VIVER É COMPLEXO


 VIVER É COMPLEXO

Somos carentes. Todos nós. Isso é um fato que, muitas vezes, nos recusamos a admitir. Mas quando alguém que prezamos age de uma maneira que não  esperávamos, nos sentimos atingidas. Não que esse alguém tenha pensado em nos magoar. Nada disso. É que, simplesmente, nos magoamos porque a atitude que a pessoa tomou não correspondia àquilo que imaginávamos...

O engraçado é que não estou falando de pessoas com as quais teríamos uma relação mais íntima. Estou me referindo a amigos, colegas, conhecidos. Ou seja, nada assim mais próximo de nosso Universo Pessoal. Mesmo assim, algumas vezes nos sentimos atingidas por ações que nada tem a ver conosco...

Bem, por mais que não queiramos aceitar, nos sentimos o Centro do Universo. Tudo bem, é o Nosso Universo. Mas, embora tenhamos consciência de que não somos a peça mais importante no meio que estamos inseridas, é difícil admitirmos para nós mesmas que nada somos para o nosso grupo...

Não estou generalizando. Há situações e situações. Estou me referindo a momentos especiais nos quais nos sentimos "traídas" por aquela pessoa que, mesmo não sendo assim tão próxima de nós, consideramos importante para nossa vida...

Essa é uma situação de mão dupla... assim como você alguma vez se sente preterida por alguém, esse alguém também, em algum momento se sentirá abandonado por você. E por que? Simples... a vida é dinâmica. E todos nós vivemos escolhendo os caminhos que trilharemos a todo instante. E nem sempre todos os personagens à nossa volta fazem parte dessas escolhas...  

Uma coisa deve ficar bem clara... muitas de nossas ações são instintivas. Tomadas de momento, sem uma análise consciente. Porque, ao tomarmos uma decisão, procuramos o melhor caminho para seguir pela senda escolhida. E os parceiros dessa caminhada serão definidos aleatoriamente. Nem sempre aquela pessoa que se encontra ao nosso lado seguirá conosco nessa empreitada...

São vários os fatores que nos levam à escolha do grupo a nos seguir. Todos eles decididos inconscientemente. Não que toda decisão por nós não seja pensada. Mas, muitas vezes, já chegamos com uma ideia pré concebida daquilo que iremos fazer... 

E aí está o paradoxo do ser humano. Você sabe que não tem o domínio daquilo que irá ocorrer. Suas escolhas, aleatórias por natureza, te parecem algo definido seguindo suas bases, seu pensamento. Você tem senso crítico. E é baseada nesse senso crítico que tomará suas decisões. Que nem sempre agradarão sua audiência...

Onde está o paradoxo? Bem, você nunca toma uma decisão pensando em magoar alguém. Geralmente, quando resolvemos seguir determinada diretriz, levamos em conta o sentimento daqueles que estão, de alguma forma, sob influência do que decidimos. E procuramos seguir um caminho que permita favorecer a todos que, de uma forma ou de outra, são importantes em nossa vida...

Mas... e sempre existe um "mas"... a visão de cada pessoa é diferente. Aquilo que para mim é um caminho seguro para todos pode não ser assim considerado por aqueles que me cercam. Os que foram escolhidos para seguir podem não se sentir confortáveis com minha escolha. Os que decidi poupar, por um motivo ou por outro, podem se ofender, não entendendo o porque da exclusão do grupo...

Percebe como é uma situação um tanto quanto complicada? Há vários fatores envolvidos em nossas escolhas. Nenhuma delas envolvendo sentimentos amorosos. Apenas decisões práticas de nosso dia a dia. Ainda assim, devido à nossa carência sentimental, pode magoar alguém. Que, de repente. pode não entender porque você agiu assim e não de outro jeito...

Mas essa é a vida. Por isso é importante não criar expectativas sobre o que pode ou não ocorrer ao seu redor. A melhor forma de não se decepcionar com o que acontece à sua volta é viver o momento. Aceitar o que a vida te oferece, sem se preocupar com o que já passou ou o que acontecerá num futuro incerto. Esse é o caminho para alcançarmos a Felicidade. Mas é tão difícil trilhá-lo...

Tania Miranda - Brasil  -  06/10/2026

===========================================================

 Living Is Complex

We all have needs—every single one of us. It is a fact we often refuse to admit. Yet, when someone we value acts in a way we didn't expect, we feel hurt. It’s not that they intended to hurt us—far from it. We simply get hurt because their actions didn't align with what we had imagined...

The funny thing is, I’m not talking about people with whom we share an intimate relationship. I’m referring to friends, colleagues, and acquaintances—people outside our immediate personal circle. Even so, we sometimes feel wounded by actions that have nothing to do with us...

Well, much as we might dislike admitting it, we tend to feel like the center of the universe. Fair enough—it *is* our universe. But even though we realize we aren't the most important figure in our social circles, it is hard to admit to ourselves that we might not mean much to the group...

I’m not generalizing; every situation is different. I’m referring to those specific moments when we feel "betrayed" by someone who—while not necessarily close to us—we consider important to our lives...

It’s a two-way street: just as you might feel overlooked by someone at times, that person will, at some point, feel abandoned by you. And why? It’s simple... life is dynamic. We are constantly choosing the paths we will take, and the people around us aren't always part of those choices...

One thing must be made clear... many of our actions are instinctive. They are made in the moment, without conscious analysis. When we make a decision, we simply look for the best way to navigate the path we’ve chosen—and the companions for that journey are often determined by chance. The person standing beside us won't always continue on this journey with us...

There are various factors that lead us to choose the group that follows us—all of them decided unconsciously. It’s not that our decisions aren't thought out; rather, we often arrive with a preconceived notion of what we intend to do...

And therein lies the human paradox. You know you cannot control what will happen. Your choices—random by nature—seem definitive to you, grounded in your own principles and way of thinking. You possess critical judgment, and it is based on that judgment that you make your decisions—decisions that won't always please your audience...

Where is the paradox? Well, you never make a decision with the intent of hurting someone. Generally, when we decide to pursue a certain course of action, we consider the feelings of those who might be affected by our choice. We try to follow a path that benefits everyone who matters in our lives...

But—and there is always a "but"—everyone sees things differently. What I view as a safe path for everyone might not be seen that way by those around me. Those chosen to come along might not feel comfortable with my choice. Those I decided to spare—for one reason or another—might take offense, failing to understand why they were excluded from the group...

Do you see how complicated the situation is? There are many factors involved in our choices—none of them romantic, just practical, everyday decisions. Yet, given our emotional vulnerabilities, we can still hurt someone—someone who, perhaps, simply doesn't understand why you acted one way instead of another...

But that’s life. That is why it is important not to build expectations about what might or might not happen around you. The best way to avoid disappointment with what happens around you is to live in the moment. To accept what life offers you, without worrying about the past or what might happen in an uncertain future. That is the path to happiness. Yet, it is so difficult to follow...

Tania Miranda - Brazil - October 6, 2026

===========================================================


VIVIR ES COMPLEJO

Tenemos carencias. Todos nosotros. Es un hecho que, a menudo, nos negamos a admitir. Pero cuando alguien a quien apreciamos actúa de una manera que no esperábamos, nos sentimos afectadas. No es que esa persona haya pensado en hacernos daño. Nada de eso. Es que, simplemente, nos sentimos heridas porque la actitud que tomó la persona no correspondía a lo que imaginábamos...

Lo curioso es que no hablo de personas con las que tenemos una relación íntima. Me refiero a amigos, colegas, conocidos. Es decir, personas que no están tan cerca de nuestro universo personal. Aun así, a veces nos sentimos afectadas por acciones que nada tienen que ver con nosotras...

Bueno, por más que no queramos aceptarlo, nos sentimos el centro del universo. Está bien, es *nuestro* universo. Pero, aunque seamos conscientes de que no somos la pieza más importante del entorno en el que nos movemos, nos cuesta admitir que, para nuestro grupo, no somos nada...

No estoy generalizando. Hay situaciones y situaciones. Me refiero a momentos especiales en los que nos sentimos "traicionadas" por esa persona que, aun sin ser tan cercana, consideramos importante para nuestra vida...

Es una situación de doble sentido: así como tú alguna vez te sientes relegada por alguien, esa persona también, en algún momento, se sentirá abandonada por ti. ¿Y por qué? Es sencillo... la vida es dinámica. Y todos vivimos eligiendo los caminos que recorreremos a cada instante. Y no siempre todos los personajes que nos rodean forman parte de esas elecciones...

Una cosa debe quedar muy clara: muchas de nuestras acciones son instintivas. Se toman en el momento, sin un análisis consciente. Porque, al tomar una decisión, buscamos la mejor manera de avanzar por la senda elegida. Y los compañeros de ese camino se definen al azar. No siempre la persona que está a nuestro lado seguirá con nosotros en esta empresa...

Son varios los factores que nos llevan a elegir al grupo que nos acompañará; todos ellos decididos de forma inconsciente. No es que no reflexionemos sobre nuestras decisiones, pero muchas veces ya llegamos con una idea preconcebida de lo que vamos a hacer...

Y ahí reside la paradoja del ser humano. Sabes que no tienes el control de lo que va a suceder. Tus elecciones, aleatorias por naturaleza, te parecen algo definido, basado en tus principios y en tu forma de pensar. Posees sentido crítico, y es en ese criterio en el que te basas para tomar decisiones... decisiones que no siempre agradarán a tu audiencia...

¿Dónde está la paradoja? Bueno, nunca tomas una decisión con la intención de herir a alguien. Por lo general, cuando decidimos seguir una determinada línea de acción, tenemos en cuenta los sentimientos de quienes, de alguna manera, se ven afectados por nuestra decisión. Intentamos seguir un camino que beneficie a todos aquellos que, de una forma u otra, son importantes en nuestra vida...

Pero... y siempre hay un "pero"... la perspectiva de cada persona es diferente. Lo que para mí representa un camino seguro para todos puede no ser visto así por quienes me rodean. Es posible que aquellos elegidos para acompañarme no se sientan cómodos con mi elección. Y aquellos a quienes decidí excluir —por una razón u otra— podrían ofenderse al no comprender el motivo de su exclusión del grupo...

¿Te das cuenta de lo complicada que resulta esta situación? Hay múltiples factores que influyen en nuestras decisiones. Ninguna de ellas implica sentimientos amorosos; se trata simplemente de decisiones prácticas de nuestra vida cotidiana. Aun así, debido a nuestras propias carencias emocionales, podemos herir a alguien que, tal vez, no comprenda por qué actuamos de esa manera y no de otra...

Pero así es la vida. Por eso es importante no crearse expectativas sobre lo que puede o no suceder a nuestro alrededor. La mejor forma de no decepcionarse con lo que sucede a tu alrededor es vivir el momento. Aceptar lo que la vida te ofrece, sin preocuparte por lo que ya pasó o por lo que sucederá en un futuro incierto. Ese es el camino para alcanzar la felicidad. Pero es tan difícil recorrerlo...

Tania Miranda - Brasil - 06/10/2026

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A INFLUÊNCIA DO MEIO EM QUE VIVEMOS...

A MÚSICA É A LINGUAGEM DOS ANJOS

EXPECTATIVAS