismos errores que quienes nos precedieron y nos apoyaron. A veces lo logramos y no repetimos los errores de nuestros predecesores. Otras veces cometemos otros nuevos, a veces peores que los que condenamos. ¿Y saben qué es lo curioso? Ni siquiera nos damos cuenta de cuánto nos equivocamos en ciertos pasos que damos. A veces, las soluciones que encontramos no son diferentes de los errores que atribuimos a quienes, con todo su amor, intentaron facilitarnos el camino...

Sí, hay momentos en que nos gustaría volver a nuestra infancia. Buscamos el abrazo de nuestros padres y esperamos que nos ayuden a superar las dificultades que, de vez en cuando, nos azotan. Pero, como bien sabemos, no hay vuelta atrás. El pasado es pasado; ahora nos toca guiar y proteger a quienes nos han sido confiados.

Y al final, tras todo este camino, solo queda la nostalgia. La nostalgia de una época más sencilla, al menos para nosotros. Porque quienes nos llevaron en su vientre se enfrentaron a los mismos problemas que hoy nos aquejan. Y solo ahora, cuando nos toca tomar las decisiones que influirán en el futuro de nuestros pequeños, comprendemos por fin cuánto sacrificaron nuestros padres por nuestro bienestar, por nuestro futuro... y todo por amor.

Así es la vida: momentos pasados ​​hermosos, momentos futuros inciertos, al menos para nosotros. Si en el futuro quienes están a nuestro cuidado guardan buenos recuerdos del tiempo que pasaron con nosotros, del mismo modo que nosotros recordamos nuestro pasado, habremos cumplido nuestra misión. Porque, al final, todo se reduce a esto... crear buenos recuerdos para aquellos a quienes guiamos al mundo...

Tania Miranda - 15 de julio de 2026 - Brasil

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