A VIDA É UM PARADOXO...


A VIDA É UM PARADOXO...

Há momentos em que nos sentimos meio perdidas, não é mesmo? É uma sensação ruim, porque na realidade não sabemos o porque deste sentimento. À nossa volta tudo parece normal, tudo se desenrola como sempre, nada denota alguma alteração em nosso mundo particular. Mas, ainda assim...

Cada um de nós tem sua própria função neste plano. E precisamos cumpri-la, sob o risco de toda uma estrutura desabar. Porque cada acontecimento tem sua lógica própria, e cada ação tem seu correspondente na reação que causará. Quase nunca conseguimos entender a razão daquilo que não dá para explicar... afinal, se fosse fácil compreender o que se passa à nossa volta, entenderíamos o sentido real do mundo... mas ele sempre nos traz surpresas... e nem sempre essas são agradáveis...

Nossa interação com as pessoas ao nosso redor se faz necessária porque, embora sejamos solitários por natureza, não conseguimos viver isolados do mundo. Sim, eu sei que tal afirmação não faz sentido algum. Mas quem disse que a vida precisa fazer sentido? Em realidade, o movimento social no qual estamos inseridas requer ações consistentes. Mas não necessita que entendamos o porque agimos desta ou daquela maneira. Para o grupo como um todo, o que importa são os resultados, não os caminhos tomados para chegar até estes...

Sim, por mais que nos doa admitir, não passamos de peças que podem ser substituídas, se tal for necessário. Porque, no final, mesmo que determinado elemento escolha um caminho diferente para executar determinada tarefa, se o resultado for o esperado, não fará diferença alguma para a estrutura como um todo...

Quando iniciamos um trabalho autoral desejamos ser reconhecidas como alguém que pode vir a ser imprescindível na escala social. Não sei se notaram, mas pouquíssimas pessoas tem sucesso em tal intento enquanto vivas. Suas palavras só passam a ter algum peso para a Sociedade como um todo quando não mais pertencem a este plano. Quando não podem mais discordar se alguém desvirtua suas ideias originais... 

Já reparou que tem sempre alguém discorrendo sobre obras escritas a tempos atrás? Pouquíssimas pessoas se preocupam em falar sobre algo recente, porque escrever ou comentar sobre um texto famoso de eras passadas dá à pessoa a impressão de que conseguiu entrar na cabeça daquele que partiu... essa pessoa acredita que conseguiu desvendar os segredos escondidos nas ideias de alguém que já não pode contestar sua interpretação do que lê...

A vida é um eterno paradoxo... nada faz sentido, tudo se encaixa perfeitamente. Por mais que tentemos encontrar coerência nos caminhos que trilhamos,  ao nos sentar e analisar a estrada percorrida, descobrimos que pouco de nossas metas foi alcançado. Tudo porque a vida é feita de escolhas. E uma escolha sempre denota abrir mão de alguma coisa. Não conseguimos estar em dois lugares ao mesmo tempo. Lei da Física... simples assim...

Não temos como conseguir ocupar todos os lugares que desejamos. Será sempre necessário abrir mão de alguma coisa. E nesse afã de alcançar, mesmo que em parte, a posição mais alta do pódio, tentamos descartar aquilo que nos parece menos importante em uma análise superficial, porque o tempo não nos permite dispender nosso precioso tempo para avaliar com cautela as opções na mesa... muitas vezes temos frações de segundos para decidir qual passo daremos em nossas vidas. Sim, frequentemente nos arrependemos por ter escolhido determinada senda em detrimento de outra. Mas, como eu disse, a vida é feita de opções...

Então, quando nos sentirmos perdidas, quando nada parecer fazer sentido em nossa vida, é o momento certo para analisar nossa caminhada. E se no final chegarmos à conclusão de que aquilo que a vida nos cobra é mais do que podemos dispender, então é hora de parar tudo e iniciar um novo rumo. Porque a vida não é estática. O mundo tem mil e uma variações. Uma delas, com certeza, poderá se aplicar à nossa vida com perfeição. Ou não, é claro. Mas só saberemos se realmente tentarmos...

Tania Miranda   -   Brasil   -   17/07/2026

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Life is a paradox...

There are moments when we feel a bit lost, aren't there? It’s an unpleasant sensation, because, in reality, we don't know the reason behind it. Everything around us seems normal; things unfold just as they always have, and nothing signals a shift in our own private world. Yet, even so...

Each of us has a specific role to play on this plane. And we must fulfill it, lest the entire structure collapse. For every event has its own logic, and every action has a corresponding reaction. We can rarely grasp the reason behind things that defy explanation... after all, if it were easy to comprehend what goes on around us, we would understand the true meaning of the world... but life always holds surprises for us... and they aren't always pleasant ones...

Interacting with those around us is essential because, although we are solitary by nature, we cannot live in isolation from the world. Yes, I know that statement makes no sense. But who said life has to make sense? In reality, the social dynamic we inhabit demands consistent actions, yet it does not require us to understand *why* we act the way we do. To the group as a whole, what matters is the result, not the path taken to achieve it...

Yes, however painful it may be to admit, we are nothing more than replaceable parts, should the need arise. Because, in the end, even if an individual chooses a different path to carry out a task, if the outcome meets expectations, it makes no difference to the structure as a whole...

When we embark on a creative endeavor, we long to be recognized as indispensable figures within the social order. You may have noticed that very few people achieve this while still alive. Their words only carry weight with society once they have departed this plane—once they are no longer around to object if someone distorts their original ideas...

Have you ever noticed how there is always someone discussing works written long ago? Very few people bother to talk about recent matters, because writing or commenting on a famous text from ages past gives one the impression of having entered the mind of the person who has departed... that person believes they have unlocked secrets hidden in the ideas of someone who can no longer challenge their interpretation of the text...

Life is an eternal paradox... nothing makes sense, yet everything fits together perfectly. No matter how hard we try to find coherence in the paths we tread, when we sit down and analyze the road traveled, we discover that few of our goals have actually been met. All because life is made of choices. And a choice always implies giving something up. We cannot be in two places at once. A law of physics... simple as that...

We cannot possibly occupy every place we desire. It will always be necessary to let go of something. And in our eagerness to reach—even if only partially—the top spot on the podium, we try to discard what seems less important upon superficial analysis, because time does not allow us to carefully weigh the options on the table... often, we have mere fractions of a second to decide which step to take in our lives. Yes, we frequently regret having chosen one path over another. But, as I said, life is made of choices...

So, when we feel lost, when nothing in our lives seems to make sense, that is the right moment to analyze our journey. And if, in the end, we conclude that what life demands of us is more than we can give, then it is time to stop everything and strike out in a new direction. Because life is not static. The world holds a thousand and one variations. One of them, surely, could apply perfectly to our lives. Or perhaps not, of course. But we will only know if we truly try...

Tania Miranda   -   Brazil   -   July 17, 2026

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LA VIDA ES UNA PARADOJA...

Hay momentos en que nos sentimos un poco perdidos, ¿verdad? Es una sensación desagradable porque, en realidad, no sabemos por qué nos sentimos así. A nuestro alrededor, todo parece normal, todo transcurre como siempre, nada indica ninguna alteración en nuestro mundo particular. Pero aun así...

Cada uno de nosotros tiene su propia función en este plan. Y debemos cumplirla, a riesgo de que toda la estructura se derrumbe. Porque cada evento tiene su propia lógica, y cada acción su reacción correspondiente. Casi nunca logramos comprender la razón de lo inexplicable... después de todo, si fuera fácil entender lo que sucede a nuestro alrededor, comprenderíamos el verdadero significado del mundo... pero siempre nos trae sorpresas... y estas no siempre son agradables...

Nuestra interacción con las personas que nos rodean es necesaria porque, aunque somos solitarios por naturaleza, no podemos vivir aislados del mundo. Sí, sé que tal afirmación no tiene ningún sentido. Pero ¿quién dijo que la vida tiene que tener sentido? En realidad, el movimiento social en el que estamos inmersos requiere acciones coherentes. Pero no necesitamos entender por qué actuamos de una u otra manera. Para el grupo en su conjunto, lo que importa son los resultados, no los caminos recorridos para alcanzarlos...

Sí, por doloroso que sea admitirlo, no somos más que piezas reemplazables, si es necesario. Porque, al final, incluso si un elemento elige un camino diferente para realizar una tarea determinada, si el resultado es el esperado, no afectará a la estructura en su conjunto...

Cuando comenzamos una obra original, queremos ser reconocidos como personas que pueden volverse indispensables en el ámbito social. No sé si lo has notado, pero muy pocas personas lo logran en vida. Sus palabras solo empiezan a tener peso para la sociedad en su conjunto cuando ya no pertenecen a este plano. Cuando ya no pueden discrepar si alguien distorsiona sus ideas originales...

¿Te has dado cuenta de que siempre hay alguien hablando de obras escritas hace mucho tiempo? Muy poca gente se molesta en hablar de algo reciente, porque escribir o comentar un texto famoso de épocas pasadas da la impresión de haber logrado entrar en la mente del difunto... Esta persona cree haber desvelado los secretos ocultos en las ideas de alguien que ya no puede refutar su interpretación de lo leído...

La vida es una eterna paradoja... nada tiene sentido, todo encaja a la perfección. Por mucho que intentemos encontrar coherencia en los caminos que recorremos, cuando nos sentamos a analizar el camino transitado, descubrimos que poco de nuestros objetivos se ha logrado. Todo porque la vida está hecha de elecciones. Y una elección siempre implica renunciar a algo. No podemos estar en dos lugares a la vez. Ley de la física... así de simple...

No podemos ocupar todos los lugares que deseamos. Siempre será necesario renunciar a algo. Y en este afán por alcanzar, aunque sea parcialmente, la posición más alta del podio, intentamos descartar lo que parece menos importante en un análisis superficial, porque el tiempo no nos permite dedicar nuestro valioso tiempo a evaluar cuidadosamente las opciones que tenemos sobre la mesa... a menudo disponemos de fracciones de segundo para decidir qué paso daremos en nuestras vidas. Sí, a menudo nos arrepentimos de haber elegido un camino en lugar de otro. Pero, como dije, la vida se compone de elecciones...

Así que, cuando nos sentimos perdidos, cuando nada parece tener sentido en nuestras vidas, es el momento adecuado para analizar nuestro camino. Y si al final concluimos que lo que la vida nos exige es más de lo que podemos permitirnos, entonces es hora de parar todo y emprender un nuevo rumbo. Porque la vida no es estática. El mundo tiene mil y una variaciones. Una de ellas, sin duda, podría aplicarse perfectamente a nuestras vidas. O no, por supuesto. Pero solo lo sabremos si realmente lo intentamos...

Tania Miranda - Brasil - 17/07/2026

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